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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Centro de Emprego


Hoje acompanhei uma pessoa ao Centro de Emprego, quando lá chegamos, mais parecia um Centro de Desemprego, imensas pessoas embutidas nas cadeiras de olhos postos no pequeno mostrador numérico de dois dígitos a vermelho, uma autêntica plateia a somar aos que se espalhavam sentados na escadaria e os que ficavam em pé de olhares cabisbaixos.
Em todos eles, uma situação, uma condição, uma esperança... um coração nas mãos, perante o cenário negro que se avizinha.
Nem o Pai Natal, muito provavelmente, irá deixar uma prenda no sapatinho, nem que fosse comida, ouve-se nos gritos silenciosos entre olhares fugazes.
De salientar, que no Portugal de hoje, trabalhar num Centro de Emprego ou na Segurança Social na parte de atendimento ao público, são dos trabalhos mais esgotantes que possam haver.

Enquanto formos governados por este tipo de políticos imbuídos de uma linha neo-liberal, a Europa afunda-se cada vez mais. Desprovidos de parte das suas soberanias e com representantes dos grandes grupos económicos (os políticos do arco do poder), empobrecem cada vez mais as sociedades, fomentam a desigualdade da distribuição dos rendimentos e deixam espaço para o crescimento e fortalecimento das grandes máfias, com os seus sistemas legislativos cada vez mais labirínticos, campo perfeito para os grandes escritórios de advogados, deixando a justiça mais longe do cidadão comum.
Onde mais de 50% das transacções comerciais passam por offshores sem pagar um cêntimo de impostos. Facto que toda a gente sabe e que toda gente fecha os olhos, é a hipocrisia elevada ao infinito.

Insistir no Euro é um tremendo erro. Ou seja, os países europeus afectados com a crise da dívida soberana que perderam a sua capacidade soberana de emitir moeda, cada vez vão ficar mais endividados a entidades externas que lucram muitíssimo com o serviço de dívida que cada um vai pagar.
Ou alguém imagina que o Banco Central Europeu (BCE) vai tomar medidas contrárias aos interesses franco-germânicos em detrimento dos países do sul da europa?
Sarkozy e Merkel encontram-se quase dia sim e dia não, com o argumento de salvar o euro. Outra cabeluda mentira, eles tratam da sua vida e do que resulta desses "ditos" encontros é mais retirada de soberania aos países em agonia. Que por outro lado, esses mesmos países foram governados no mais puro laxismo em que gastaram muito e mal, principalmente em conluio com os grandes consórcios que os patrocinaram. Na verdade, esta gente é tudo merda.

As medidas de austeridade que agora implementam com a ilusão de voltarem aos mercados é outra grande mentira. Às regras de hoje, os países "assistidos" demorarão décadas a voltarem-se financiar nos mercados, insiste-se na mentira para justificar os meios.
Os meios são a retirada de rendimento ao trabalho mesmo passando por cima das leis e dos direitos adquiridos. Porque se se quisesse corrigir os erros de décadas de gastar à tripa forra, ia-se aonde está o dinheiro e não aos que vivem condicionados ao seu salário.
Em Portugal, país integrante da zona euro, com salários dos mais baixos e resultado destas políticas, eles ainda serão mais baixos, haverá mais desemprego, mais falências nas pequenas e médias empresas, ou seja, condições cada vez mais acrescidas para a escravização.
E Portugal, tal como outros, cada vez menos soberano e mais endividado.

Para quem não se lembre, o vídeo abaixo é relativo à conferência de imprensa da Ministra da Fazenda Brasileira Zélia Campos do governo Collor em 16 de Março de 1990, anunciado o confisco das poupanças bancárias dos cidadãos brasileiros.
Não querendo ser bruxo, mas já estivemos mais longe...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Offshores


Os estudos de Eugénio Rosa sobre a realidade económica e social de Portugal, são de uma veri-semelhança desconcertante da realidade portuguesa. Segundo este estudo entre 2000 e 2010, foram transferidos para o estrangeiro 147.083 milhões de euros de rendimentos, causando a descapitalização do país.
No geral, não existe bem a noção e a medida do que significa este montante. Atente-se ao recente primeiro prémio do euromilhões, o maior de sempre, 185 milhões de euros, a que corresponde esta fuga de capitais nacionais equivaler a cerca de 800 prémios de super-jackpots do euromilhões. Ou por outro lado, o montante em causa daria para pagar dois pacotes de austeridade negociados com a troika (UE/BCE/FMI).
Diz e bem fundamentado, o economista Eugénio Rosa:

"Contrariamente ao que parece depreender-se do debate actual sobre o défice e o endividamento externo, em que o pensamento único dominante nos média pretende fazer crer que se resolve aumentando apenas as exportações, as causas deste problema não se limitam apenas ao elevado défice da Banca Comercial (bens). Para concluir basta ter presente o seguinte. Entre 2000 e 2010, o saldo negativo da Balança Comercial cresceu 9% enquanto o saldo negativo da Balança de Rendimentos aumentou 212%. Isto determinou que, em 2000, o saldo negativo da Balança de Rendimentos tenha representado 15,6% do saldo negativo da Balança Comercial, enquanto em 2010 já correspondia a 44,8%. Em milhões de euros, o crescimento, entre 2000 e 2010, no saldo negativo da Balança Comercial Portuguesa foi de 1.489 milhões € , enquanto no saldo negativo da Balança de Rendimentos Portuguesa atingiu 5.468 milhões €. Portanto, se a situação da Balança Comercial é insustentável, o ritmo de crescimento do saldo negativo da Balança de Rendimentos que se tem verificado nos últimos anos é ainda mais insustentável.

E este crescimento insustentável para o País do saldo negativo da sua Balança de Rendimentos deve-se às elevadas transferências feitas para o estrangeiro não só de lucros e dividendos, mas principalmente dos chamados de rendimentos de “investimentos de carteira”, que têm como objectivo principal, muitas deles, a especulação bolsista apropriando, assim, de uma fatia da riqueza criada em Portugal. Entre 2000 e 2010, foram transferidos para o estrangeiro rendimentos no montante de 147.083 milhões de euros, repartidos da seguinte forma: 2,2% - 3.266 milhões € - eram rendimentos de trabalho; 26,4% - 38.895 milhões € - tiveram como origem investimentos directos em empresas a operar em Portugal; 35,3% - 51.944 milhões € - resultaram de investimentos de carteira; e 36% - 52.977 milhões € - eram rendimentos de “Outros investimentos”; portanto, 71% dos rendimentos transferidos para o estrangeiro entre 2000 e 2010 – 104.921 milhões € -, resultaram de “investimentos de carteira" e de “outros investimentos” que, na sua maioria, não criaram qualquer riqueza em Portugal, limitando a se apropriarem de riqueza interna criada por outros transferindo-a depois para o estrangeiro e, muitos deles, sem pagar qualquer imposto ao Estado porque estes rendimentos de não-residentes estão isentos de impostos. E todas estas transferências de rendimentos beneficiaram grandes grupos económicos e financeiros. "

Esta é umas das partes da tragédia em que vivemos, neste mundo global anti-solidário. Como na afamada europa solidária.
Quando os portugueses dizem, nós não somos como a Grécia. Tal como os espanhóis dizem, nós não somos como Portugal. Tal como os belgas, nós não somos como os países do sul e tal como dirão outros, numa espiral que de solidário, só existe nos discursos vazios do politicamente correcto, cheios de vacuidades como a credibilidade e a seriedade. Fora dos holofotes e na sombra, a realidade é outra.
Por exemplo, alguém viu este estudo a abrir telejornais em horário nobre?

O que é uma offshore?
São zonas privilegiadas que existem em várias partes do globo onde alguns entusiastas chegam a falar delas como "tax havens" ou "paraísos fiscais". E, para as sociedades comerciais constituídas nessas "zonas livres" convencionou-se dar o nome inglês de "offshore companies". Offshore se aplica à sociedade que está fora das fronteiras de um país.
Assim, uma "offshore company" é uma entidade situada no exterior, sujeita a um regime legal diferente, "extraterritorial" em relação ao país de domicílio de seus associados. Mas a expressão é aplicada mais especificamente a sociedades constituídas em "paraísos fiscais", onde gozam de privilégios tributários (impostos reduzidos ou até mesmo isenção de impostos). E isso só se tornou possível quando alguns países adoptaram a política da isenção fiscal, para atrair investimentos e capitais estrangeiros.
Normalmente são pequenos países situados nas Caraíbas e algumas ilhas do Pacífico, principalmente. Na América Latina, o maior exemplo, é o do Uruguai. Na Europa, os mais conhecidos são Gibraltar e a ilha de Jersey situada no canal da mancha, servindo para a maior parte das empresas que operam na City londrina. Também na europa o Grão-Ducado do Luxemburgo e o Principado do Mónaco, permitem operações offshore, só que num sistema legal diferente.
As sociedades offshore têm vários tipos de formato, como; fundações familiares, sociedades de serviços pessoais, companhias de comércio internacional (trading companies) e investimentos internacionais em geral. (fontes: portal tributário brasileiro e wikipédia)

Afinal, até há dinheiro! A questão coloca-se na distribuição do mesmo. Esta é que é a verdadeira crise das sociedades em que estamos todos nós inseridos, tal como mini-peças neste enorme mecanismo.



Aloe Blacc - I Need A Dollar

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Jardim Gonçalves & Companhia


Jardim Gonçalves é considerado o pai da banca privada portuguesa, foi o homem escolhido por um conjunto de accionistas privados para a fundação de um banco privado, aquando na época toda a banca portuguesa era estatal. Em 1985 nasce o BCP - Banco Comercial Português, que se iria tornar o maior banco privado português, chegou a estar posicionado no número 453, na lista Forbes, das maiores empresas do mundo.
O ressurgimento da banca privada em Portugal, surge de um aproveitamento de um caso muito peculiar, bem manipulado e extrapolado, o caso Dona Branca.

"Desde cedo, começou a sua prática "bancária": guardava o dinheiro da venda de varinas ao longo do dia recebendo ao anoitecer uma pequena compensação pelo "depósito". Destacou-se pela sua honestidade e carisma, e passou a ser solicitada também pelos vendedores ambulantes. No decorrer dos anos 50, com a politica Salazarista, em que reinava a pobreza nacional, torna-se numa pseudo-bancária quando iniciou a sua actividade clandestina. Estrategicamente, começou a atribuir juros a quem lhe confiasse as suas economias, tanto maiores quanto mais elevadas fossem. Utilizava bastante bem o esquema em pirâmide. Assumiu posição diferente à da Banca e da técnica bancária: recebia depósitos acrescidos de 10% de juros a quem aplicasse as suas poupanças e concedia empréstimos a juros elevados. Esta medida foi crucial para a sua expansão da sua actividade e renda.No ápice, fosse rico ou pobre, pescador a empresário, todos recorriam à "Banqueira do Povo" como passou a ser conhecida."
(fonte wikipédia)

Este caso, ocorrido em 1984, foi o mote para justificar a privatização da banca, somando o facto de que Portugal entraria em 1986 na C.E.E. .
O BCP sob a gestão de Jardim Gonçalves, vai crescendo e ganhando cada vez mais respeitabilidade no mundo da finança. Absorve através de OPA hostil o desaparecido BPA - Banco Português do Atlântico e mais tarde o Banco Pinto & Sottomayor, despojos da aventura bancária da família Champalimaud.
De facto, o BCP trouxe inúmeras inovações ao semi-estagnado sistema bancário português, muito se aludiu à sua eficiência e daí aos seus resultados.
Embora, o seu líder - Jardim Gonçalves - figura quase endeusada, principalmente, no foro interno do grupo financeiro, seja uma pessoa de bom trato, de relação educada e cuidadosa para com os seus colaboradores, não implica que por outra maneira, tenha imprimido uma mentalidade, que através das suas cadeias de comando, de uma obstinada demanda de cumprimento dos objectivos propostos. O sucesso do BCP, basicamente, são das pessoas que lá trabalham, que sob um chicote psicológico faziam e fazem das tripas coração para a obtenção de resultados.
A suposta eficiência, deriva de softwares mais sofisticados, processos administrativos copiados de economias de sangramento, em suma, foi a exploração até ao cruto da cabeça dos seus funcionários a base desse sucesso. Os divórcios, os suicídios, as horas roubadas à família e algumas/muitas pessoas que ficaram avariadas da marmita irremediavelmente não são contabilizáveis nas contas do banco. Este tipo de filosofia, de exploração contaminou todo o resto da banca.
Essa bitola, que começou nos meados dos anos 80, foi imperando em todo o sistema.
Explorar os recursos, até saírem em macas para a ambulância, alguns nem chegam a tanto, dá-lhes um ar e no momento, vão-se para a outra margem.

Uma das inovações do BCP, foi a criação de um sub-banco, a Nova Rede, a qual muitos portugueses aderiram. Essa estratégia, foi designada por segmentação. Não mais era, do que encaminhar a populaça para balcões de atendimento em massa e indiferenciados e os clientes mais "gordinhos" em agências BCP, cheias de requinte, alcatifadas e com mobílias de outrora reis. O portuga médio quando entrava numa dessas agências ficava intimidado, inconscientemente accionava o seu complexo de inferioridade crónico, o mais afoito, ia até ao balcão e perguntava, era para abrir uma conta, ao qual a menina muito educadamente lhe respondia automaticamente, para abrir conta é na Nova Rede, ao nível dos pensamentos, lembrava o mantra dos seus superiores hierárquicos, a ralé manda para a Nova Rede.

Em 2008, o banco começa a entrar nas ruas das amarguras noticiosas. Estes senhores ligados à religião, mais propriamente, à Opus Dei. Dizia-se até que o BCP era o braço financeiro da Opus Dei em Portugal, não sei porquê.
A aposta no mercado grego, também se mostrou ruinosa.
Nessa altura grassa uma luta de poder pela liderança do banco, a secção maçónica lusa do partido socialista, consegue colocar dois dos seus afilhados, Carlos Santos Ferreira, como presidente e Armando Vara, como vice. Este último deu-se mal com as ligações ao sucateiro Manuel Godinho, que por não ter trocado de telemóvel quando um infiltrado na PJ os tinha avisado de que estavam sob escuta.
Muito ajudou, à caída dessa administração, uma outra figura misteriosa, Joe Berardo, nomeadamente, pelas denúncias. Que jogo ele estaria a jogar?
Mas as vigarices, que vieram a público são demais, a serem verdade, denotam uma total desfaçatez e um completo desprezo pelas leis da República.
O empréstimo do filho de Jardim Gonçalves para aquisição de acções do BCP no valor de 12 milhões de euros foi colocado, contabilisticamente, em incobráveis, ou seja, mais do que um perdão, a dívida simplesmente desapareceu. Perante a denúncia, o pai assumiu a dívida, de outra maneira, se não fosse denunciada, a dívida ficaria derretida nas contas do banco.
As engenharias financeiras, nas quais se conseguem alocar prejuízos enormes, numa rede labiríntica de múltiplas empresas com sedes sociais em offshores e dessa forma apresentar lucros e daí justificar chorudos prémios de boa gestão, quase tudo é possível.
Por outro lado, quando os bancos apresentam os seus resultados, aquilo pode ser tudo mentira.

Receio, que o Ministério da República Portuguesa, não tenha em seus intervenientes, capacidade e o agreement suficientes para segurar estas denúncias no processo em que acusam.
Até aposto de caras, que a moenga não vai dar em nada.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Perdão Fiscal - PEC


Dentro do PEC um verdadeiro pack dos horrores, no qual vem uma medida que é um sinal muito preocupante deste (des)governo socialista, o perdão fiscal, aliás criminal, sobre os capitais aplicados em offshores. Alargando a todo o sujeito passivo, dessa forma além dos particulares é extensível a empresas, entre as quais, as visadas no processo Operação Furacão. Do furacão como já se esperava, era afinal, uma leve brisa, um ventito.

Fica determinado que até 16 de Dezembro do corrente ano os contribuintes em causa declarem a totalidade dos valores patrimoniais que estavam por declarar, ficam apenas sujeitos a uma macia taxa de 5% como penalização.
O des(governo) espera um encaixe de 60 milhões de euros.
Pela verba que espera alcançar, só por si um peanuts no nosso défice, ela mostra uma ingenuidade preocupante e confrangedora.
Mostra que o des(governo) da República, está à rasca, não há liquidez em território Luso e tem uma gestão de estilo "em cima do joelho".
Em boa verdade, tudo isto é um somatório dos sucessivos des(governos) PS, PSD e CDS. Sem esquecer que todo este amadorismo, sempre foi acompanhado de toda a seriedade e credibilidade.
Levaram o nome do País ao descalabro e à desestruturação total.
Construíram um País de merda que se reflecte em todos os aspectos sociais.

Enganar o fisco é sinónimo de esperteza, viver à conta do rendimento mínimo é um direito, estacionar em segunda fila é uma necessidade, snobizar uma empregada de uma loja e escrever no livro de reclamações derivado de um estado de alma. São tudo direitos de uma brazonada que vive uma ilusão de créditos e má formação cívica.
Parte de uma sociedade que foi patrocinada e incentivada a ser assim, pelos múltiplos mecanismos de marketing e até mesmo por processos de lavagem cerebral complexos e subtis.

Fruto de uma pobreza total a vários níveis, vem este des(governo) confirmar essa pobreza de espírito, dizendo em alto e bom som, assinando em decreto: "O crime, afinal compensa".
Logo, é uma questão de fazer as contas.