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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Acordo grego


A Grécia prepara-se para ultimar mais um acordo de austeridade com a troika, para garantir o pagamento aos credores - públicos e privados - o reembolso com lucro dos investimentos efectuados, mascarados de "ajuda" para colocar as contas públicas em ordem e lançar a economia na senda do crescimento e emprego. A realidade prova que esta linha de argumentação é falsa, mentirosa e venenosa.
Os planos de austeridade, também chamados de ajustamento ou na sua forma mais light "ajuda ou assistência financeira", não são mais do que em linhas gerais, destruir - chamam-lhe desalavancar - a economia, diminuir à força o rendimento das populações utilizando os salários e os impostos como ferramentas principais, para que com esse diferencial, entreguem aos credores internacionais em prestações contratualizadas e com lucros acima da média, devido ao elevado risco de incumprimento, manipulado por agências de rating com accionistas nebulosos e misteriosos.
Não pagando ou negociando um perdão de dívidas, quebra-se a corrente sanguínea, gerando perdas assinaláveis a muitas entidades um pouco por todo o mundo, algumas aceitam a política de pelo menos receber alguma coisa, do que não receber nada.

Com este segundo plano de ajustamento de 130 mil milhões de euros, não se vai ajustar nada, antes pelo contrário, adiar por mais uns meses, a evidente bancarrota que se desmultiplicará na zona euro.
Os planos de austeridade implementados aos países europeus, estão na sua base conceptual errados, contrariamente, ao que a propaganda do mainstream prolifera nos meios de comunicação social. Os discursos dos líderes europeus são na sua raíz incoerentes, quando defendem que estes programas são para o crescimento e emprego, quando ao mesmo tempo se assiste a mais desemprego e à destruição gradual e de forma acelerada, principalmente nos países intervencionados.
Quem é que ainda não percebeu isto?

Seja um particular, seja uma empresa ou uma nação, que esteja excessivamente endividada, por vários factores de ordem, não é evidentemente, endividar ainda mais com prazos curtos, ao mesmo tempo que de forma abrupta lhes cortem as pernas ou até as "asas".
No fundo obscuro dos planos de austeridade que assistimos em catadupa, em que um sucede a mais outro, naquela linha de que, agora é que é, desta é que vai ser, lembrando a cenoura à frente do burro, o mais infinito.
Os rostos escondidos e verdadeiros orientadores destes planos de austeridade, não querem, por evidência dos factos, o desenvolvimento das nações, mas sim, estranhas estratégias complexas, onde grupos/sociedades secretas, semi e públicas lutam pelo "obter mais o que seja", algumas destas batalhas já são seculares, todas elas objectivam retirar parte do rendimento de populações inteiras e entranhando de forma gradual natural o trabalho escravo, ao mesmo tempo que com propaganda massiva consigam fazer com que as pessoas se conformem, se sintam culpadas, como também injectam sub-liminarmente, o cultivo do ego e da fama, do consumo, a sensação de posse, em suma atarantar as pessoas, tal como baratinhas tontas, deixando-as a discutir entre elas, dividindo para reinar e assim ocultando o verdadeiro cerne da questão em que vivemos. Conhecimento e informação são os verdadeiros tesouros escondidos por detrás do dinheiro.

Mas quem é que ajuda quem ...?

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Offshores


Os estudos de Eugénio Rosa sobre a realidade económica e social de Portugal, são de uma veri-semelhança desconcertante da realidade portuguesa. Segundo este estudo entre 2000 e 2010, foram transferidos para o estrangeiro 147.083 milhões de euros de rendimentos, causando a descapitalização do país.
No geral, não existe bem a noção e a medida do que significa este montante. Atente-se ao recente primeiro prémio do euromilhões, o maior de sempre, 185 milhões de euros, a que corresponde esta fuga de capitais nacionais equivaler a cerca de 800 prémios de super-jackpots do euromilhões. Ou por outro lado, o montante em causa daria para pagar dois pacotes de austeridade negociados com a troika (UE/BCE/FMI).
Diz e bem fundamentado, o economista Eugénio Rosa:

"Contrariamente ao que parece depreender-se do debate actual sobre o défice e o endividamento externo, em que o pensamento único dominante nos média pretende fazer crer que se resolve aumentando apenas as exportações, as causas deste problema não se limitam apenas ao elevado défice da Banca Comercial (bens). Para concluir basta ter presente o seguinte. Entre 2000 e 2010, o saldo negativo da Balança Comercial cresceu 9% enquanto o saldo negativo da Balança de Rendimentos aumentou 212%. Isto determinou que, em 2000, o saldo negativo da Balança de Rendimentos tenha representado 15,6% do saldo negativo da Balança Comercial, enquanto em 2010 já correspondia a 44,8%. Em milhões de euros, o crescimento, entre 2000 e 2010, no saldo negativo da Balança Comercial Portuguesa foi de 1.489 milhões € , enquanto no saldo negativo da Balança de Rendimentos Portuguesa atingiu 5.468 milhões €. Portanto, se a situação da Balança Comercial é insustentável, o ritmo de crescimento do saldo negativo da Balança de Rendimentos que se tem verificado nos últimos anos é ainda mais insustentável.

E este crescimento insustentável para o País do saldo negativo da sua Balança de Rendimentos deve-se às elevadas transferências feitas para o estrangeiro não só de lucros e dividendos, mas principalmente dos chamados de rendimentos de “investimentos de carteira”, que têm como objectivo principal, muitas deles, a especulação bolsista apropriando, assim, de uma fatia da riqueza criada em Portugal. Entre 2000 e 2010, foram transferidos para o estrangeiro rendimentos no montante de 147.083 milhões de euros, repartidos da seguinte forma: 2,2% - 3.266 milhões € - eram rendimentos de trabalho; 26,4% - 38.895 milhões € - tiveram como origem investimentos directos em empresas a operar em Portugal; 35,3% - 51.944 milhões € - resultaram de investimentos de carteira; e 36% - 52.977 milhões € - eram rendimentos de “Outros investimentos”; portanto, 71% dos rendimentos transferidos para o estrangeiro entre 2000 e 2010 – 104.921 milhões € -, resultaram de “investimentos de carteira" e de “outros investimentos” que, na sua maioria, não criaram qualquer riqueza em Portugal, limitando a se apropriarem de riqueza interna criada por outros transferindo-a depois para o estrangeiro e, muitos deles, sem pagar qualquer imposto ao Estado porque estes rendimentos de não-residentes estão isentos de impostos. E todas estas transferências de rendimentos beneficiaram grandes grupos económicos e financeiros. "

Esta é umas das partes da tragédia em que vivemos, neste mundo global anti-solidário. Como na afamada europa solidária.
Quando os portugueses dizem, nós não somos como a Grécia. Tal como os espanhóis dizem, nós não somos como Portugal. Tal como os belgas, nós não somos como os países do sul e tal como dirão outros, numa espiral que de solidário, só existe nos discursos vazios do politicamente correcto, cheios de vacuidades como a credibilidade e a seriedade. Fora dos holofotes e na sombra, a realidade é outra.
Por exemplo, alguém viu este estudo a abrir telejornais em horário nobre?

O que é uma offshore?
São zonas privilegiadas que existem em várias partes do globo onde alguns entusiastas chegam a falar delas como "tax havens" ou "paraísos fiscais". E, para as sociedades comerciais constituídas nessas "zonas livres" convencionou-se dar o nome inglês de "offshore companies". Offshore se aplica à sociedade que está fora das fronteiras de um país.
Assim, uma "offshore company" é uma entidade situada no exterior, sujeita a um regime legal diferente, "extraterritorial" em relação ao país de domicílio de seus associados. Mas a expressão é aplicada mais especificamente a sociedades constituídas em "paraísos fiscais", onde gozam de privilégios tributários (impostos reduzidos ou até mesmo isenção de impostos). E isso só se tornou possível quando alguns países adoptaram a política da isenção fiscal, para atrair investimentos e capitais estrangeiros.
Normalmente são pequenos países situados nas Caraíbas e algumas ilhas do Pacífico, principalmente. Na América Latina, o maior exemplo, é o do Uruguai. Na Europa, os mais conhecidos são Gibraltar e a ilha de Jersey situada no canal da mancha, servindo para a maior parte das empresas que operam na City londrina. Também na europa o Grão-Ducado do Luxemburgo e o Principado do Mónaco, permitem operações offshore, só que num sistema legal diferente.
As sociedades offshore têm vários tipos de formato, como; fundações familiares, sociedades de serviços pessoais, companhias de comércio internacional (trading companies) e investimentos internacionais em geral. (fontes: portal tributário brasileiro e wikipédia)

Afinal, até há dinheiro! A questão coloca-se na distribuição do mesmo. Esta é que é a verdadeira crise das sociedades em que estamos todos nós inseridos, tal como mini-peças neste enorme mecanismo.



Aloe Blacc - I Need A Dollar

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Vampiros


Recentemente a agência de rating Moody's baixou a notação financeira da dívida portuguesa para o nível de lixo. Algo que desmultiplicou de imediato uma série de reacções, como habitual, a maior parte sem sentido, apenas reflectindo estados de alma.
O que na realidade a agência transpareceu, foi a realidade. Portugal não vai conseguir pagar, nem como a Grécia, nem como a Irlanda e outros, pelo simples facto, de que estas dívidas estão desenhadas para não serem pagas.

As três agências de rating norte-americanas que hoje dominam o mercado, demoraram décadas a ganhar a confiança do mercado. E o que é que é, o mercado? São conglomerados e consórcios que têm dinheiro e esperam quem lhes dê valor por ele. E donde vem esse dinheiro? Vem de tudo o que consumimos, via petróleo, matéria-prima fundamental para a indústria que fabrica os produtos, as putas que os clientes ocidentais consomem, via directa dos países corruptos que há muito, entregaram a soberania dos seus países, em troca directa, por vidas boas e luxuosas, das armas que alimentam conflitos ad-eternum. Veja-se o recente exemplo da criação do novo país designado por Sudão do Sul, poderiam-se ter poupado 2 milhões de vidas, ante um desfecho lógico. As drogas, também são, um grande factor económico do planeta, lucra-se pela sua comercialização, distribuição, prevenção e pela sua apreensão.

A Alemanha, o denominado, motor da economia europeia, que "ajuda" quem lhe compre os seus produtos. Como a Grécia com medo do gigante turco ali ao lado, gasta somas exorbitantes na defesa, por acaso, as suas fragatas, helicópteros e submarinos tenham sido fabricados na Alemanha, tal como, os dois submarinos portugueses para caçar piratas, tenham sido construídos na Alemanha. Dos subornos e corrupções derivadas, só resultaram, nada...
Isto de ajudas tem muito que se lhe diga!

A somar às "ajudas" do FMI, que na pratica, asseguram o reembolso por parte dos credores o investimento realizado, o que na verdade acontece, é uma diminuição da esperança média de vida nos países onde o FMI interviu. Agora coloca-se a questão, mas governa-se para as pessoas ou para um conjunto de investidores que pretendem adquirir valor ao seu capital? Capital esse, oriundo do suor e do trabalho de imensas massas que todos os dias se levantam da cama para garantir o pão dos seus filhos.
Vejam-se os actuais dirigentes políticos europeus, quais baratinhas tontas, perante quem espalha o caos e a desordem, a baralhação. Não tem sequer a visão de conjunto, atiram para o ar emoções, navegam à vista em tremendas contradições do que é o mercado. Será que se esqueceram, de que nos anos 80, George Soros pós o Banco Central Inglês de joelhos num espectacular ataque especulativo da moeda britânica?

Perante tudo isto e todos os pacotes de austeridade que ainda hão-de vir, porque isto não termina. Será que as pessoas não vêem que existe uma mão inteligente por de trás de tudo isto?
Assuma-se a seguinte simples fórmula...









Percebeu?
Quanto mais as manchetes dos "News of the World" que circulam por aí... Ou como os complexos fundos de derivados e futuros, na crença de que magistrados irão analisar a justeza dos mesmos, que se escondem em fórmulas matemáticas cada vez mais complexas.
Isto foi como sempre foi, da idade das trevas até à idade média, a lei sempre foi o descabelado artifício de legalizar o roubo, a violação, a imoralidade e tudo o mais... A lei não mais é do que uma questão ideológica de momentum, uma das formas de manipular, existem mais ...



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Tempestade Perfeita


Actualmente, a América do Norte tem 7,5% da população mundial e 30% do PIB, a Europa cerca de 5% da população e 30% do PIB mundial, a Ásia tem também cerca de 30% do rendimento criado em todo o mundo e 60% da população do planeta. Este reajustamento ou pressão vai continuar, pelo lado asiático com fortes crescimentos económicos anuais, a subir na percentagem do PIB mundial, tal como os países que lhes sobram os restantes 10% do PIB, África e América Latina, por contrapartida da estagnação e até redução dos dois blocos económicos América do Norte e Europa. Deste caldo prestes a entornar, está principalmente a Europa, que vê a crescente incapacidade de manter a filosofia do estado social que criou a partir da 2ª Guerra Mundial.

Com crescendo contínuo, a Ásia, liderada pelos seus dois gigantes, China e Índia, criarem excedentes financeiros colossais e que para terem valor, foram investidos na dívida pública norte-americana, que acabou por ter um efeito perverso, uma espécie de vírus a circular nas veias do sistema financeiro.
Os banqueiros e traders norte-americanos sempre com sede de dinheiro e com índices elevados de ganância, começaram a constituir fundos de fundos, inventaram ainda mais fundos investimento de coisas absurdas, criaram fundos cotados na base de créditos a estudantes universitários e a créditos habitação de risco na crença da eterna valorização imobiliária. Quando as pessoas deixaram de pagar os seus créditos hipotecários por incapacidade financeira, o mercado imobiliário foi inundado de imóveis devolutos, à qual e impiedosa lei da oferta e procura, fez com que os imóveis desvalorizassem e por consequência muitos fundos de investimento começaram a ruir, levando alguns bancos a colapsarem. Esses fundos já tinham sido vendidos um pouco por todo o mundo, criando prejuízos irreparáveis, também um pouco por todo o mundo.

Já em 2005 o economista Nouriel Roubini afirmava "o preço dos imóveis residenciais surfava em uma onda especulativa, que brevemente faria afundar a economia", foi apelidado de Cassandra, hoje é considerado um génio. Hoje afirma que se está a formar a "Tempestade Perfeita" com base na crise orçamental dos E.U.A., no abrandamento da economia chinesa, na reestruturação das dívidas na Europa e na estagnação económica do Japão, "todos os países estão a adiar a questão da elevada dívida pública e privada, e todos estes problemas poderão vir ao de cima em 2013, o mais tardar", afirma o economista.
Não nos esqueçamos que há milhares de anos houve previsões para uma espécie de evento para Dezembro de 2012. Ou é uma enorme coincidência, ou é um enorme acaso das circunstâncias!

Sendo que agora se têm levantado algumas vozes dos principais credores da Grécia, que se esta cair terá consequências para a economia mundial. O factor psicológico do medo e da incerteza para assustar os mais incautos, que são a maior parte das pessoas.
Enquanto isso "ajudam" a Grécia com mais contratos de negócio, ou seja, mais empréstimos remunerados, só aprovados à consignação de extorquir ainda mais o povo.
Se há um ano a Grécia não tinha condições para pagar a dívida, hoje e mais endividada, obviamente menos condições tem. Tal como Portugal, tal como a Espanha, a Bélgica, a Itália e por aí adiante. As economias europeias estão estagnadas, os mercados para onde antes exportavam, tem agora cada vez mais concorrentes a vender mais, melhor e mais barato, sem esquecer que esses concorrentes não têm estados sociais para alimentar, nem direitos laborais para acautelar.

A questão de que se fala acerca da regulação é outra enorme falácia, não existe, nem existirá. Pois a quem cabe regular é uma das partes interessadas na desregulação, porque no caos, se fazem bons negócios.
Tal como o clima e as tempestades cada vez mais violentas, que custam muito dinheiro. Vejam-se os casos recentes do Japão e da Nova Zelândia.

Isto está demais ...!
Ou será que passou na cabeça de alguém de que vivemos numa sociedade regulada?



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A crise


Nos dias de hoje existe um termo no qual toda e qualquer medida se esconde, a crise. Um anátema lançado no ar que justifica tudo o que seja para pauperizar. É a crise!
Apesar das matérias-primas, das pessoas que trabalham e do consumo que efectuam não se ter alterado substancialmente, a palavra de ordem - quase hipnótica - é de que é preciso reduzir.
Voltamos ao cerne da questão, na última década assistimos à transferência geográfica da produção, com base nos seus custos, bem como, na oferta de mão-de-obra. Daí os estados mega-populosos com a liberalização dos mercados, fazem com que o mundo económico, social e político tenha vindo a mudar a uma velocidade elevada. A evolução tecnológica hoje permite, organizar sob um mesmo fio condutor empresarial; uma fábrica na China, financiada por um banco italiano, com a sua logística a ser dirigida no Kuwait, colocar os lucros em países com sistemas fiscais favoráveis - offshores - e alocar custos na Suécia, isto com um escritório sede no Panamá.

Na crise portuguesa, derivada de um estado dirigido por dirigentes com fraca capacidade de visão estratégica e de gestão. Não mais do que meros umbigos de pés em bico, a viver o dia-a-dia, a pensarem no que lhes toca se seguirem o que mais vai agradar os interesses instalados que lá lhes colocaram por convite ou a hipótese de ficarem bem colocados. Os referidos interesses, por mais do que sabido, não são os mesmos da nação.
Foi curioso observar na semana passada a entrevista de Ricardo Espírito Santo Salgado, que não foi por acaso o porta-voz da banca lusa, das vezes em que se dirigiram à sede do PSD e ao Conselho de Ministros. Um dia mais tarde, perceberá-se porquê ...?
Curioso foi sem dúvida, ao passar pela história do séc. XX português, a sua resposta à pergunta colocada pela jornalista, de o BES ser o banco que se dava com todos os regimes. Deu-se com a monarquia, depois com a primeira república, com a ditadura de Salazar, após o 25 de Abril com as nacionalizações tiveram que emigrar e mais tarde com as privatizações foram convidados a regressar. Nesta resposta está a história sintética de Portugal.
Os lucros de milhões que obtém, não são mais do que retirados à economia, todos os dias. Foi até confrangedor, ver um certo pseudo-desespero pelo capital estrangeiro, porque Portugal precisa de facto de dinheiro fresco, pois nunca soube, aliás nem foi pensado para isso, para capitalizar a sério as suas valências, ou se por outras palavras, os seus traços fortes.
Sem esse desesperado capital estrangeiro, não terão acesso aos grandes negócios de financiamento do Estado; o TGV, o novo aeroporto, a nova ponte sobre o Tejo e porventura mais auto-estradas para depois o Estado ficar com os seus custos de manutenção.

Com um povo que mal distingue as manchetes do Jornal a Bola das tiras de primeira página do Correio da Manhã da verdadeira realidade, ou da revista Caras à Lux, passando pela saudosa revista Maria, fica fácil, muito fácil, anestesiar...
Só lá para Fevereiro/Março de 2011 é que a massa populacional portuguesa começará a sentir a sério, fruto da sua endémica bonomia, quando constatar nos seus recibos de vencimento que o rendimento diminuiu. E sem parar, ao mesmo tempo, vai-se vencendo a dívida soberana, a números estonteantes, efectuada pela coligação PS/PSD, os funcionários dos que mandam realmente neste país.

Foi curioso, ver a filinha indiana dos nossos banqueiros perante Hu Jintao - presidente da República Popular da China.
A ciência económica já tem pouco para inventar, é a intersecção da oferta e da procura, o resto é conversa.

Bom senso, ética, responsabilidade e respeito - Miss you...
Uhh, uhhhhh, uhh, uhhhhh, uhh, uhhhhh, uhh, uhhhhh...



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A dívida

Ontem a dívida portuguesa foi leiloada nos mercados financeiros. Para os investidores internacionais um excelente negócio, que à sombra de uma quasi-falência de um estado soberano irão obter nos próximos anos soberbos rendimentos, já que foi subscrita em mais de 75% por compradores estrangeiros. Arrecadou-se 1.242 milhões de euros, dos quais cerca de 600 milhões a dez anos e juro de 6,8%, o restante a 6 anos com uma taxa à volta de 6,15%, e isto mexe com tudo e todos, melhor, mais para uns do que para outros.
Necessidade fruto de políticos que executaram políticas que ao longo das últimas décadas nos deixaram naquele lugar em que sempre estivemos, a cauda. Apesar de as suas vidas financeiras, também sempre, terem corrido pelo melhor.
Políticos que na pratica são os representantes e funcionários de meia-dúzia de famílias, as quais por sua vez representam interesses de grandes grupos trans-nacionais, sem nacionalidade mas com muito dinheiro que em teoria é obtido de forma legal um pouco por todo o mundo, mas que na pratica é dinheiro retirado das economias, das pessoas através de engenharias financeiras muito complexas.

A soberania portuguesa desde os anos 90, foi vendendo as suas empresas mais lucrativas. As quais, seus capitais, hoje estarem maioritariamente em mãos estrangeiras. Ou seja, os lucros que obtém, via monopólios ou cartéis nos sectores de actividade económica em que operavam em Portugal, são literalmente transferidos para o exterior.
Boas decisões de gestão, como se pode aferir!
Que rica ajuda dariam à feitura dos orçamentos de estado! Já que os seus utentes, hoje clientes, é que pagam os seus serviços e cujos salários já não são pagos pela riqueza produzida no seu país de origem, mas sim, por dívida contraída no exterior, que obviamente almeja por contrapartidas. É uma espiral sem fim e com isso faz-se com que se mantenha, o chamado ufa-ufa diário, o stress do trabalho, a velha história da cenoura à frente do burro, abrindo assim a ideia generalizada da ambição, subir na vida, o ser alguém, mantendo sempre a pressão e fazer as pessoas correrem por algo que não sabem o quê; bens materiais, talvez a venda da ideia de felicidade.

À substituição de pessoas por número de cliente, vamos assistindo à mudança de paradigma.
Os centros de decisão estão a alterar-se de forma profunda, e eles estão onde há dinheiro, principalmente, nos países com mercados internos imensos, que propiciam o agigantamento de conglomerados económicos.

- Como competir com quem tem a capacidade de vender um par de chinelos a 1 euro do outro lado do mundo? E com tudo o que isso implica?

- Como competir com uma fábrica que vende tecnologia da mais avançada, em que os colaboradores/escravos operem de sol-a-sol e por "tuta e meia" de rendimento sem qualquer tipo de exigência, fruto da gigantesca oferta de mão-de-obra?

É o drama e o paradigma, sem uma luz ao fundo do túnel. Porque tudo procura o dinheiro e a satisfação material que dá e o status que permite alcançar.
Por isso, temos milhões de pessoas a trabalharem para alimentarem meia-dúzia, a agradecerem as migalhas "tão merecidas", a terem direito a visitas quinzenais dos seus filhos, fruto da propensão elevada dos divórcios e a tantas horas roubadas do dia, tão só, para pagar os iates, as prostitutas lux, a lagosta e os jaguares dos que extraem o sumo das massas cada vez mais hipnotizadas, por mecanismos pensados à peça.

"O dinheiro é a causa de todos os males." - Maquiavel


sábado, 9 de outubro de 2010

Kiva - Actualization


Foi actualizada a página Kiva do Zorze, foram concedidos novos 4 empréstimos.

Considerando o elevado risco soberano da república portuguesa, com forte probabilidade de colapsar, resultado de gerências fortemente incompetentes, deslocalizo o meu investimento, para gente humilde e séria, com uma taxa de retorno formidável, a rondar os 98%.
Muito aquém de estados, principalmente europeus, geridos com relativo desleixo, e que nos dias de hoje socializam os prejuízos. Incidem a sua incompetência nas partes mais fracas da sociedade, "in stricto senso", estamos a falar de criminosos , por negligência e não só.

O portfolio Kiva's Zorze está dividido geograficamente pela; Samoa, Uganda, Quirguistão, Peru e Líbano. O investimento fica repartido nas seguintes áreas económicas; transportes, alimentação, vestuário e retail.

Gota a gota, vai-se fazendo, alguma coisa... Diferente do que não se fazer nada.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Graviola, Myriad Genetics e Dr. Simoncini



"A graviola ou pinha da Guiné-Bissau é uma planta originária das Antilhas, onde se encontra em estado silvestre. No Brasil, tornou-se subespontânea na Amazónia, sendo cultivada principalmente nos estados do Nordeste. Prefere climas húmidos, baixa altitude e não exige muito em relação a terrenos.A graviola é uma árvore de pequeno porte (atinge de 4 a 6 metros de altura) e encontrada em quase todos os países tropicais, com folhas verdes brilhantes e flores amareladas, grandes e isoladas, que nascem no tronco e nos ramos. Os frutos tem forma ovalada, casca verde-pálida, são grandes, chegando a pesar entre 750 gramas a 8 quilogramas e dando o ano todo. Contém muitas sementes, pretas, envolvidas por uma polpa branca, de sabor agridoce, muito delicado e considerados por muitos semelhante à fruta-do-conde. Desde Março de 2003, e-mails circulam pela internet afirmando que o chá de graviola cura o cancro. Há diversos estudos sobre a anonacina, o composto da graviola que teria efeitos anticancerosos. No entanto, esses estudos foram somente realizados in vitro ou in vivo em animais, não existindo ainda nenhum estudo clínico em humanos. Um motivo citado para a falta de estudos clínicos em humanos é o facto de não se poder patentear uma planta, o que leva os laboratórios que patrocinam os estudos a concentrarem as pesquisas nos princípios activos, acetogeninas anonáceas (ACGs), em vez da planta. As acetogeninas anonáceas actuam através da depleção dos níveis de ATP ao inibir o complexo I na cadeia de transporte de elétrons nas mitocôndrias, e inibindo a NADH oxidase do plasma de membranas principalmente de células tumorais. Por outro lado, o consumo frequente de graviola está associado ao aparecimento de parkinsonismo atípico em certas regiões do Caribe. Em Angola, a fruta é conhecida como "Sape-Sape" e não é cultivada de forma sistemática ou industrial."
fonte wikipédia

Na luta contra o cancro, as intricadas e labirínticas legislações das sociedades vão no sentido da protecção do lucro das poderosas indústrias farmacêuticas e biotecnológicas, do que a efectiva cura das doenças. Isso não seria rentável a médio/longo prazo para as empresas do ramo cotadas em bolsa, desvalorizariam e como consequência os seus accionistas iriam receber menos dividendos, daí iriam alocar os seus capitais para outras áreas de negócio mais rentáveis. Como na investigação científica são precisas enormes fontes de financiamento, o problema é o modelo na qual está assente, nos dias de hoje, os fluxos de capital. No limite da perversidade do sistema é mais rentável em que hajam doenças sem cura, mas ao mesmo tempo, com tecnologia farmacêutica que sustente a vida do "cliente" por mais tempo. Em vez de se colocar o foco na cura efectiva, o modelo actual investe não em curar, mas em perpetuar a relação comercial até ao resto da vida do cliente.

Outro argumento, como factor de bloqueio, são as questões das patentes. Se no caso da graviola é utilizada a questão das patentes para não se investigar nos seres humanos, nos Estados Unidos da América os laboratórios patenteam os genes responsáveis por cancros e outros doenças, chegando-se já ao absurdo de cerca de 20% do genoma já estar patenteado por diversos laboratórios.
Por exemplo, a biotecnológica Myriad Genetics, que descobriu os dois genes responsáveis pelo o cancro da mama, o BRCA1 e o BRCA2, é uma descoberta de grande valor para a humanidade, só que em solo norte-americano, as mulheres que queiram saber se são portadoras desses genes só o podem fazer na Myriad Genetics a custos muito elevados. A empresa com o exclusivo sobre esses dois genes faz o preço que quer, entrado aqui outro problema para os cidadãos americanos, o complexo sistema de seguros de saúde.
Existe nos E.U.A. um grande debate entre a comunidade política, médica e científica acerca se se pode ou não patentear os genes, mas o facto, é que neste momento, as novas descobertas são patenteadas.

Também tem circulado pela internet, a descoberta por um médico oncologista italiano, Dr. T. Simoncini outra forma de curar o cancro, através do uso de bicarbonato de sódio (NaHCO3). Na sua carreira de médico oncologista, observava que os seus pacientes com cancro tinham aftas, o que aliás é sabido na comunidade médica.
Ele achou estranho que em todos os pacientes com diferentes tumores, todos eles apresentavam essa semelhança, as aftas. Para tratar das aftas, utiliza-se bicarbonato de sódio. E ao que parece os cancros também começavam a desaparecer.
O médico foi ostracizado pela comunidade médica italiana, por outro lado a comunicação social passa ao lado da terapia utilizada por este médico. Ele tem um site, curenaturalicancro, onde explica as suas terapias e relata casos de cancros por ele já tratados.
Pode ser fraude ou não, mas porque é que não se estudam e analisam alternativas?