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sábado, 19 de maio de 2012

Os Donos de Portugal


Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a protecção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza; Mello, Champalimaud e Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae e Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base. No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui. Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves. A estreia televisiva teve lugar na RTP 2 a 25 de Abril de 2012. 

Donos de Portugal é baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louçã e Fernando Rosas, publicado em 2010 pelas Edições Afrontamento e com mais de 12 mil exemplares vendidos.

Num país gerido por meia-dúzia de famílias, nunca tantos trabalharam para tão poucos. É a sina de um povo resignado, conformado e que prefere não pensar muito na realidade que lhe transcende a sua zona de conforto. Obedecer, não levantar ondas e garantir a sua migalha, como se fosse uma dádiva de Deus...

quarta-feira, 28 de março de 2012

A servidão moderna


Meu optimismo está baseado na certeza que esta civilização vai desmoronar.
Meu pessimismo em tudo aquilo que ela faz para arrastar-nos em sua queda.

Num mundo já condenado, tal como se perspectiva, em que a violência das águas irrompem pelas margens, sem que ninguém consiga calcular todos os imponderáveis, que daí possam advir.

Num mundo, onde já dominado por uma cultura dominante, um sistema, ou outro nome aberrante que tenha, já conseguiu envenenar todo o espectro "modus vivendis" das pessoas, as mesmas que alimentam todo esse sistema, pensado e coordenado, por uma minoria, que pensa todos os dias, a melhor forma, de manipular e manter sociedades cataplécticas, criando padrões holo-pensénicos.

Seja na política, religião ou desportos super-mediatizados, como o futebol industrial, tal como nas pseudo-artes, no gigantesco investimento nas chamadas "celebridades", que se vendem como modelos e representativas do sucesso e da felicidade, quando ao mesmo tempo, no lado obscuro da realidade, essas representações mediáticas de modelos para milhões, se tentam suicidar, morrem enfrascados de fármacos ( medicina mercantil ), sós e abandonados em suas mansões made in Beverly Hills.

A pessoa não tomando consciência de si, perdida neste mundo, num imenso universo, acaba tomada pelo medo, tomar partido, religião ou outro tipo de associação que a faça sentir parte de algo.
Fugindo, tal como uma criança que se perde dos Pais, evitando o pânico da rejeição e da desorientação consequente da sensação de estar perdido, a pessoa em geral, procura sofregamente, pertencer a algo, dessa forma, sente-se protegida a factores agressivos e contrários a um dos principais factores das prioridades do ser humano. A segurança, primeiro anti-vírus, ao medo em sentido lato.

Que época terrível esta, onde idiotas dirigem cegos.
William Shakespeare
A questão do pseudo-verde ou o fervor ambientalista, uma enorme fraude para entupir os olhos das pessoas que separam religiosamente o lixo; plásticos, vidros, pilhas e em geral, na verdade tudo misturado resulta numa enorme geraldina.
Na verdade, tudo continua na mesma, enquanto governos, corporações e multinacionais, investem fortemente na ideia verde, para de facto, manter tudo quase no mesmo, na produção efectiva de poluição que envenena de facto o ambiente deste planeta, que faz ao mesmo tempo, com marketing forte, normalmente casais saudáveis, céu azul e casa na pradaria.
As pessoas compram imagens emocionais primeiro, e em seguida, o produto material.

 À primeira vista, a mercadoria parece uma coisa simples, trivial, evidente, porém, analisando-a, vê-se complicada, dotada de subtilezas metafísicas e discussões teológicas.
Karl Marx, o Capital
Nessa linha, quase que se pode dizer, que a democracia em que a maioria acredita ou crê, como sublime e máximo de justiça política, na verdade, é tão ou mais fraudulenta que os regimes fascistas e em tempos muitos idos, feudalistas.
A ilusão da escolha, crendo as populações democráticas a ideia de que têm voz na matéria, uma espécie de Coca-Cola e Pepsi, na realidade o mesmo dono.

A opressão se moderniza estendendo-se por todas as partes, as formas de mistificação que permitem ocultar nossa condição de escravos.
Mostrar a realidade tal qual é na verdade e não tal, como mostra o poder constitui a mais autêntica subversão.
O documentário que se segue - imperdível - foi realizado em 2009, imagine-se pela a assertividade, de Jean-François Brient - De la Servitude Moderne.

Numa época, como qualquer outrora vivida por quase todos nós, cheios de si, julgando-se muito inteligentes, intelectuais e sabedores de si mesmos, quando na verdade, esta humanidade vive na infância negra de si... Pensando alguns, na sua inocência, serem, os Iluminados...


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Visita papal e as cargas policiais


No passado fim-de-semana o papa Bento XVI visitou Madrid - Espanha para as jornadas da juventude. Nas quais acorreram cerca de um milhão de jovens de todo o mundo.
Ao mesmo tempo, nas principais ruas e praças de Madrid, algumas centenas e por vezes milhares, manifestavam-se, não propriamente contra a religião, mas sim, contra o "Gobierno de España", que tal como outros estados europeus, cortam na saúde, na educação, nas despesas sociais, mas que não se coibiu de abrir os cordões à bolsa, no relativo à organização da visita papal.

Nesses gastos, esteve uma equipa da polícia de intervenção espanhola destacada para esta missão, mais do que um comportamento vergonhoso, teve laivos de fascismo. Reprimiu violentamente, cidadãos que manifestavam o seu ser laico, que aliás, está inscrito na constituição espanhola.
Esta equipa que muito provavelmente andava a ser preparada há algum tempo, parece que além de ter levado com uma enorme lavagem cerebral acerca dos "maus da fita", notoriamente teve ordens superiores para actuar de uma forma completamente desproporcional e injustificada. Chegou ao ponto dos próprios manifestantes, tentarem acalmar um nervosismo policial esquizofrénico, até parecia que estavam sob efeito de substâncias proibidas.
O ministério do interior vai abrir um inquérito para averiguar tão injustificada forma de actuação, o que, em boa verdade significa quase zero.

Na verdade, o Vaticano, mais do que a sede de uma instituição religiosa, é uma enorme corporação global, que ao longo dos séculos foi conseguindo manobrar e manipular os mistérios da fé.
Noutros tempos pela força, nas fogueiras da Santa Inquisição que derreteram muitos seres humanos e nas expropriações coercivas de bens e inúmeros tesouros, num tempo em que espalharam o medo e o terror pela europa e afins, durante séculos.
Todos aqueles jovens, cheios de boa vontade e esperança, tal como gente em todo o mundo acorre a eventos similares de coração aberto, não vendo ou não querendo ver a realidade podre, que é o Vaticano. De salientar, que nestas jornadas deu-se um ênfase especial na obediência na doutrina da igreja.
Em 2009, salta para as livrarias uma obra única do jornalista Gianluigi Nuzzi, consubstanciado com os os relatos de Monsenhor Renato Dardozzi em final de sua vida. O livro "Vaticano S.A." praticamente já desapareceu das livrarias, não por ser um best-seller, mas fruto de compras maciças de livros incómodos por parte da entidade-alvo.
Outro livro muito interessante, é a obra de Saramago "Caim", que no seu âmago traz a enorme contradição, que é a questão do Caim bíblico.

Como em todas as religiões, nos diversos pontos do planeta, que se adaptam às características culturais do meio em que estão inseridas.
Porque existem variadíssimas situações que a ciência humana ainda desconhece, a religião colmata e manipula conforme o seu interesse, esse desconhecido. Seja o medo do escuro, coisas estranhas, comportamentos humanos incoerentes que mostram os limites da psicologia, doenças e curas medicamente inexplicáveis e principalmente o sentir íntimo de cada pessoa, que só cada um sabe o seu, porque cada um é único.




terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Irreal, mas real


Surpreendentemente, ou não, somos confrontados com uma notícia que num contexto temporal, por aí algures, antes de 25 de Abril de 1974, era uma norma comportamental de um estado fascista vigorativo, como norma social imposta.
Hoje já em pleno Séc. XXI, parece que neste País ainda existem resquícios de pessoas inconscientes que se julgam capazes, de determinarem pensamentos ou formas de expressão. Não é por acaso que Portugal como nação, civilizacionalmente "ainda" é um dos mais atrasados, como em variados indicadores de desenvolvimento humano.
Esta segunda-feira de manhã, o nosso colega e camarada Sensei, foi confrontado com um mandado de busca e apreensão de material informático por parte da Polícia Judiciária em seu domicílio, devido a um post publicado no seu blog no verão de 2008 relativo à governadora civil de Setúbal - Eurídice Maria de Sousa Pereira. Militante do PS - Partido Socialista, partido responsável por vários governos entremeados com o PSD, nos últimos 30 e poucos anos.

Governos esses rodízios da desgraça nacional lusa. Conseguiram paulatinamente, o feito de deixar o País sempre na cauda da Europa, nos vários índices de desenvolvimento. Mesmo com a entrada de países mais pobres na UE, facilmente somos ultrapassados em toda a linha.
Portugal, o País em grande destaque na corrupção, só deixando o primeiro lugar à clássica Itália.
O País com as maiores desigualdades na distribuição de riqueza, permitida passivamente, por um povo amorfo, hipnotizado, iliterato e semi-analfabeto. Um povo que corre atrás das migalhas que lhes são atiradas sob forma de subsídios de qualquer espécie.
Por outro lado, as empresas, com gestores de vistas curtas e pouca capacidade organizativa e de gestão de senso-comum, vivem da mama do Estado e da exploração do trabalhador aflito por um salário que lhe ponha o pão na mesa da cozinha. Fora das nossas fronteiras, as nossas pouco talentosas empresas são cilindradas por todo um mundo que não pára.
Endividaram a República roçando a ética criminosa, deixando-nos um futuro à beira da falência financeira. As agências de rating avaliam-nos friamente.

A crise é geral, ou global como é moda chamar-lhe, mas em Portugal, sempre vivemos em crise.
A nossa classe política não presta, é um facto consumado. Ainda por cima tenta calar quem lhe contesta.
Tenho que lembrar, que ninguém está acima da critica. E quem tente subverter esta lei, um dia, mais cedo ou mais tarde, sofrerá as consequências.

Existem outros altos patrocínios...



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Silvio Berlusconi




Silvio Berlusconi, actual primeiro-ministro de Itália, é um homem que atrai polémicas. As linhas mestras de governação podem-se entender sob um misto de fascismo-democrático-mafioso.
Com oportuníssimas coligações, consegue ser eleito por três vezes líder do governo.
Como é que o povo italiano embarca em tal situação?
Um certo jeito de playboy sempre vende, a par de ser o dono de praticamente dos media italianos, bem como de um dos clubes de futebol mais populares do mundo, o A.C. Milan.
No vídeo em cima, uma simulação de uma enrabadela a uma polícia que multava um carro mal estacionado. Este vídeo correu mundo.
Além de ser muito vaidoso, na sociedade em que vivemos e ao contrário do que as pessoas pensam, este tipo de atitudes ganham mais votos do que os que se perdem. Não esquecendo que a sociedade italiana é muito machista e cultiva a imagem do garanhão, neste caso o garanhão italiano.



Neste desenho animado, o garanhão viagra, sempre são 73 anos, acossa o colega Sarkozy - Olha as gajas que eu papo na minha mansão! Que belíssima ...! Que putanas ...!
Sarkozy, com aquele ar de malandrete, não engana. Gosta pouco, gosta!
Quem é que não gosta? Ai está o marketing político a cultivar uma imagem.

Só que na conjectura em que vivemos e neste estilo de governação, os atritos vão se acumulando. E neste último domingo à noite, em Milão à saída de um comício do seu partido enquanto distribuía autógrafos, um fulano no meio da multidão atira-lhe com um objecto metálico na face.



Apraz registar que neste tipo de ocorrências, o infractor, por coincidência é quase sempre alguém com perturbações psicológicas.
Premeditado ou não, certo é que é muito estranho num domingo à noite um italiano possuir uma estatueta metálica turística da cidade de Milão para atirar à cara do seu representante.
Foi serviço pago ou espontâneo?
Se é deficiente, será inimputável. Nem precisou de ser pago, apenas convencido. Estes são mais perigosos.
A violência é sempre lamentável. Costumo dizer, que onde acaba a inteligência começa a violência.

Não esquecer que na Itália, principalmente no norte industrializado, começam a nascer novos movimentos fascistas. A nível local já têm forte presença.
Com forte pressão migratória albanesa e com inúmeros acampamentos de ciganos romenos nos arredores das grandes cidades, deixam todo um campo aberto a extremos ideológicos e sociais.