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sábado, 17 de novembro de 2012

Pode ser Portugal a destruir o Euro


Um "default" é acidente. Dois já é uma crise sistémica.
Quem o diz é Matthew Lynn, antigo colunista da Bloomberg News, sublinhando que Portugal voltará a ter um importante papel no palco mundial.

Segundo ele, poderá ser Portugal o responsável pelo colapso do Euro. No seu mais recente artigo de opinião, publicado na "Marked Watch", Lynn começa por relembrar a importância do país para a história mundial, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, que dividiu o mundo não europeu entre a Espanha e Portugal em1494.

Enquanto consabidamente, a Grécia tem vindo nos últimos anos a "aldrabar" as suas contas com a assessoria técnica, principalmente, dos estafermos que pululam na Goldman Sachs, por outro lado, Portugal esforça-se por ser o aluno aplicado e submisso dos credores internacionais.
Se fosse a Grécia a cair sozinha, os danos seriam contidos com o argumento relativo aos excessos gregos, mas se outro país cair e Portugal está na forja, evidenciaria que o euro na verdade, é uma moeda disfuncional.
Uma moeda cunhada sob regimes fiscais totalmente diferentes, ritmos económicos demasiadamente díspares e sistemas políticos muito diferentes entre si, leva-nos ao imbróglio que actualmente vivemos, donde é evidente, que as instituições europeias completamente atadas nos labirintos legislativos, navegam à vista.

O analista compara a situação de Atenas e de Lisboa, destacando que Portugal - um dos países mais pobres da União Europeia - com um PIB per capita de apenas 21.000 USD, significativamente  abaixo dos 26.000 USD da Grécia, fixou metas de redução do seu défice de 4,5% em 2012 e de 3% para 2013.

"Então e como está a sair-se?", questiona-se. E responde: "Quase tão bem como a Grécia, ou seja, nada bem".

O Citigroup estima que a economia encolha 5,7% em 2012 e mais 3% em 2013. Matthew Lynn recorda o estudo da Universidade do Porto, divulgado recentemente, que diz que a economia paralela aumentou 2,5% no ano passado e que representa agora cerca de 25% da actividade económica portuguesa, de referir, que não existe qualquer expectativa de que estes dados mudem a breve trecho. Salienta o jornalista que " As empresas portuguesas simplesmente não conseguem sobreviver a pagar as taxas de imposto que lhes foram impostas... E que os objectivos de redução do défice não vão ser cumpridos ".

Em resposta, a União Europeia, representada por uns encardidos de fato e gravata, exigem mais e mais austeridade, o que significa, a economia a contrair-se ainda mais. É um círculo vicioso que estas aventesmas (subentenda-se por aventesmas a dupla Coelho e Gaspar) não percebem.
Para "ajudar" ainda mais nesta questão, o governo português apresenta através do OE para 2013, o golpe de misericórdia para a economia lusa.

No total os bancos têm uma exposição de 244 mil milhões de USD a Portugal, contra 204 mil milhões de USD de dívida grega, segundo os dados do Banco de Pagamentos Internacionais. O grosso da dívida é detido pela Alemanha e pela França, na parte da dívida privada, que é bem mais substancial que a pública, é bem provável, que a maior parte seja detida por bancos espanhóis, com a saúde financeira que todos nós conhecemos.

Resumidamente, segundo o ex-colunista da Bloomberg - " Se um país entrar em incumprimento, dentro de uma união monetária, isso pode ser visto como um acidente infeliz. Todas as famílias têm uma ovelha negra. Mas quando um segundo país cai, o caso fica muito mais sério".

É uma questão de tempo... Para o deslize completo.


Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

domingo, 22 de julho de 2012

Os arautos da transparência


Num texto de Domingos Ferreira, professor e investigador na Universidade do Texas - EUA, onde começa por sinalizar os homens Goldman Sachs em Portugal, nomeadamente, Carlos Moedas, adjunto directo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e do "Ministro das Privatizações", António Borges. De notar que os "Goldman Sachs" estão infiltrados nos governos europeus, bem como, nas suas instituições fulcrais de decisão, como por exemplo, o BCE. Sem dúvida que estamos entregues à bicharada!

Refere Domingos Ferreira no seu texto que " vale a pena lembrar uma vez mais que o Goldman & Sachs, o  Citygroup, o Wells Fargo, etc., apostaram biliões de dólares na implosão da moeda única. Na sequência dos avultadíssimos lucros obtidos durante a crise financeira de 2008 e das suspeitas de manipulação de mercado que recaíam sobre estas entidades, o Senado norte-americano abriu um inquérito que resultou na condenação dos seus gestores."

Afirma também que " ficou demonstrado que o Goldman & Sachs aconselhou os seus clientes a efectuarem investimentos no mercado de derivados num determinado sentido. Todavia, esta entidade realizou apostas em sentido contrário no mesmo mercado. Deste modo, obtiveram lucros de 17 biliões de dólares (com enorme prejuízo para os seus clientes) ".

Enquanto os intelectuais da esquerda europeia filosofam sobre as estrelas e o céu, continuando no texto de Domingos Ferreira - " Estes predadores criminosos, disfarçados de banqueiros e investidores respeitáveis, são jogadores de póquer que jogam com as cartas marcadas e, por esta via, auferem lucros avultadíssimos, tornando-se, assim, nos homens mais ricos e influentes do planeta. Entretanto, todos os dias, são lançadas milhões de pessoas no desemprego e na pobreza em todo o planeta em resultado desta actividade predatória. Tudo isto, revoltantemente, acontece com a cumplicidade de governantes e das entidades reguladoras ".

O crime global em que vivemos, é ainda mais atroz, na directa medida da anestesia global em que os povos sobrevivem  - " Desde a crise financeira de 1929 que o Goldman & Sachs tem estado ligado a todos os escândalos financeiros que envolvem a especulação e manipulação de mercado, com os quais tem sempre obtido lucros monstruosos. Acresce que este banco tem armazenado milhares de toneladas de zinco, alumínio, petróleo, cereais, etc., com o objectivo de provocar a subida dos preços e assim obter lucros astronómicos, Desta maneira, condiciona o crescimento da economia mundial, bem como, condena milhões de pessoas à fome. "
Sem que grande parte da população se aperceba desta monstruosidade e que a maior parte trabalhe contra si própria.
É esta a grande capacidade de toda esta super-estrutura no sequestro de vidas humanas, sem as próprias se aperceberem de esse facto..

No artigo de Domingos Ferreira e muito assertivamente, diz - " No que toca a canibalização económica de um país, a fórmula é simples, com a cumplicidade das agências de rating, declara que um governo está insolvente, como consequência as yields sobem e obrigam assim a pedir mais empréstimos com juros agiotas. Em simultâneo, impõem em nome do aumento da competitividade e da modernização, a abdicar dos seus sectores económicos  estratégicos, tais como; energia, águas, saúde, banca e seguros. "
Entregando de mão beijada às grandes corporações internacionais, o trabalho de todos nas mãos de poucos.

Enquanto, no caso português, as pessoas se queixam nas conversas de café, não entendem que o voto em branco ou abstenção só favorece os partidos da elite, quando o eleitor português vota em protesto contra os políticos do "arco governativo", seja em branco, seja na abstenção ou desenhando uma caralhada no boletim de voto, está a dar um tiro no seu próprio pé. No actual sistema eleitoral, este governo maioritário teve o voto de pouco mais um décimo do eleitorado português.
Na Grécia, o povo quase que acordou, mas foi quase...


Pulicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O caso da multinacional checa - Bata


Há poucas semanas  atrás a multinacional checa Bata que se dedica à comercialização de calçado, anunciou que se vai retirar de Portugal.
A companhia fundada por Tomas Bata em 1894 na cidade checa Zlin na antiga Checoslováquia, atravessou o séc. XX e mantém-se no séx. XXI em todo o seu fulgor. Hoje é uma multinacional presente em cerca de 70 países com mais de 5.000 lojas e aproximadamente 30.000 trabalhadores.

Nos dias de hoje, em que assistimos diariamente a encerramentos de fábricas, empresas e lojas, consequência directa de insolvências, falências, deslocalizações e algumas vezes de forma fraudulenta sob uma capa de legalidade, num sistema judicial fraco para os fortes e forte para os fracos, sistema judicial português esse, cada vez mais desigual no acesso e cada vez menos justo na aplicação da lei.

Não sendo um caso diferente do dia-a-dia económico/industrial português, infelizmente, é no comunicado da casa-mãe desta multinacional, que fica espelhado em poucas linhas a realidade económica portuguesa, totalmente contrária à linha comunicativa do governo português, que vive uma mistura de ficção teórica comunicativa e realidade social aplicada resumida em gráficos Excel.
Assim, ao contrário da filosofia de comunicação do governo português - que diz uma coisa e pratica outra - que enche os seus comunicados até à exaustão os cliques bordão, tais como; é o único caminho, crescimento económico, medidas contra o desemprego, o caminho certo, recuperar a confiança, as medidas necessárias e por fim, atrair investimento estrangeiro, vem a realidade objectiva de uma empresa estrangeira a operar na economia portuguesa que já tinha puxado a corda da exploração até aos limites, note-se que para os empresários em geral o lucro é sempre pouco, as lojas da Bata funcionavam actualmente com um trabalhador por turno, o que leva a questionar para é que existe uma entidade que dá pelo nome de Autoridade para as Condições de Trabalho - ACT ?
Diz a Bata constatando a realidade - " o clima económico no país, tornou-se extremamente difícil, deteriorando a confiança dos consumidores bem como o seu poder de compra, o que tornou impraticável a continuação da Bata em Portugal, como vinha acontecendo até aqui ". 

E é nesta pescadinha de rabo na boca que o governo português fica surpreendido quando afere que a receita fiscal diminui e o défice publica aumenta.
Reduzindo o rendimento das famílias, as empresas vendem menos e a indústria produz menos. É a espiral recessiva negativa que o actual governo colocou o país, aliás, fruto de um elenco na economia e nas finanças, brilhantes académicos e teóricos, mas muito fraquinhos na capacidade de visão da realidade de um país em contexto global.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Catastroika


O documentário Catastroika financiado por cidadãos gregos e de outros países, rompe com o discurso do politicamente correcto, apanágio dos média que as massas incautas consomem e que tomam como verdade real.
Elaborado pela mesma equipa grega que produziu Dividocracia, o documentário em baixo segue os temas das privatizações das empresas públicas com mais detalhe, empresas em sectores chave de economias - nos dias de hoje em pseudo-soberanias - sectores tais como; comunicações, energia, transportes e água, fundamentalmente.
Empresas que durante décadas construíram suas infra-estruturas financiadas pelos cidadãos, na figura jurídica de contribuintes de Estados, para agora sob o pretexto de uma complexa crise iniciada por uma zona cinzenta e obscura financeira, alimentada pela completa desregulação dos mercados, o santo-graal de merda, onde estes vampiros ultra neo-liberais beberam o seu modus vivendi de actuação.
Na verdade, o que vivemos, não é algo desordenado, mas sim, algo muito bem planeado e construído. O que leva sempre à seguinte questão - Será que contaram com os imponderáveis?
Assistimos meio anestesiados, meio conformados, ao maior roubo da história dos tempos. A liquidação total do que foi construído e financiado pelas populações durante décadas, para passar de repente e sem pagar o preço certo,  a mãos privadas, de que não sabe muito bem quem são. Ao mesmo tempo que se vai criando a ideia do funcionário público como abominável e sugador dos recursos.
Quando na verdade, como comprovam os factos, nos países outrora privatizados, desde a energia às comunicações, desde os transportes aos sistemas de saúde, nada melhorou, pelo contrário, a qualidade dos serviços públicos deterioram-se, a corrupção não baixou e a desburocratização não se concretizou. Ficaram apenas a ser geridos por múltiplos conselhos de administração que objectivam em primeira linha o lucro ao accionista que financia (com dinheiro de terceiros, diga-se de passagem ), tão somente.
O documentário termina com uma questão pertinente - Você quer ser livre, ou viver tranquilo? As duas ao mesmo tempo são impossíveis, logo tem de haver uma escolha.


Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

domingo, 8 de abril de 2012

À míngua

Quando o actual primeiro-ministro, na altura candidato, fazia uma conferência de imprensa em tom dramático onde anunciou que o seu partido iria chumbar o PEC 4 do governo socialista, mesmo que dizer, a consequente queda do governo, afirmava com um ar muito cheio de si - O país não pode ficar a pão e água!

De facto, o que ele queria dizer e que as pessoas não entenderam nas entrelinhas, era que o país iria ficar na verdade, à míngua.

Ninguém pode acusar este governo, no esmero e dedicação, pois estão a consegui-lo a velocidade alucinante.

O velho discurso da tanga, que não há dinheiro, os portugueses são uns malandros e que com o seu salário médio entre os 600 e 700 euros, vivem acima das suas possibilidades. A segunda parte deste discurso é que estes sacrifícios são necessários para num futuro qualquer vivermos todos melhor e mais felizes.
Em resumo, primeiro o discurso da tanga e depois a história da carochinha.

Quando muitos avisaram, que a linha política ultra-neo liberal que este governo seguiu, iria ser o caminho directo para a destruição da economia nacional, vêm agora os primeiros engasgos dos governantes relativamente às datas; é em 2013, não afinal, talvez 2014, queria dizer porventura, vamos lá 2015.

Governam à vista, os principais factores de decisão não dependem deste governo e têm de vender o que resta do património nacional.

Por outro lado, falham nas previsões das folhas de Excel uma após outra, onde nelas não entram factores psicológicos da sociedade como a desmotivação, a retirada forçada de rendimento às famílias (que já era muito, diga-se de passagem), a diminuição do consumo levando por um lado a menos receita fiscal e por outro, a falência em catadupa de pequenos negócios, de micro, pequenas e médias empresas, gerando mais desemprego numa espiral descendente.

O imposto demasiadamente elevado nos combustíveis e na electricidade, que assassina qualquer tipo de crescimento das empresas. Entende este governo, que são os despedimentos mais fáceis, um enorme factor de crescimento.

Enquanto os portugueses trabalham para pagar os impostos, os juros e comissões da troika, os desvarios criminosos dos governos PS, PSD e CDS das últimas décadas, os empréstimos que o Estado foi forçado a contrair para não deixar cair o BPN, para que alguns pudessem comprar iates e mansões com financiamentos que o Estado não irá mais recuperar de titulares escondidos nos labirintos das off-shores espalhadas pelo o mundo fora.

Sem dúvida que é mais fácil, retirar uma parcela da reforma de quem descontou toda uma vida de trabalho, cortar nos abonos de família, diminuir as comparticipações dos medicamentos para os reformados (um luxo!), financiar especuladores bolsistas às centenas de milhões de euros e complicar financiamentos de alguns milhões a empresas e industrias com carteiras de encomendas para adquirirem matéria-prima para a produção.

A pão e água? Não! À míngua...

Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tragédia Grega


Tragédia grega, fado nosso, que vai cavando o fosso, num sentido figurado, o local global para onde se empurra o mundo em geral. Não são variáveis ao acaso... que rolam por aí.

O "sim" do parlamento grego a mais um plano de austeridade, não mais é, do que um alívio momentâneo aos seus credores, na verdade, é adiar a bancarrota eminente, em sua forma formal.
Redução da massa salarial a olho e de forma cega, estagna o comércio e a produção industrial, bloqueamento de novos investimentos via crédito bancário, gera mais incapacidade de as famílias cumprirem as suas obrigações financeiras, diminui o cabaz de importações que noutros lados são exportações, estimula a revolta social e na base atrofia o crescimento necessário para pagar os empréstimos colossais, que servem para amortizar dívidas velhas e pagar salários que se vencem todos os meses. Obviamente que a Grécia não vai conseguir pagar, porque e não são precisas grandes teorias económicas, na verdade não há como!

Tal como, outros países europeus, dentro de um efeito dominó irreversível. Facto que os média escondem, pois hoje, estão cada vez mais concentrados em meia-dúzia de grandes grupos de comunicação social com sucursais espalhadas um pouco por todo o mundo. A informação obedece a uma cartilha dum politicamente correcto bacoco, de vacuidades e de injecções tremendas das pseudo-vidas dos famosos, compensando assim, o vazio de milhões de escravos que apenas vivem o dia-a-dia do trabalho/casa/trabalho, iludindo uma espécie de vida de sonho, uma esperança a alcançar.

Portugal é o país que está na forja, para o dia seguinte ao colapso eminente e evidente da Grécia, que o seu novo governo recém eleito de "wonder boys" ilude o marasmo geral da população que sem saber muito bem a gravidade da realidade, a compara, como por exemplo, uma qualquer tele-novela. É tipo, isto é meio a brincar ou isto é que vai uma crise!

A grande falácia dos planos de austeridade é a competitividade, cada uma com a boa nova que é para o bem geral, na realidade sucedem-se uns aos outros, com o agravamento dos índices gerais das sociedades onde são aplicados, evidência factual. Ao mesmo tempo que se incentiva a poupança. Significa o mesmo que cortar uma perna a um indivíduo e convencer-lhe que agora pode correr ainda mais, sendo positivo, dinâmico, pró-activo, motivado... e mais competitivo. Só que ao pé-coxinho. Afinal para que é que precisas de duas pernas? Lambão ...!

Desse modo, fomentou-se a ideia de que os serviços públicos são ineficientes e que privatizar é solução. O que acontece, verdadeiramente, são boas gestões ou más gestões, boas organizações ou más organizações. Com o conceito da rentabilidade e lucro pelo meio, sendo o vírus, a corrupção generalizada.
Nos países nórdicos, a banca em geral é estatal, até existem farmácias públicas, imagine-se! Com elevados índices de eficiência. Afinal, é a competitividade ou é uma efectiva cultura colectiva assente na ética? Fica-se baralhado...

A Grécia prepara-se para privatizar o quase que resta do que é público, vendido ao desbarato, directo para os que lhes financiam ou seus representantes, fazendo lembrar a crise de 1929, quando uma certa elite, comprou a preços de saldo, de desesperados; fábricas e grandes quintas agrícolas. A história repete-se, numa escala maior, compram-se países, aos bocados e barateiros, com a corda na garganta.

Sou de crer, que o parlamento grego, deveria ter chumbado hoje o plano de austeridade, evitando o adiamento do choque térmico inevitável. Mas as profecias não fui eu que as escrevi.

O futuro... esse ninguém sabe! Mesmo que teorizado, os factores aleatórios são quase infinitos.



Chaka Khan - Ain't Nobody

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Director-Geral do FMI detido


Ao que parece, ontem Dominique Strauss-Kahn, director-geral do FMI, quando saía do duche no luxuoso hotel onde estava instalado em Nova Iorque, aparentemente e tal e qual veio ao mundo, deparou-se com uma inesperada empregada de limpeza que, por sua vez, julgava que o quarto já estaria desocupado. Supostamente o indivíduo não conseguiu suster a sua libido e atacou a referida empregada, forçando o sexo oral, opção obviamente não unânime por parte dos intervenientes. Ao que parece, numa primeira fase, a funcionária conseguiu desembaraçar-se, ao que foi novamente agarrada e arrastada para a casa-de-banho, sofrendo mais agressões físicas e sexuais. Alegadamente, voltou a conseguir fugir do quarto-de-banho e correu para a recepção onde deu o alerta para a suposta tentativa de violação.
De seguida a polícia montou uma operação de captura do referido sujeito, que acabou por ser detido já no interior do avião da Air France rumo a Paris, possivelmente pensando - Oh la vache! Cette avion ne décole pas! Allez vite!

Este episódio abre várias hipóteses especulativas acerca do que realmente aconteceu:

- Dominique, fazendo valer a sua posição e habituado a ter criadagem a servi-lo, possivelmente já terá passado por situações semelhantes, sendo reincidente em casos de abuso sexual e/ou fazendo valer a sua posição de poder, pode ter tido algum sucesso neste tipo de abordagem, principalmente em países de terceiro mundo, que negociavam desesperadamente o chamado engano de "ajuda financeira".
Neste caso específico, a coisa correu mal, até pode ter sido oferecido uns 50 ou 100 USD's, mas perante a recusa, da alegadamente esgatanhada empregada, o fulano descontrolou-se e passou para a agressão física, chegando ao ponto do freak-show de a arrastar para a casa-de banho com gritos e em avançado descontrole completo
Imagine-se um episódio similar, que ocorresse em Portugal aquando da negociação do financiamento?
Sendo reincidente, esta hipótese, poderá ser a mais provável.

- Por outro lado, Strauss-Kahn pode ter sido apanhado numa tocaia muito bem montada. Um fulano na sua posição ganha inimigos por todo o lado, as armadilhas podem surgir por todos os lados.
A América país das indemnizações milionárias, a empregada esperta, sabendo da sua fraqueza de tarado, foi limpar o quarto, quando justamente o pujé estava no duche, bastava estar a aspirar o quarto de rabo para o ar.
Ou pode ter sido alvo de uma sex op, tal como existem as blacks ops, pois o socialista francês estava na frente para a corrida da presidência da república francesa, então alguém undercover ter telefonado a Dominique num inglês sem sotaque - Por cortesia deste estabelecimento comercial vai a caminho um xuxuzinho daqueles, vai vestida com a farda de empregada de limpeza, para não dar nas vistas.
Logo se apressou a tomar uma banhoca e até pode ter pensando que a resistência inicial fazia parte do jogo. Imagine-se aquela figura sedutora a sair do banho, atirando todo um rasto de charme numa suite privada em New York.

Já se percebeu hoje a estratégia da defesa, tentou a fiança de 1.000.000 de USD's a qual a juíza recusou, grande azar é uma juíza, provavelmente mais sensível a casos de violação.
Tentaram descredibilizar a história da fuga. Independentemente das teorias, o fulano entrou em pânico que lhe tomou os sentidos e pensamentos, entrou em completa desconexia pensénica, deixando para trás o telemóvel e alguns objectos pessoais. Segundo a defesa, ainda passou algumas horas a deambular pelas ruas da cidade que não dorme. Sem o telélé? Não colhe.
E que ia almoçar com alguém que pode comprovar. É tão válido como ter agendado almoçar comigo choco frito em Setúbal.
Politicamente morreu, fisicamente o suicídio pode estar a ser um enorme quebra-cabeças.

No nível espiritual mais violento, o padrão de exteriorização de energia assediadora é semelhante, seja na barraca, no bairro social, num hotel de luxo ou numa mansão. Apenas no mundo dos vivos o impacto mediático é que é diferente.

domingo, 17 de abril de 2011

Os gatos e os ratos


Nas últimas décadas; Portugal foi governado por dois partidos políticos, o Partido Socialista e o Partido Social Democrata, doravante designados por PS/D. Estes dois partidos que se conseguiram enraizar na sociedade portuguesa, conseguiram partir o país de maneira gravosa e deixando-o num estado quase comatoso. Os portugueses que beneficiam destes dois partidos, seja nas empresas públicas ou nas autarquias locais, continuam a votar e a influenciar em todas os seus círculos sociais, para que se mantenha este status quo, são milhares... Por via dos ordenados que auferem, que nada têm a ver com a realidade económica e financeira do país, a crise passa-lhes ao lado.
Continuam a entupir o Allgarve, as zonas costeiras do Brasil onde as agências de viagens canalizam toda esta borregada, principalmente Pipa e Porto Galinhas, Cabo Verde, Cancun e Rep. Dominicana, fechados nos resorts, esmagados pelos buffets e bebidas tropicais, onde podem tirar muitas fotografias para o Facebook.

Aos jovens que são iludidos por cursos universitários, que mais não que servem para compensar as tesourarias das faculdades, aos quais compram os suplementos das licenciaturas, os mestrados que muitos deles diga-se em boa verdade, não servem para quase nada.
Pergunta o jovem licenciado em Direito - Onde está o meu gabinete?
Universidades e Politécnicos na Guarda e na Covilhã, mas a realidade dura e crua, é que não há tecido empresarial que absorva todas estas fornadas que saem prontas, tal como, carne para canhão.
O empresariado português, tal como, o resto da população subsídio-dependente, não se habituou a lutar, a procurar suas armas, fica-se pelos direitos, sem ter a percepção que o dinheiro ou as verbas são finitas.
Os governos maioritários de Cavaco, que recebeu fundos da C.E.E. para tudo e alguma coisa, além de serem muito mal geridos, isto na óptica do interesse do país, habituaram mal, parte da economia portuguesa, enquanto o português profissional dos expedientes, encheu os bolsos à conta desses capitais que na sua génese tinham outros fins.

Agora choram o FMI, sem saberem muito bem o que é o FMI. Esta instituição vai ganhar bom dinheiro à custa das incompetentes governâncias portuguesas realizadas pelo o PS/D, os juros são mais baixos, mas o lucro que vamos pagar é bom. É a terceira vez que vêm cá e é preciso explicar, que são os nossos governos que o chamam e contratualizam.
Ainda há poucos meses, Sócrates dizia que a execução orçamental tinha superado as expectativas, mas logo a seguir, apresentou um PEC IV, para corrigir os objectivos orçamentais.
O próprio se contradiz, é mentiroso e interprete de gestão danosa, punível segundo as leis da república portuguesa. Essa com o nome na lama, sem credibilidade externa, com risco elevado de incumprimento e sem honra.

Vêm agora, alguns países do norte da europa, questionar a ajuda financeira a Portugal. Constatam que os gregos fizeram uns Jogos Olímpicos, com investimentos brutais, os portugueses fizeram estádios novos para ganhar pó, compraram submarinos para caçar piratas e os irlandeses por via dos incompetentes gestores bancários comprometeram o país. Não é de somenos importância, que quem cuida das suas finanças públicas com zelo, regras e ética, questione por que há-de emprestar a indigentes crónicos.

Empresas públicas portuguesas com dívidas de milhões, por exemplo, a CP ou o Metro de Lisboa, com administrações ricamente pagas, com hierarquias intermédias, pululadas por um número quase infinito de engenheiradas, com tudo pago, telemóveis e carros de serviço e depois a culpa é dos maquinistas.

Portugal está virado do avesso, onde há muita boa gente que ganha muito bem, não se sabe se têm a consciência da enorme falta de vergonha que têm na cara.
As asneiras, nada têm a ver com boa educação, nem todos estudaram em colégio anglais, tem a ver com a real percepção da actualidade.
E pelo que vemos, isto está do caralho! Somos governados por coninhas da merda, que vendem os nossos parcos recursos a investidores internacionais que se estão a cagar para a população portuguesa.
Os nossos governantes, com capacidade de decisão, não são mais do que uns filhas da puta do caralho, anti-patriotas da merda que vendem o futuro do país a prestações.

Esta é a realidade...

O vídeo em baixo é uma metáfora de Tommy Douglas, pai do sistema de saúde do Canadá. Canadá e Noruega que disputam entre si há alguns anos, o lugar cimeiro do índice de desenvolvimento humano.

O que é que nos está a escapar?



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

sábado, 9 de abril de 2011

Espectro


O espectro político que sobressai aos olhos das pessoas em geral, se apresenta numa variada gama de tonalidades cinzentas, ou seja, o resultado final é o mesmo, cinzento, com a particularidade dos vários tons, para que se tenha a ideia de escolha, ao contrário dos totalitarismos puros e duros. Assim com uma variada gama de cinzentos as pessoas perdem-se em discussões estéreis, gritam e barafustam, dessa forma, deitam-se mais descansadas, porque optaram pelo cinzento mais escuro ou pelo cinzento mais claro.Têm a consciência que tomaram uma opção, daí sentem-se válidas e ficam com a ilusão de que têm o futuro nas suas mãos.

Ora o que acontece na realidade, é que os futuros destas massas enormes, já estão nas mãos de um "piqueno" grupo de malfeitores, que se acham os maiores, os iluminados e os visionários. O controle de tanta coisa, dá-lhes para pensar assim.
Em Portugal, pululam nas festas do jet-set as filhas legítimas (já as houve ilegítimas, contempladas em códigos civis de outrora), as sobrinhas, as afilhadas e as primas que se distinguem por "piquenas" em vez de pequenas.

Dizer "piqueno" em vez de pequeno, funciona quase como uma espécie de código identificativo.
Portugal, está na mão destes assalariados de topo que representam os tais "piquenos" grupos que mandam efectivamente, em certas zonas do globo, através do financiamento, depois de criarem a necessidade dele. Em semelhança, como os traficantes de droga, primeiro criam o vício e depois de os terem na mão, manobram os seus clientes a seu bel prazer.
Portugal já está viciado, a fraca gestão política, dos nossos governantes das últimas três décadas, sempre com o olho nas próximas eleições, entregaram este país de mão beijada aos grandes galifões internacionais.
Vejam-se os actuais carapaus de corrida, José Sócrates e Passos Coelho a acusarem-se mutuamente de quem é a culpa da vinda do FMI. Em boa verdade, a campanha eleitoral que já estamos a assistir, em grande parte é inútil. Pois a grande massa dos portugueses que por vários factores de ordem, ainda não tomaram consciência do que passa, vão escolher ordeiramente e em filinha indiana o assessor do verdadeiro governo que vamos ter em Portugal. O assessor dos 80 mil milhões de euros.

O real ministério das finanças português, vai passar a ter sede, num quarto de hotel, talvez no Tivoli ou no Ritz, onde se instalará uma equipa do FMI a determinar o que se paga e o que não se paga.
Como nestas coisas, é difícil separar o trigo do joio, o mexilhão é quem vai se lixar.
Estamos entregues à bicharada e ainda por cima impune!

Por isso é sempre de relembrar, que existem vários tipos de espectros, todos eles com as suas complexas minundências; o político, o matemático o físico, o electromagnético e o sonoro.
Mas o espectro biológico, não deixa de ser a nossa matriz existencial.

A vida está organizada em níveis de organização onde as populações são apenas um desses níveis dentro da organização existente no espectro biológico;
* As moléculas orgânicas mais complexas se organizam em organelas vivas.
* As organelas vivas se organizam em células vivas.
* As células vivas se organizam em tecidos vivos.
* Os tecidos vivos se organizam em órgãos vivos.
* Os órgãos vivos se organizam em sistemas de órgãos vivos.
* Os sistemas de órgãos vivos se organizam em organismo vivo.
* Os organismos vivos se organizam em populações vivas.
* As populações vivas se organizam em comunidades vivas.
* As comunidades vivas se organizam num ecossistema vivo.
* Os ecossistemas vivos se organizam num bioma vivo.
* Os biomas vivos se organizam num biócoro vivo.
* Os biócoros vivos se organizam num biociclo vivo.
* Os biociclos vivos se organizam numa biosfera viva.
* As biosferas vivas se organizam num Cosmo vivo.

They are watching you! Pois você é importante para eles. E eles sem nós, não são nada!



Rockwell - Somebody's watching me

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Fungagá da bicharada


Desde os tempos em que éramos macacada arrebitada e de paulada em riste, aos dias de hoje, as motivações são as mesmas. Poder e status.
Na Era das Trevas, tomavam-se territórios sob a batuta do machado, da espada pela força e organização militar.
Nos tempos actuais, que chamamos de modernos ou contemporâneos, aliás são sempre os tempos presentes, desde que não haja uma máquina do tempo que, altere a ordem natural do que sentimos, o aqui e agora.

Na verdade, uns tentam dominar outros, essa matriz está enraizada na nossa genética, a espécie mais violenta, que para sobreviver, chacinou todas as outras com linhas de desenvolvimento diferentes. Como outrora a mais guerreira, foi aquela que vingou. Nós descendemos desta linha, a mais bárbara.

Nos dias de hoje e com a complexização social fruto da evolução da espécie e desenvolvimento das organizações criadas por si; a guerra, a dominação, a invasão de territórios, dentre as principais, ganharam novas características procedimentais.
Hoje controla-se um país através do seu sistema financeiro, do seu comércio externo e nas suas relações diplomáticas.

Um exemplo, entre muitos, que os mass-media não divulgam com a mesma energia que jorram banalidades fúteis que ocupam todo o espectro mental das massas, bem balizadas nos seus "dia-a-dia" e daquilo que consideram o normal, que já fora previamente formatado.
No dia 20 de Abril de 2010, ocorreu uma explosão numa plataforma petrolífera no Golfo do México vitimando 11 pessoas, plataforma essa pertença da BP (British Petroleum).
O Goldman Sachs ( um dos maiores bancos de investimento do mundo, fundado em 1869 por Marcus Goldman ) vendeu mais de 40% das suas acções da BP, três semanas antes do “acidente” com a Plataforma petrolífera. No dia 31 de Março o mesmo se passou com a UBS e a Wachovia Corporation que venderam 98% e 97% das suas acções da BP .
A Goldman Sachs realizou um lucro de 266 milhões de US Dóllars, dado a cotação da BP em bolsa ter perdido 50% do seu valor .
Semanas antes , o próprio director geral da BP, Tony Hayward, vendeu por um valor de 1,4 milhões de Dólares acções suas da BP.

Estas instituições, são actores determinantes nos mercados financeiros mundiais, no relativo às suas valências de actuação, são um pequeno exemplo, de um mundo em constante guerra pelo poder e status.
Em boa verdade, as organizações intervenientes nos mercados financeiros, não estão nem prá aí virados, no que toca ao interesse das populações onde intervém de forma directa ou indirecta, o único objectivo é o lucro e é por ele que respondem.
A ideia que é vendida por vários canais de comunicação de que o FMI e o Fundo de Resgate da UE vêm para ajudar, não é mais do que garantir aos credores dos países sobre-endividados que recebam o seu quinhão com juros proporcionais ao risco de falência.

Outra estranha coincidência, é o filme do vídeo em baixo ter passado ao lado do mass-market, consumidor de cinema de centro-comercial. A película "The International" surpreende pelos pormenores de como a monstruosidade é perpetuada de forma legal.



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sábado, 22 de janeiro de 2011

Estratégias de manipulação

Nunca tanto como agora, a manipulação individual das pessoas e colectiva das sociedades, fora tão intensa.
Hoje e cada vez mais, ela é perpetuada na confusão do dia-a-dia, na ditadura dos números, nas vidas dominadas pelo stress, pelos massivos meios de comunicação e pela globalização das comunicações.
No livro "Estratégias e técnicas para a manipulação da opinião pública e da sociedade" de Sylvain Timsit, são sintetizadas as principais.

A estratégia da diversão
Elemento primordial do controle social, a estratégia da diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mutações decididas pelas elites políticas e económicas, graças a um dilúvio contínuo de distracções e informações insignificantes.
A estratégia da diversão é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais, nos domínios da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética.

Criar problemas, depois oferecer soluções
Este método também é denominado "problema-reacção-solução". Primeiro cria-se um problema, uma "situação" destinada a suscitar uma certa reacção do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar.
Exemplo: deixar desenvolver-se a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público passe a reivindicar leis securitárias em detrimento da liberdade.
Ou ainda: criar uma crise económica para fazer como um mal necessário o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.
Ou ainda: após a 1ª guerra mundial (1914/1918) o poder mundial ficou mais concentrado, após a 2ª guerra mundial (1939/1945) o poder em menos mãos ficou. Depois deste último evento surgiram as Nações Unidas, os acordos de Bretton Woods, o FMI e o World Bank, ou seja, problema-reacção-solução.

A estratégia do esbatimento
Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplica-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Foi deste modo que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante os anos 1980 e 1990. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicadas brutalmente.

A estratégia do diferimento
Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresenta-la como "dolorosa mas necessária", obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque a dor não será sofrida de repente. A seguir, porque o público tem sempre a tendência de esperar ingenuamente que "tudo irá melhor amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque isto dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceita-la com resignação quando chegar o momento.

Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas
A maior parte das publicidades destinadas ao grande público utilizam um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, muitas vezes próximos do debilitante, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental.
"Se se dirige a uma pessoa como ela tivesse 12 anos de idade, então, devido à sugestibilidade, ela terá, com uma certa probabilidade, uma resposta ou uma reacção tão destituída de sentido crítico como aquela de uma pessoa de 12 anos". ("Armas silenciosas para guerras tranquilas", do mesmo autor).

Apelar antes ao emocional do que à reflexão
Apelar ao emocional é uma técnica clássica para curto-circuitar a análise racional e, portanto, o sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, pulsões ou comportamentos...

Manter o público an ignorância e no disparate
Actuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.
"A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser da espécie mais pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível pelas classes inferiores". ("Armas silenciosas para guerra tranquilas", do mesmo autor).

Encorajar o público a comprazer-se na mediocridade
Encorajar o público a considerar "fixe" o facto de ser idiota, vulgar e inculto…

Substituir a revolta pela culpabilidade
Fazer crer ao indivíduo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema económico, o indivíduo se auto-desvaloriza e auto-culpabiliza, o que engendra um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da acção. E sem acção, não há revolução!...

Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem a si próprios
No decurso dos últimos 50 anos, os progressos fulgurantes da ciência cavaram um fosso crescente entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dirigentes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" chegou a um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema chegou a conhecer melhor o indivíduo médio do que este se conhece a si próprio. Isto significa que na maioria dos casos o sistema detém um maior controle e um maior poder sobre os indivíduos do que os próprios indivíduos.

O sistema actual de poder, ou o nome que se queira chamar, conhece-o melhor do que você próprio se conhece; eles sabem do que você gosta, do que o motiva, do que o entristece, do que o torna depressivo, do que se revolta, do que o torce e até certo ponto, o click necessário que o leva ao suicídio. Dessa forma eles cada vez mais o controlam, com a souplesse sub-liminar de você não perceber. É o efeito Coca-Cola vs. Pepsi. O conceito é igual, mas basicamente, é oferecida a hipótese de escolha, retirando o stress da opção única, levando o sujeito a ter a ilusão, de que tem a decisão.



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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Discernimento, jornada espinhosa da humanidade


É tudo tão difícil, muito difícil... é a crise, é a divida, são as hemorróidas e o que mais que seja. Em linha de conta, no pensamento dominante e presente, há que conter despesas e custos, há que fazer sacrifícios.
Porque é difícil, é muito difícil, isto tudo. Quando na verdade, enquanto o planeta vai girando há milhões de anos e a natureza tem um ritmo próprio, fruto de uma sabedoria evolutiva muito além de nossas vidas fugazes, nós, criaturas "ainda" no berço espirramos espasmos frenéticos de inteligência.
Por exemplo, na inteligência sentimental, comportamental e comunicacional, vamos dando os primeiros passos. Tivemos indivíduos excepcionalmente desenvolvidos em uma ou duas áreas intelectuais e nas outras verdadeiros desastres. Existem e existirão variados caminhos até completarmos um pouco o ramalhete, o qual, ainda desconhecemos.
Um termo de medida é uma mente que deu um dos maiores pulos no conhecimento do Universo, Stephen William Hawking, tenha sido subtraído dos afazeres físicos que um soma acarreta e daí ocupar a sua mente, quase em permanência no pensar.

Para já, termos a percepção do nosso estado primitivo e selvagem em que nos encontramos, é um sinalizador da nossa condição. Apesar da sensação de podermos interagir com um semelhante do outro lado do mundo ou estas linhas que lê, em segundos poderem ser lidas em qualquer parte do mundo e traduzidas na língua local.

Não obstante...
- A malária matar milhões de pessoas, quando um simples mosquiteiro ajudaria muito.
- Quando milhões sucumbem pela fome, e outros destroem toneladas de alimentos para manter o preço de produtos agrícolas.
- Quando milhares doam milhões de alimentos e dinheiro, para ser derretido nas organizações "pseudo"-humanitárias, e o pouco que chega ao destino, ser controlado por senhores da guerra locais.
- Quando se viola uma criança - destruindo-lhe o esfíncter anal - num país ocidental chamado de primeiro mundo que "evangeliza" o estado de direito, mas consoante o poder sócio-económico do abusador é tido em conta de forma subjectiva para não ser punido legalmente de algo moralmente condenável.
- Enquanto as principais farmacêuticas mundiais cotadas em bolsa, perpetuam e condenam os seus clientes, aliás doentes, na fidelização de consumo, antes da demanda de cura das suas maleitas.
- Enquanto se professam religiões que mantém milhões de vidas reféns de livros sagrados, quando sagrado já é tudo o que existe.
- Enquanto se manipulam milhões de mentes órfãs de ideias, em soldados "políticos" que as defendem inconscientemente e até à morte, mantendo obscuros grupos de interesses. No post-mortem, fortes e longas depressões pós-dessomáticas, quando constatam que foram usadas num jogo maior.
- Enquanto civilizacionalmente consideramos que tirar a vida a outro ser humano é um acto condenável, ao mesmo tempo que a indústria do armamento é o maior negócio do planeta.
E todas as outras ...

Quase tudo isto, com sistemas democráticos, com o voto das populações que mandatam outros para os dirigir. E todos se queixam das injustiças...
Há muita gente que se julga gente, porque quando lhes batem à porta do W.C., respondem - Tem gente!

Em baixo no vídeo, está um daqueles raros momentos, do verdadeiro pulsar do planeta. Ritmo, melodia, vivência, sapiência, limbo, sentir... Com o que produzimos da terra aliada à nossa infinita capacidade de criação, às vezes, somos o que esquecemos que somos, parte constituinte do Universo.



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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Greve Geral


Em Portugal realizou-se hoje a maior greve geral de sempre. Os portugueses afluíram à convocatória das duas centrais sindicais; CGTP-IN e a UGT, de forma maciça e clara, mostrando um rotundo cartão vermelho às políticas de austeridade que querem implementar no país.
Contra as inevitabilidades, a esperança...
Os que sistemáticamente repetem os mantras de que se têm de fazer sacrifícios, falam de boca cheia - é sempre a mesma história -, pois quem paga as crises não são quem as criaram. São os mesmos de sempre que irão carregar os erros; de pseudo-visionários, gente ambiciosa capaz de vender a própria mãe, vorazes e incompetentes.
Que crédito ainda resta a um primeiro-ministro que diz que não iremos precisar da "ajuda" do FMI. Atira larachas para o ar, para papalvo agarrar.

Apesar de nas últimas décadas, as empresas terem seguido os modelos de gestão da linha mais selvagem do capitalismo, tendo como objectivo principal, a dispersão do poder reivincativo.
Seja na sub-contratação de out-sourcings, na divisão de uma empresa em várias sub-empresas. Para assim, nos novos contratos, precarizar ainda mais o regime laboral dos contratados, ficando estes numa situação mais frágil de poderem reivindicar, condições dignas de trabalho. São as criadas novas formas de escravatura sob a batuta de um novo chicote, o termo do contrato.

Apesar de tudo isto, a greve geral de hoje, foi um sucesso, uma espinha bem cravada no dorso de quem julga poder fazer tudo sobre todos.
Fica um sinal claro de grande mobilização da população, para outras lutas...
É hora de mobilização, porque o que aí vem, vai ser agreste.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A dívida

Ontem a dívida portuguesa foi leiloada nos mercados financeiros. Para os investidores internacionais um excelente negócio, que à sombra de uma quasi-falência de um estado soberano irão obter nos próximos anos soberbos rendimentos, já que foi subscrita em mais de 75% por compradores estrangeiros. Arrecadou-se 1.242 milhões de euros, dos quais cerca de 600 milhões a dez anos e juro de 6,8%, o restante a 6 anos com uma taxa à volta de 6,15%, e isto mexe com tudo e todos, melhor, mais para uns do que para outros.
Necessidade fruto de políticos que executaram políticas que ao longo das últimas décadas nos deixaram naquele lugar em que sempre estivemos, a cauda. Apesar de as suas vidas financeiras, também sempre, terem corrido pelo melhor.
Políticos que na pratica são os representantes e funcionários de meia-dúzia de famílias, as quais por sua vez representam interesses de grandes grupos trans-nacionais, sem nacionalidade mas com muito dinheiro que em teoria é obtido de forma legal um pouco por todo o mundo, mas que na pratica é dinheiro retirado das economias, das pessoas através de engenharias financeiras muito complexas.

A soberania portuguesa desde os anos 90, foi vendendo as suas empresas mais lucrativas. As quais, seus capitais, hoje estarem maioritariamente em mãos estrangeiras. Ou seja, os lucros que obtém, via monopólios ou cartéis nos sectores de actividade económica em que operavam em Portugal, são literalmente transferidos para o exterior.
Boas decisões de gestão, como se pode aferir!
Que rica ajuda dariam à feitura dos orçamentos de estado! Já que os seus utentes, hoje clientes, é que pagam os seus serviços e cujos salários já não são pagos pela riqueza produzida no seu país de origem, mas sim, por dívida contraída no exterior, que obviamente almeja por contrapartidas. É uma espiral sem fim e com isso faz-se com que se mantenha, o chamado ufa-ufa diário, o stress do trabalho, a velha história da cenoura à frente do burro, abrindo assim a ideia generalizada da ambição, subir na vida, o ser alguém, mantendo sempre a pressão e fazer as pessoas correrem por algo que não sabem o quê; bens materiais, talvez a venda da ideia de felicidade.

À substituição de pessoas por número de cliente, vamos assistindo à mudança de paradigma.
Os centros de decisão estão a alterar-se de forma profunda, e eles estão onde há dinheiro, principalmente, nos países com mercados internos imensos, que propiciam o agigantamento de conglomerados económicos.

- Como competir com quem tem a capacidade de vender um par de chinelos a 1 euro do outro lado do mundo? E com tudo o que isso implica?

- Como competir com uma fábrica que vende tecnologia da mais avançada, em que os colaboradores/escravos operem de sol-a-sol e por "tuta e meia" de rendimento sem qualquer tipo de exigência, fruto da gigantesca oferta de mão-de-obra?

É o drama e o paradigma, sem uma luz ao fundo do túnel. Porque tudo procura o dinheiro e a satisfação material que dá e o status que permite alcançar.
Por isso, temos milhões de pessoas a trabalharem para alimentarem meia-dúzia, a agradecerem as migalhas "tão merecidas", a terem direito a visitas quinzenais dos seus filhos, fruto da propensão elevada dos divórcios e a tantas horas roubadas do dia, tão só, para pagar os iates, as prostitutas lux, a lagosta e os jaguares dos que extraem o sumo das massas cada vez mais hipnotizadas, por mecanismos pensados à peça.

"O dinheiro é a causa de todos os males." - Maquiavel


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Quanto pior, melhor


Depois da encenação, depois dos jogos políticos, depois dos interesses partidários salvaguardados, confirma-se o que toda gente sabia sobre qual o desfecho da negociação do OE 2011.
Agora é que era fulcral ele passar, agora é que se decidia o futuro do país, pondo o país a suster a respiração, pois era um assunto de vida ou de morte.
Então o que se passou durante décadas de endividamento galopante, decidido pelas duas gestões PS e PSD?
A questão orçamental de hoje, são estes dois partidos políticos a confirmaram a sua total incompetência governativa. Foram eles que nos trouxeram a este ponto e agora, mais uma vez, são os salvadores da pátria, os que defendem o país de males muitos maiores.
Neste momento têm credibilidade zero.
Já em Abril próximo, vencem-se 18 mil milhões de euros da nossa dívida, que têm de ser pagos. Até ao final de 2011 terão de ser pagos mais de 40 mil milhões de euros.
O país já perdeu grande parte da sua soberania e este orçamento é a pensar nos investidores internacionais que nos vão emprestar dinheiro, a preços cada vez mais caros, inversamente proporcional, à cada vez menor credibilidade dos nossos agentes governativos.
Por cá, já muita gente sabia o que eram estes dois partidos, governam a jusante para os seus amigos e patrocinados a montante pela meia-dúzia de famílias que realmente mandam neste país.
Como é possível haver tantos portugueses que ainda não perceberam isto?
Lá fora, os emprestadores de dinheiro que pagam às agências de rating para avaliar o risco de incumprimento das pseudo-soberanias, sabem muito bem com que linhas se cozem.
Quando fecharem a torneira do crédito, entra o FMI. Será o atestado da incompetência formal das últimas sucessivas governações, principalmente a do PS.
Já cá esteve por duas vezes, em finais de 70 e em meados de 80.
Neste momento, já têm uma equipa na Grécia, instalados num hotel de luxo, pedem relatórios incessantemente, questionam tudo o que se gasta, como os financiamentos são concedidos por tranches é velha questão do burro atrás da cenoura.

O cerne da questão portuguesa é o topo, as referidas famílias que exploram milhares de portugueses até ao tutano, comem a fatia de leão da riqueza gerada por muitos e obtém proveitos brutais do erário público através dos políticos que colocam nas zonas chave da governação.
Parece, que até é uma espécie de vingança do 25 de Abril. Época em que se deram muito mal.
Para esta gente quanto pior, melhor.
Quanto mais adormecido o povo, melhor.
Quanto mais confusão social melhor.
Quase ninguém fala deles, ninguém se manifesta em relação a eles, pois eles tudo controlam e sem correr o risco de levar com um tomate. Têm quem ponha a cabeça no cepo por eles e têm muitos mais que fazem os sacrifícios por eles, o povo.
Quanto pior, melhor.

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vivemos tempos fascinantes


Ninguém sabe...
Apesar de e como em todos os momentos haver sempre quem saiba de qualquer e alguma coisa.
Sabe que vai ser assim ou que vai ser assado, independentemente do crédito que se lhe(s) dê, ou que se lhe(s) venha a dar e da assertividade que venham a ter e de quem lhes a dê.
No geral, as pessoas acreditam muito, apenas, porque querem acreditar e porque têm pouco em que acreditar, e antes de mais, porque foram ensinadas de nascença, de que tinham que acreditar em algo. Para serem alguém, têm de acreditar em algo, quando "antes" da casa de partida já eram alguém.

Sem quem lhes indique um rumo, ficam perdidas, alguém tem de lhes apontar um caminho, uma crença, uma ideia... quando no fundo da questão, ou seja e sem atender, à nossa escala colectiva de evolução, ninguém sabe. Dessa forma, tudo isto, é fascinante, este desconhecido.
Por isso é engraçado de ver os que, julgam que sabem e conhecem, mas à lupa, são as cigarras do tempo, os publicitários das novas verdades, os que marram com toda a força na parede, as paredes da realidade.

No vídeo em baixo, onde se ouve Brasil, ouça-se Portugal. Com uma décalage de 20 e poucos anos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

As medidas


Nos dias de hoje, repete-se um termo vezes sem conta, as medidas; há que tomar as medidas, tem de se aplicar as medidas. Medidas que na sua aplicação vão recuperar os países super endividados de obterem mais crédito a um custo mais reduzido e daí voltarem a entrar na senda do desenvolvimento e bem estar geral.
Essas medidas que vão sendo aplicadas um pouco por toda a europa, têm uma filosofia negativa e perversa, são reduções nos salários, cortes significativos nas mais variadas áreas sociais; saúde, educação, emprego, serviços públicos... em suma, é a falência do estado social europeu, porque agora chegou-se à conclusão de que não há dinheiro, há mais gente e as pessoas vivem mais anos. Ora o que realmente salta à vista é que os sucessivos governos, governaram esquecendo-se destas variáveis, não conjugando estas mudanças ao longo do tempo.
Por outro lado, os estados soberanos que tinham a incumbência de fazer e controlar as suas moedas, foram ao longo das últimas décadas perdendo o pé e hoje são reféns das agências de rating (notação do risco financeiro) para se endividarem, quando o seu produto interno não chega para cumprir as suas obrigações como estado. Na última década o recurso ao crédito por parte dos estados soberanos cresceu desmesuradamente, a níveis quase insanos.
O Japão tem uma dívida de 700% em relação ao seu produto, um país caracterizadamente exportador, na Islândia cerca de metade das famílias não têm meios para pagar os seus créditos à habitação e na Irlanda por via de investimentos mal feitos pelos seus dois maiores bancos tem levado o estado a cobrir os prejuízos, atirando o défice irlandês para cima dos 30%. E estes exemplos não param.
Como se chegou a este ponto? Em parte, na assumpção de que o dinheiro era ilimitado.

Com a retirada do tapete do crédito, salta à vista que as governações nunca foram pensadas a longo prazo e sem entrar em teorias de conspiração à escala global, o que de facto parece é que há uma espécie de concertação, uma agenda, de submissão dos estados soberanos. Como se sabe, quem pede emprestado fica sempre numa posição de inferioridade a quem financia.
E quanto mais dificuldades tem um estado, mais se o empurra para baixo, seja no aumento do spread no seu financiamento, bem como, na sua redução. E sempre com o conselho de que há que tomar medidas. É uma espiral negativa.

No caso português, abriram-se centros de saúde para agora os fechar, construíram-se escolas para agora as fechar, construíram-se auto-estradas sem custos para o utilizador para agora serem cobradas. Compramos dois submarinos, temos duas auto-estradas paralelas que ligam as duas principais cidades, temos institutos, observatórios, entidades reguladoras e fundações que nunca mais acabam. Temos uma elevadíssima fuga ao fisco, aliás, um dos casos é de bradar aos céus, em que já é o próprio estado a fugir a si próprio do pagamento fiscal que é devido, quando a PT na venda da sua participação da VIVO, elabora uma engenharia financeira utilizando algumas offshores para não pagar o que lhe era devido na mais-valia obtida.
Com que moral fica o estado português perante uma situação destas?
Temos agora os dois principais partidos portugueses a chamarem-se de irresponsáveis um ao outro, é este o nível de gente que temos a governar os desígnios da nação. Foram estes dois irresponsáveis partidos que nos levaram a esta situação e com a população a pagar bem caro e cada vez mais a sua tremenda irresponsabilidade.

A gravidade da questão, que paira tal como aves agoirentas, é que tudo isto está interligado. A Alemanha com um mercado interno de 60 milhões de habitantes e com uma grande capacidade produtiva instalada começa aos poucos a recuperar, mas os seus bancos são dos maiores credores da Grécia, de Portugal, dos Países de Leste e se estes últimos não pagaram, arrastam os primeiros, não há desenvolvimento que lhe resista.
Com os riscos soberanos cada vez mais altos, os grandes investidores internacionais vão continuar a pressionar os países europeus mais frágeis e daí obterem mais lucros. E para sobreviverem têm que lhes pedir mais crédito, com as agências de rating sempre a aconselhar mais medidas para não lhes aumentarem o spread.

O que na pratica significa, os estados soberanos entregam o dinheiro das populações aos grandes blocos de investidores por via dos impostos arrecadados para depois os grandes investidores os voltarem a emprestar remunerados a taxas quanta mais altas na directa proporção da agonização dos estados soberanos.
Vivemos uma era em que o roubo está legalizado.



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sábado, 25 de setembro de 2010

Portugal, e agora ?


À beira do colapso financeiro e económico, que saída resta a este país?
Descredibilizado, sem energia e com a maior parte da sua população não ter sequer a noção do que se passa e do que se passou.
Actualmente nos noticiarios generalistas do prime-time, as manchetes são; o processo disciplinar de Carlos Queiroz ou a alegada inconfidência da primeira-dama francesa Carla Bruni. As empresas jornalísticas seguem quais os interesses dos target-public e depois é só alimenta-las, compondo as peças de maneira como supostamente o público mais vai gostar de come-las.
Tal como são usadas por via dos seus accionistas, para eleger ou crucificar políticos. Num povo como o nosso, perigosamente manipulável, constatamos o estado a que chegamos. Até a ideia dos pobretes, mas alegretes... foi muito bem construída, também dos desenrascas e do vai-se levando.

Com o afundar a olhos vistos, já de forma indisfarçável, começa a nascer de levezinho a ideia do arco da governabilidade, ou seja, uma espécie de governo de salvação, PS/PSD/CDS, por outras palavras, o suicídio declarado.

Importa perguntar, mas quem é que tem governado o país pós-ditadura Salazar?
Quem é que tem gerido as contribuições coercivas dos portuguesas, vulgo impostos?
Quem tem regulado nas últimas décadas a economia do país?
Quem negociou os fundos da C.E.E.?
Quem é que tomou as decisões de endividamento do país?
Quem é que por via legislativa, através do voto popular iletrado e manipulado, lhes entregou o mandato de melhor servir a coisa pública, com desapego do poder e usa-lo com princípios éticos?

O PS/PSD/CDS, será que estou a inventar? Não será este um facto insofismável?
Então porque é que este país continua a mandatar, os mesmos, que se serviram do poder ingenuamente dado, para servirem os interesses partidários em primeiro lugar e depois, com um bocadinho de sorte, uma coisa abstracta chamada Estado Português.

Estamos à beira de ficarmos à mercê, dos administradores de insolvência dos países incapazes de se gerirem, o F.M.I. - Fundo Monetário Internacional.
Com os portugueses oriundos dos partidos acima descritos não vamos lá, a história recente, mostra-nos claramente que nos levaram, enquanto país, na rota descendente, ao ponto de sermos a chacota da europa. Isto é facto.
Tiveram através da democracia o poder de alavancar o país, não foram mais do que a tirania da maioria.

Por ano, saem do país, portugueses que não vislumbram condições dignas de vida, à razão de 100.000 novos emigrantes por ano.
Os imigrantes estão a ir se embora, os que entram, pouco tempo ficam.
Este é um dos principais indicadores económicos da vitalidade de uma nação e não quantas televisões possui cada família, carros ou frigoríficos. Pois estes últimos são mascarados pelo crédito, e no nosso país, cada vez mais mal-parado.

Chega a ser penoso, a actual troca de galhardetes dos principais partidos políticos portugueses. A discussão em si e se se analisar - não precisa de ser muito profunda - é na prática, inócua, é atirar areia para os olhos dos que comem tudo o que lhes dão.
Os investidores internacionais gananciosos, as agências de rating e eu não acreditam que estes papalvos PS/PSD/CDS recuperam o que quer que seja. Fora os interesses semi-abstractos que representam.

Mas eu, nascido cá, acredito que hajam portugueses, capazes e com competência para recuperar o país.
Custa ver, fazer tanto mal a este Portugal, à mercê de animalzinhos de merda!

Portugal, acorda!
Este país vai precisar de uma fábrica de camisas-de-força, tanta a insanidade...



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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Assim não vamos lá


Com o país a endividar-se a 2.500 milhões de euros à hora, não vamos lá, concerteza. Não interessa quem os apresenta, com que sentido ou interesse. O facto, é que este número é real e é o nosso contínuo desastre.
A entrada na C.E.E. e os fundos que daí vieram, criaram uma mentalidade de subsídio-dependência e de que tudo era fácil, os políticos que os negociaram, esconderam a verdade, a de que haveria custos e contrapartidas que teríamos de vender.
Vieram as auto-estradas, destruímos as pescas.
Vieram as pontes, destruímos a agricultura.
Agora, endivida-mo-nos para importar peixe e produtos agrícolas do exterior.

Nos anos 90, nesta voragem de transformar tudo em dinheiro líquido, os nossos governantes, venderam as empresas públicas mais lucrativas, o dinheiro daí resultante e da má gestão crónica dos sucessivos governos PS e PSD, desapareceu derretido. Nos finais dos anos 90, começamos um endividamento galopante, uma bola de neve imparável.

Dessas empresas públicas lucrativas para o Estado, o que resta hoje, são empresas descaracterizadas, onde a maioria do capital já está em mãos estrangeiras e delas não se conhecem as verdadeiras faces, escondidas atrás de fundos, grupos económicos e agências de investimento. Os quais, como é óbvio, interessa-lhes só e só o lucro, a qualidade e o serviço à população é outra história.
Mas o que interessa a um investidor chinês, saudita ou norte-americano, que o Arnaldo Fonseca é mal atendido num hospital-empresa por um funcionário cansado e explorado, que após a redução de pessoal trabalha por dois, ou que Vila Nova de Baixo tenha um mau serviço de electricidade por não ser rentável a instalação de um sistema eléctrico para meia-dúzia de papalvos.

Nos últimos anos a imoralidade, a falta de ética tem-se agravado a uma velocidade alarmante, traduzida em prémios e bónus, a entrar claramente e com os dois pés na mais completa falta de respeito humano.
Por exemplo, um administrador de uma empresa ganhar um prémio de 3.000.000 de euros, é muito bom, sem dúvida!
Mas para atingir os objectivos que lhe garantiram o prémio, dependeu de uma série de gente que trabalhou na prossecução desses objectivos, ou seja, um sem os outros, não seria nada. Vejamos um funcionário médio de determinada empresa que aufira 30.000 euros por ano, precisaria de 100 anos contínuos de trabalho, para chegar a esse montante dado de uma só vez, ao pseudo-visionário e estratega da gestão. Por outras palavras, considerando que nos tempos actuais, um trabalhador/colaborador/funcionário (conforme a disposição ideológica) labora uma média de 30 e poucos anos, resulta que precisaria de 3 vidas laborais inteiras para auferir tal rendimento, e não é preciso acreditar na reencarnação... é só uma questão de fazer as contas.

Por isso, não se deve apostar num discurso negativista ou derrotista. Para muito boa gente, Portugal é muito bom.
Um exemplo comparativo, o governador do Banco de Portugal, tem um salário superior ao seu congénere norte-americano.
Esta chafarica - Portugal - que num contexto mundial tem a dimensão de uma média-grande cidade em termos populacionais tem rendimentos superiores a países de grande dimensão, tornando este país num dos mais injustos no que toca à distribuição da riqueza criada, mesmo que pouca, ainda se vai fazendo alguma coisa.
É pena, que as elitezinhas lusas, de má formação cívica, de notória falta de ética e cheias de má fé, não tenham aprendido a fazer contas de dividir.
Digo eu, que estão a trabalhar contra elas próprias, mas é só uma opinião minha, o futuro nos dirá...

Por isso, seria uma razão atendível, a demissão de todos estes governantes PS/D, alias, até seria legalmente atendível, a bem da nação.