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domingo, 22 de julho de 2012

Os arautos da transparência


Num texto de Domingos Ferreira, professor e investigador na Universidade do Texas - EUA, onde começa por sinalizar os homens Goldman Sachs em Portugal, nomeadamente, Carlos Moedas, adjunto directo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e do "Ministro das Privatizações", António Borges. De notar que os "Goldman Sachs" estão infiltrados nos governos europeus, bem como, nas suas instituições fulcrais de decisão, como por exemplo, o BCE. Sem dúvida que estamos entregues à bicharada!

Refere Domingos Ferreira no seu texto que " vale a pena lembrar uma vez mais que o Goldman & Sachs, o  Citygroup, o Wells Fargo, etc., apostaram biliões de dólares na implosão da moeda única. Na sequência dos avultadíssimos lucros obtidos durante a crise financeira de 2008 e das suspeitas de manipulação de mercado que recaíam sobre estas entidades, o Senado norte-americano abriu um inquérito que resultou na condenação dos seus gestores."

Afirma também que " ficou demonstrado que o Goldman & Sachs aconselhou os seus clientes a efectuarem investimentos no mercado de derivados num determinado sentido. Todavia, esta entidade realizou apostas em sentido contrário no mesmo mercado. Deste modo, obtiveram lucros de 17 biliões de dólares (com enorme prejuízo para os seus clientes) ".

Enquanto os intelectuais da esquerda europeia filosofam sobre as estrelas e o céu, continuando no texto de Domingos Ferreira - " Estes predadores criminosos, disfarçados de banqueiros e investidores respeitáveis, são jogadores de póquer que jogam com as cartas marcadas e, por esta via, auferem lucros avultadíssimos, tornando-se, assim, nos homens mais ricos e influentes do planeta. Entretanto, todos os dias, são lançadas milhões de pessoas no desemprego e na pobreza em todo o planeta em resultado desta actividade predatória. Tudo isto, revoltantemente, acontece com a cumplicidade de governantes e das entidades reguladoras ".

O crime global em que vivemos, é ainda mais atroz, na directa medida da anestesia global em que os povos sobrevivem  - " Desde a crise financeira de 1929 que o Goldman & Sachs tem estado ligado a todos os escândalos financeiros que envolvem a especulação e manipulação de mercado, com os quais tem sempre obtido lucros monstruosos. Acresce que este banco tem armazenado milhares de toneladas de zinco, alumínio, petróleo, cereais, etc., com o objectivo de provocar a subida dos preços e assim obter lucros astronómicos, Desta maneira, condiciona o crescimento da economia mundial, bem como, condena milhões de pessoas à fome. "
Sem que grande parte da população se aperceba desta monstruosidade e que a maior parte trabalhe contra si própria.
É esta a grande capacidade de toda esta super-estrutura no sequestro de vidas humanas, sem as próprias se aperceberem de esse facto..

No artigo de Domingos Ferreira e muito assertivamente, diz - " No que toca a canibalização económica de um país, a fórmula é simples, com a cumplicidade das agências de rating, declara que um governo está insolvente, como consequência as yields sobem e obrigam assim a pedir mais empréstimos com juros agiotas. Em simultâneo, impõem em nome do aumento da competitividade e da modernização, a abdicar dos seus sectores económicos  estratégicos, tais como; energia, águas, saúde, banca e seguros. "
Entregando de mão beijada às grandes corporações internacionais, o trabalho de todos nas mãos de poucos.

Enquanto, no caso português, as pessoas se queixam nas conversas de café, não entendem que o voto em branco ou abstenção só favorece os partidos da elite, quando o eleitor português vota em protesto contra os políticos do "arco governativo", seja em branco, seja na abstenção ou desenhando uma caralhada no boletim de voto, está a dar um tiro no seu próprio pé. No actual sistema eleitoral, este governo maioritário teve o voto de pouco mais um décimo do eleitorado português.
Na Grécia, o povo quase que acordou, mas foi quase...


Pulicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

sábado, 19 de maio de 2012

Os Donos de Portugal


Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a protecção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza; Mello, Champalimaud e Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae e Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base. No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui. Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves. A estreia televisiva teve lugar na RTP 2 a 25 de Abril de 2012. 

Donos de Portugal é baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louçã e Fernando Rosas, publicado em 2010 pelas Edições Afrontamento e com mais de 12 mil exemplares vendidos.

Num país gerido por meia-dúzia de famílias, nunca tantos trabalharam para tão poucos. É a sina de um povo resignado, conformado e que prefere não pensar muito na realidade que lhe transcende a sua zona de conforto. Obedecer, não levantar ondas e garantir a sua migalha, como se fosse uma dádiva de Deus...

quarta-feira, 28 de março de 2012

A servidão moderna


Meu optimismo está baseado na certeza que esta civilização vai desmoronar.
Meu pessimismo em tudo aquilo que ela faz para arrastar-nos em sua queda.

Num mundo já condenado, tal como se perspectiva, em que a violência das águas irrompem pelas margens, sem que ninguém consiga calcular todos os imponderáveis, que daí possam advir.

Num mundo, onde já dominado por uma cultura dominante, um sistema, ou outro nome aberrante que tenha, já conseguiu envenenar todo o espectro "modus vivendis" das pessoas, as mesmas que alimentam todo esse sistema, pensado e coordenado, por uma minoria, que pensa todos os dias, a melhor forma, de manipular e manter sociedades cataplécticas, criando padrões holo-pensénicos.

Seja na política, religião ou desportos super-mediatizados, como o futebol industrial, tal como nas pseudo-artes, no gigantesco investimento nas chamadas "celebridades", que se vendem como modelos e representativas do sucesso e da felicidade, quando ao mesmo tempo, no lado obscuro da realidade, essas representações mediáticas de modelos para milhões, se tentam suicidar, morrem enfrascados de fármacos ( medicina mercantil ), sós e abandonados em suas mansões made in Beverly Hills.

A pessoa não tomando consciência de si, perdida neste mundo, num imenso universo, acaba tomada pelo medo, tomar partido, religião ou outro tipo de associação que a faça sentir parte de algo.
Fugindo, tal como uma criança que se perde dos Pais, evitando o pânico da rejeição e da desorientação consequente da sensação de estar perdido, a pessoa em geral, procura sofregamente, pertencer a algo, dessa forma, sente-se protegida a factores agressivos e contrários a um dos principais factores das prioridades do ser humano. A segurança, primeiro anti-vírus, ao medo em sentido lato.

Que época terrível esta, onde idiotas dirigem cegos.
William Shakespeare
A questão do pseudo-verde ou o fervor ambientalista, uma enorme fraude para entupir os olhos das pessoas que separam religiosamente o lixo; plásticos, vidros, pilhas e em geral, na verdade tudo misturado resulta numa enorme geraldina.
Na verdade, tudo continua na mesma, enquanto governos, corporações e multinacionais, investem fortemente na ideia verde, para de facto, manter tudo quase no mesmo, na produção efectiva de poluição que envenena de facto o ambiente deste planeta, que faz ao mesmo tempo, com marketing forte, normalmente casais saudáveis, céu azul e casa na pradaria.
As pessoas compram imagens emocionais primeiro, e em seguida, o produto material.

 À primeira vista, a mercadoria parece uma coisa simples, trivial, evidente, porém, analisando-a, vê-se complicada, dotada de subtilezas metafísicas e discussões teológicas.
Karl Marx, o Capital
Nessa linha, quase que se pode dizer, que a democracia em que a maioria acredita ou crê, como sublime e máximo de justiça política, na verdade, é tão ou mais fraudulenta que os regimes fascistas e em tempos muitos idos, feudalistas.
A ilusão da escolha, crendo as populações democráticas a ideia de que têm voz na matéria, uma espécie de Coca-Cola e Pepsi, na realidade o mesmo dono.

A opressão se moderniza estendendo-se por todas as partes, as formas de mistificação que permitem ocultar nossa condição de escravos.
Mostrar a realidade tal qual é na verdade e não tal, como mostra o poder constitui a mais autêntica subversão.
O documentário que se segue - imperdível - foi realizado em 2009, imagine-se pela a assertividade, de Jean-François Brient - De la Servitude Moderne.

Numa época, como qualquer outrora vivida por quase todos nós, cheios de si, julgando-se muito inteligentes, intelectuais e sabedores de si mesmos, quando na verdade, esta humanidade vive na infância negra de si... Pensando alguns, na sua inocência, serem, os Iluminados...


domingo, 17 de abril de 2011

Os gatos e os ratos


Nas últimas décadas; Portugal foi governado por dois partidos políticos, o Partido Socialista e o Partido Social Democrata, doravante designados por PS/D. Estes dois partidos que se conseguiram enraizar na sociedade portuguesa, conseguiram partir o país de maneira gravosa e deixando-o num estado quase comatoso. Os portugueses que beneficiam destes dois partidos, seja nas empresas públicas ou nas autarquias locais, continuam a votar e a influenciar em todas os seus círculos sociais, para que se mantenha este status quo, são milhares... Por via dos ordenados que auferem, que nada têm a ver com a realidade económica e financeira do país, a crise passa-lhes ao lado.
Continuam a entupir o Allgarve, as zonas costeiras do Brasil onde as agências de viagens canalizam toda esta borregada, principalmente Pipa e Porto Galinhas, Cabo Verde, Cancun e Rep. Dominicana, fechados nos resorts, esmagados pelos buffets e bebidas tropicais, onde podem tirar muitas fotografias para o Facebook.

Aos jovens que são iludidos por cursos universitários, que mais não que servem para compensar as tesourarias das faculdades, aos quais compram os suplementos das licenciaturas, os mestrados que muitos deles diga-se em boa verdade, não servem para quase nada.
Pergunta o jovem licenciado em Direito - Onde está o meu gabinete?
Universidades e Politécnicos na Guarda e na Covilhã, mas a realidade dura e crua, é que não há tecido empresarial que absorva todas estas fornadas que saem prontas, tal como, carne para canhão.
O empresariado português, tal como, o resto da população subsídio-dependente, não se habituou a lutar, a procurar suas armas, fica-se pelos direitos, sem ter a percepção que o dinheiro ou as verbas são finitas.
Os governos maioritários de Cavaco, que recebeu fundos da C.E.E. para tudo e alguma coisa, além de serem muito mal geridos, isto na óptica do interesse do país, habituaram mal, parte da economia portuguesa, enquanto o português profissional dos expedientes, encheu os bolsos à conta desses capitais que na sua génese tinham outros fins.

Agora choram o FMI, sem saberem muito bem o que é o FMI. Esta instituição vai ganhar bom dinheiro à custa das incompetentes governâncias portuguesas realizadas pelo o PS/D, os juros são mais baixos, mas o lucro que vamos pagar é bom. É a terceira vez que vêm cá e é preciso explicar, que são os nossos governos que o chamam e contratualizam.
Ainda há poucos meses, Sócrates dizia que a execução orçamental tinha superado as expectativas, mas logo a seguir, apresentou um PEC IV, para corrigir os objectivos orçamentais.
O próprio se contradiz, é mentiroso e interprete de gestão danosa, punível segundo as leis da república portuguesa. Essa com o nome na lama, sem credibilidade externa, com risco elevado de incumprimento e sem honra.

Vêm agora, alguns países do norte da europa, questionar a ajuda financeira a Portugal. Constatam que os gregos fizeram uns Jogos Olímpicos, com investimentos brutais, os portugueses fizeram estádios novos para ganhar pó, compraram submarinos para caçar piratas e os irlandeses por via dos incompetentes gestores bancários comprometeram o país. Não é de somenos importância, que quem cuida das suas finanças públicas com zelo, regras e ética, questione por que há-de emprestar a indigentes crónicos.

Empresas públicas portuguesas com dívidas de milhões, por exemplo, a CP ou o Metro de Lisboa, com administrações ricamente pagas, com hierarquias intermédias, pululadas por um número quase infinito de engenheiradas, com tudo pago, telemóveis e carros de serviço e depois a culpa é dos maquinistas.

Portugal está virado do avesso, onde há muita boa gente que ganha muito bem, não se sabe se têm a consciência da enorme falta de vergonha que têm na cara.
As asneiras, nada têm a ver com boa educação, nem todos estudaram em colégio anglais, tem a ver com a real percepção da actualidade.
E pelo que vemos, isto está do caralho! Somos governados por coninhas da merda, que vendem os nossos parcos recursos a investidores internacionais que se estão a cagar para a população portuguesa.
Os nossos governantes, com capacidade de decisão, não são mais do que uns filhas da puta do caralho, anti-patriotas da merda que vendem o futuro do país a prestações.

Esta é a realidade...

O vídeo em baixo é uma metáfora de Tommy Douglas, pai do sistema de saúde do Canadá. Canadá e Noruega que disputam entre si há alguns anos, o lugar cimeiro do índice de desenvolvimento humano.

O que é que nos está a escapar?



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Viva a República das Bananas


Afirmação da liberdade de expressão (mais ou menos) na intervenção dos Homens da Luta, hoje em Lisboa, na Praça do Município, no Centenário da Implantação da República.
Os discursos das mais altas instâncias do regime - quais calculistas políticos do curto-prazo - e dentro do expectável a que a efeméride obriga, foram mais do mesmo. Sem esperança, sem sonho e vazio de objectivos. Próximo de zero, quais coveiros circunstanciais.
Este regime, já não é regime de nada... A nossa soberania, é antes de mais, apenas uma figura de estilo, para cadernos escolares numa educação tendencialmente, não universal e não gratuita. Essa é uma das nossas desgraças!
Do regime da Causa Pública, a Rés-Pública, que à 100 anos eclodiu, o que hoje se apresenta como facto continuado, é que não tivemos portugueses à altura, na maioria que supostamente deveriam servir essa coisa transcendental que era a coisa pública, mas sim, serviram-se dela e serviram interesses obscuros, contrários à comunidade analfabeta e iletrada que através do voto lhes fizeram acreditar que tinham os destinos da nação na mão. Através da democracia, o povo cuspiu na sopa que come, e indelevelmente cómico-trágico, sem se aperceber muito bem do que fez.
Sem esquecer o que era vida portuguesa há 100 anos atràs, a vida rural em contraste com a crescente vida urbana, o papel da igreja na época, os novos valores da laicicidade que despontavam e fundamentalmente dois factos históricos incontornáveis, a 1ª Guerra Mundial e o milagre de Fátima. Um autêntico caldo de acontecimentos...

Tal como dizem os Homens da Luta - E o povo, pá!

Viva a República das Bananas!

sábado, 25 de setembro de 2010

Portugal, e agora ?


À beira do colapso financeiro e económico, que saída resta a este país?
Descredibilizado, sem energia e com a maior parte da sua população não ter sequer a noção do que se passa e do que se passou.
Actualmente nos noticiarios generalistas do prime-time, as manchetes são; o processo disciplinar de Carlos Queiroz ou a alegada inconfidência da primeira-dama francesa Carla Bruni. As empresas jornalísticas seguem quais os interesses dos target-public e depois é só alimenta-las, compondo as peças de maneira como supostamente o público mais vai gostar de come-las.
Tal como são usadas por via dos seus accionistas, para eleger ou crucificar políticos. Num povo como o nosso, perigosamente manipulável, constatamos o estado a que chegamos. Até a ideia dos pobretes, mas alegretes... foi muito bem construída, também dos desenrascas e do vai-se levando.

Com o afundar a olhos vistos, já de forma indisfarçável, começa a nascer de levezinho a ideia do arco da governabilidade, ou seja, uma espécie de governo de salvação, PS/PSD/CDS, por outras palavras, o suicídio declarado.

Importa perguntar, mas quem é que tem governado o país pós-ditadura Salazar?
Quem é que tem gerido as contribuições coercivas dos portuguesas, vulgo impostos?
Quem tem regulado nas últimas décadas a economia do país?
Quem negociou os fundos da C.E.E.?
Quem é que tomou as decisões de endividamento do país?
Quem é que por via legislativa, através do voto popular iletrado e manipulado, lhes entregou o mandato de melhor servir a coisa pública, com desapego do poder e usa-lo com princípios éticos?

O PS/PSD/CDS, será que estou a inventar? Não será este um facto insofismável?
Então porque é que este país continua a mandatar, os mesmos, que se serviram do poder ingenuamente dado, para servirem os interesses partidários em primeiro lugar e depois, com um bocadinho de sorte, uma coisa abstracta chamada Estado Português.

Estamos à beira de ficarmos à mercê, dos administradores de insolvência dos países incapazes de se gerirem, o F.M.I. - Fundo Monetário Internacional.
Com os portugueses oriundos dos partidos acima descritos não vamos lá, a história recente, mostra-nos claramente que nos levaram, enquanto país, na rota descendente, ao ponto de sermos a chacota da europa. Isto é facto.
Tiveram através da democracia o poder de alavancar o país, não foram mais do que a tirania da maioria.

Por ano, saem do país, portugueses que não vislumbram condições dignas de vida, à razão de 100.000 novos emigrantes por ano.
Os imigrantes estão a ir se embora, os que entram, pouco tempo ficam.
Este é um dos principais indicadores económicos da vitalidade de uma nação e não quantas televisões possui cada família, carros ou frigoríficos. Pois estes últimos são mascarados pelo crédito, e no nosso país, cada vez mais mal-parado.

Chega a ser penoso, a actual troca de galhardetes dos principais partidos políticos portugueses. A discussão em si e se se analisar - não precisa de ser muito profunda - é na prática, inócua, é atirar areia para os olhos dos que comem tudo o que lhes dão.
Os investidores internacionais gananciosos, as agências de rating e eu não acreditam que estes papalvos PS/PSD/CDS recuperam o que quer que seja. Fora os interesses semi-abstractos que representam.

Mas eu, nascido cá, acredito que hajam portugueses, capazes e com competência para recuperar o país.
Custa ver, fazer tanto mal a este Portugal, à mercê de animalzinhos de merda!

Portugal, acorda!
Este país vai precisar de uma fábrica de camisas-de-força, tanta a insanidade...



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Imparidades


"... os portugueses comuns (os que têm trabalho) ganham cerca de metade (55%) do que se ganha na zona euro ...".

Mas os nossos gestores recebem, em média:

- mais 32% do que os americanos

- mais 22,5% do que os franceses

- mais 55 % do que os finlandeses

- mais 56,5% do que os suecos

(dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/09)

E são estas "inteligências" (?) que chamam a nossa atenção: "os portugueses gastam acima das suas possibilidades".

Estes números são adaptados de um mail que anda a correr pela Internet. Podem ser discutidos, mais um ou menos um por cento.
A verdade factual é que é, a real, a crise em que vivemos é de uma profundidade complexa e supra-nacional, mas uma coisa é certa, Portugal nas últimas três décadas deu azo a tal.
Calhou-nos a pior estirpe e medíocre classe política, sempre com o discurso de apertar o cinto, para um futuro mais risonho. O facto é que a nação está cada vez pior, os números não mentem.
Portugal agoniza, a república não vai conseguir pagar a sua dívida e está em modo de sobrevivência.
O povo português tem a sua grande quota parte de responsabilidade, através do voto, foi ele quem escolheu os seus líderes.
Os votos de condolências ...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Os Cultos


O Culto de mão dada com a Religião pode-se caracterizar da seguinte forma: um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que parte da humanidade considera como; sobrenatural, divino, sagrado e transcendental.
Desde as religiões seculares até às novas e evangélicas, poderemos incluir os líderes políticos. Através dos seus seguidores pode-se determinar que as mesmas zonas cerebrais são activadas.
No campo psicológico temos o suspend the disbelief e o auto-convencimento. Na parte pessoal o carisma e a suposta capacidade de apresentação como modelo que trilha o caminho.
As incongruências são diminuídas ao limite e as virtudes extrapoladas até à insanidade.

Em Portugal actual, vive-se um desses cultos, o apelidado pelos seus boys e adoradores, o Chefe. Já não se discute política, mas sim, o lado emocional de um chefe. Mesmo perante todas as evidências de fraude académica e profissional, os seguidores buscam energias para tapar o Sol com a peneira.
Na área psico-somática estaremos mais perto da religião do que na política. Sendo que as duas confundem-se e suas fronteiras serem muito ténues.
Se um desses chefes cair, outros vinte se perfilham.

Estes cultos sempre ocorreram, ocorrem e ocorrerão.
Estes líderes espirituais servem para isso mesmo. Absorver toda a tensão, todos os esbracejos de injustiça, as indignações e tudo o que por aí advier.

Chamemos de super-capitalismo, de super-estrutura aqueles que de facto vão orientando os destinos do planeta, pelo simples facto, de terem o poder de criar o dinheiro e de o largarem a quem siga as suas linhas orientadoras.
Em finais do séc. XIX e inícios do séc. XX, grandes industriais norte-americanos se referiam a este poder sufocante. Capitalistas e industriais de então subjugados a uma super-estrutura que tentavam definir.
Do que se conhece, sabe-se que utilizam o crédito financeiro supra-nacional para controlar empresas e nações.
A confidências conhecidas por estes senhores, e numa síntese muita redutora, uma das suas filosofias - " Dêem-lhes as ideias de direita e esquerda para se morderem uns aos outros".
O conceito de direita e esquerda, que vem da Revolução Francesa e dependeu de uns sentarem-se de um lado e outros do outro. Os jacobinos e os girondinos. Daí até cá o conceito complexizou-se de sobremaneira.
Tal como numa época em que a religião detinha grande vigor, apareceram os primeiros indivíduos, numa tentativa, de organizar novas ideias, novas relações sociais, principalmente, fruto de grandes fluxos de tesouraria, e de todas as relações filhas de novos tempos que se viviam, tanto económico, social e religioso. Consequentemente, um fenómeno novo que resultava, as grandes cidades industriais.
Dessa toda nova panóplia de novas relações que borbulhavam aparecem nomes como Emile Durkheim, Karl Marx, Ernst Troeltsch, Max Weber, Peter Berger. Até certo ponto e nesta altura pode-se dizer que socializaram a religião.

Em suma, atirar os ovos ao líder local de momento, pode ter a sua graça, mas, no concreto não muda nada.
Repare o brutal ataque especulativo de 14 e 15 de Janeiro deste ano contra Espanha e Portugal. Fez disparar o spread das obrigações do tesouro espanhol e português. Na realidade esta é uma das notícias mais substanciais para os dois países apesar de passarem a uma ilharga muito extensa de notícias acerca do jet-set e jogadores de futebol. O pior cego é aquele que não vê.
Os bancos nacionais, logo a seguir, posicionaram as suas políticas de crédito no curto-médio prazo. A diferença reside na contratação ou não de mais pessoal, no investimento adiado, no adiamento do pagamento ao fornecedor e no final na sobrevivência do negócio. E isto faz toda a diferença.

A realidade é esta, o poder dos governos locais dos países mediterrânicos é apenas circunstancial. A Grécia, a Itália, Portugal e Espanha definham a olhos vistos.
Os denominados PIGS pelos jovenzinhos que fazem cálculos em folhas de Excel e atribuem notações de risco de crédito. P-portugal, I-itália, G-greece, S-spain.
Aparece a Alemanha, a segurar a Grécia o primeiro local a entrar no descalabro. Sem esquecer, que neste mundo ninguém dá nada a ninguém. E que se à volta da Alemanha não houver quem lhe compre os produtos lá produzidos, de nada serve o valor que eles oferecem.

Mas a somar à complexidade da globalização, junte-se a entrada de duas mega-economias, a Índia e a China, que têm regimes semi-democráticos e fecham os olhos às condições de trabalho. Pelas suas imensas populações e gigantesca oferta de mão-de-obra nas suas unidades produtivas não iremos encontrar filtros de ar, horários de trabalho calendarizados, condições sanitárias humanas, mas sim, trabalho de sol-a-sol, camaratas diminutas e partilhadas entre adultos e crianças, trabalho desumano, indústrias tóxicas sem qualquer regulação. Dessa produção gigantesca e após os acordos da OMC, asfixia muitas outras que não conseguem concorrer aos mesmos preços.
Poderá-se dizer que o mundo é injusto e para todas as partes.

Quanto ao caso português, apesar da pouca margem de manobra, não significa o mesmo, a desresponsabilização da actuação. Pois por o povo ser ignorante, fruto de políticas educacionais, propositadamente para o manter assim, amorfo. A elitezinha tuga não deixa de estar isenta de responsabilidades.
A primeira, o contínuo esticar do diferencial entre os mais ricos e os mais pobres. O que seria intolerável socialmente nos países do norte da europa, aqui promove-se o aciganamento da populaça.
Vergonhas anti-éticas, são o mote, aliás , o regabofe. Que começou nos governos de meados dos anos 80 até agora.
Caso sintomático, um pujé membro de uma juventude de um partido político é nomeado para uma grande empresa portuguesa de influência pública. Auferindo 2.500.000 Euros por ano, que após descoberta a careca demite-se, e ainda leva com uma indemnização capaz de elevar os conceitos da pornografia vigentes.

Qual é o seu culto? Ou está livre de pensamento?
O que poderemos entender por liberdade de expressão, seja em Washington ou em Havana?
E a liberdade de imprensa?



A verdadeira arte de combate, não é acreditar em Deus, Bhuda ou Maomé, é matar pela sobrevivência.
É a nossa sina, ao mesmo tempo a esperança, de sobrevivência...

Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!