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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Je l'aime à mourir


Existem pessoas capazes de morrerem pela pátria, outros muitos, morreram por ela.
Na luta, em guerras injustas e por convicção, plasmado em litros e litros de sangue derramados pela nação. Não é por acaso que a nossa bandeira, tem dois terços de vermelho, do sangue derramado, principalmente por muitos anónimos... longe da graça e do efémero.

Portugal actual está a saque, esbulha-se às claras e sem vergonha. Desde o tempo da ditadura que deu o poder económico e financeiro, a meia-dúzia de famílias para explorar o rendimento produzido por gente maioritariamente analfabeta e com acesso "controlado" da informação e conhecimento, aos tempos de hoje, a base conceptual mantém-se em toda a linha.
Mudam-se os tempos, as tecnologias, os regimes políticos, mas a base actuante, tem a mesma escola; controlo, marketing e contenção de danos.
Por outro lado, os portugueses são dos que trabalham mais horas comparativamente à média europeia, onde as massas que trabalham nas duas grandes urbes, Lisboa e Porto, demoram em média entre 1 a 2 horas no trajecto até ao seu local de trabalho, a maior parte chega a casa esgotado sem tempo para "pensar" o tempo actual.

Na senda da destruição da economia que os partidos apelidados de arco-do-poder, PS e PSD/CDS, levaram e continuam a levar o País ao buraco, onde a declaração de rendimentos - o IRS, serve para atestar a condição de pobreza, que ao mesmo tempo atesta a total incompetência dos governos das últimas décadas, resultado de muitos governos fracos em capacidade organizativa e de gestão, até mesmo na dignidade e honra de uma nação.
Portugal está ao nível de lixo na sua credibilidade internacional, se bem que, parte desta classificação resulta de factores externos complexos, outra grande parte é o resultado das "frutuosas" governações de Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes «en passant e não eleito», Sócrates e agora de Passos Coelho o gestor de insolvência.
Qualquer dia, para gerir quem tem direito aos descontos nos transportes, nos hospitais e nas farmácias, criarão uma entidade que atestará os vários níveis de pobreza; os pobrezinhos, os remediados e os indigentes, colocando-lhes uma fita colorida no pulso em que a cor atesta o grau de pobreza. Escondendo o triste espectáculo de filas de pessoas com o IRS na mão nos guichets da Carris para terem um desconto no passe social, que cada vez mais se torna menos social.

Passos Coelho e António José Seguro, são o resultado dessa hipócrita linha do politicamente correcto, que este povo, na sua maioria evoluiu de analfabeto para a condição de iletarato, lhes conferem o poder de ser.
Seguro, num dia destes, em conferência de imprensa criticava o actual governo de seguir o caminho da austeridade, que seguia o caminho errado, ao mesmo tempo que contrapunha que ele, seguiria o caminho contrário, o caminho do crescimento e do emprego, apenas se "esqueceu" de dizer como e com que dinheiro, sem esquecer que foi o seu partido que negociou com a troika o memorando que nos governa. Falam aos portugueses, tanto um como o outro, como se fossem um bando de atrasados mentais, são de uma inocuidade completa.
Descendo na cadeia alimentar de toda esta gente, desde a políticos, analistas e jornalistas seniores que debatem com os seus ares mais seráficos, estatísticas, análise política, austeridade, economia e finanças. Cada um atira, com o ar mais inteligente possível, as suas larachas para o ar, e na verdade, estamos nisto, meias-verdades utilizadas fora de contexto, lamirés e opiniões pessoas, enquanto o País se afunda vertiginosamente.

Os seguros de crédito cobrados aos investidores internacionais que emprestam à República são cada vez mais caros pois o risco de Portugal incumprir é cada vez mais elevado. A somar a toda esta pressão, foi publicado recentemente um artigo no Financial Times, onde se opinava que é inconcebível a ideia de Portugal voltar aos mercados em 2013, enquanto em contraponto, o governo torciona o mais que pode, a economia e o rendimento dos particulares com o argumento, de voltar aos mercados em 2013.

Portugal já não depende de si, esta é a triste realidade. Somando a esta linha política, em que a despesa não diminui, a procura diminui, o consumo interno diminui derivado da redução forçada, ilegal e arbitrária dos rendimentos das famílias, constroem uma espiral negativa descendente, aumentando uma tensão que se sente a subir todos os dias, meio silenciosa, meio disfarçada... Até ao dia que explode de vez.
Depois tudo é imprevisível...



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Centro de Emprego


Hoje acompanhei uma pessoa ao Centro de Emprego, quando lá chegamos, mais parecia um Centro de Desemprego, imensas pessoas embutidas nas cadeiras de olhos postos no pequeno mostrador numérico de dois dígitos a vermelho, uma autêntica plateia a somar aos que se espalhavam sentados na escadaria e os que ficavam em pé de olhares cabisbaixos.
Em todos eles, uma situação, uma condição, uma esperança... um coração nas mãos, perante o cenário negro que se avizinha.
Nem o Pai Natal, muito provavelmente, irá deixar uma prenda no sapatinho, nem que fosse comida, ouve-se nos gritos silenciosos entre olhares fugazes.
De salientar, que no Portugal de hoje, trabalhar num Centro de Emprego ou na Segurança Social na parte de atendimento ao público, são dos trabalhos mais esgotantes que possam haver.

Enquanto formos governados por este tipo de políticos imbuídos de uma linha neo-liberal, a Europa afunda-se cada vez mais. Desprovidos de parte das suas soberanias e com representantes dos grandes grupos económicos (os políticos do arco do poder), empobrecem cada vez mais as sociedades, fomentam a desigualdade da distribuição dos rendimentos e deixam espaço para o crescimento e fortalecimento das grandes máfias, com os seus sistemas legislativos cada vez mais labirínticos, campo perfeito para os grandes escritórios de advogados, deixando a justiça mais longe do cidadão comum.
Onde mais de 50% das transacções comerciais passam por offshores sem pagar um cêntimo de impostos. Facto que toda a gente sabe e que toda gente fecha os olhos, é a hipocrisia elevada ao infinito.

Insistir no Euro é um tremendo erro. Ou seja, os países europeus afectados com a crise da dívida soberana que perderam a sua capacidade soberana de emitir moeda, cada vez vão ficar mais endividados a entidades externas que lucram muitíssimo com o serviço de dívida que cada um vai pagar.
Ou alguém imagina que o Banco Central Europeu (BCE) vai tomar medidas contrárias aos interesses franco-germânicos em detrimento dos países do sul da europa?
Sarkozy e Merkel encontram-se quase dia sim e dia não, com o argumento de salvar o euro. Outra cabeluda mentira, eles tratam da sua vida e do que resulta desses "ditos" encontros é mais retirada de soberania aos países em agonia. Que por outro lado, esses mesmos países foram governados no mais puro laxismo em que gastaram muito e mal, principalmente em conluio com os grandes consórcios que os patrocinaram. Na verdade, esta gente é tudo merda.

As medidas de austeridade que agora implementam com a ilusão de voltarem aos mercados é outra grande mentira. Às regras de hoje, os países "assistidos" demorarão décadas a voltarem-se financiar nos mercados, insiste-se na mentira para justificar os meios.
Os meios são a retirada de rendimento ao trabalho mesmo passando por cima das leis e dos direitos adquiridos. Porque se se quisesse corrigir os erros de décadas de gastar à tripa forra, ia-se aonde está o dinheiro e não aos que vivem condicionados ao seu salário.
Em Portugal, país integrante da zona euro, com salários dos mais baixos e resultado destas políticas, eles ainda serão mais baixos, haverá mais desemprego, mais falências nas pequenas e médias empresas, ou seja, condições cada vez mais acrescidas para a escravização.
E Portugal, tal como outros, cada vez menos soberano e mais endividado.

Para quem não se lembre, o vídeo abaixo é relativo à conferência de imprensa da Ministra da Fazenda Brasileira Zélia Campos do governo Collor em 16 de Março de 1990, anunciado o confisco das poupanças bancárias dos cidadãos brasileiros.
Não querendo ser bruxo, mas já estivemos mais longe...

sábado, 13 de agosto de 2011

O colapso


Será que as pessoas "ainda" não repararam que existe um dedo inteligente, nesta crise global?

A grande maior parte acredita que mais ou menos. Mais ou menos porque lhe afecta mais ou menos no seu dia-a-dia, embrulhado nos problemas lá do trabalho, nas questões familiares, no desenlace das telenovelas, da vida dos famosos das revistas e das doenças, principalmente, as crónicas e mais atrozes. Parece um jogo, mas não é? Ocupa o tempo, suga a energia e baralha com as emoções.
Tudo misturado e tem o dia feito, com as dificuldades que se desmultiplicam entre todos este factores. Torna o ser, ser mais conformado, mais amorfo à dor e em suma mais alienado. É a cartilha dos novos escravos.

Depois de lucrarem à grande, do chamado Terceiro Mundo, deixando-o desculturizado e esfacelado, viram-se agora para as sociedades ocidentais, envenenando os espíritos com divisões ideológicas.
Subsídios ou empresas? Emprego ou redução de consumo? Taxas de juro! Cotação do ouro! Uefa Champions League ou Jogos Olímpicos?
Tudo numa azáfama, debatendo os seus pontos de vista, no campo dos seus interesses.

Na verdade, existem pequenos grupos de indivíduos, que pensam nisto tudo e apostam que quanto pior melhor.
Têm quase todo o dinheiro do mundo e querem mais ainda. Têm triliões, apostam no descalabro. Arruínam países inteiros, para lhes depois comprarem as infra-estruturas ao desbarato. Este filme já foi visto em África em grande parte na América Central e do Sul. Agora estamos no passo seguinte, a Europa. Essa manta de retalhos de democracias que se governam a 3/4 anos em rotatividades mantidas por políticos ambiciosos que tudo fazem para se manterem à tona da superfície. Atacaram o elo mais fraco, a Grécia e daí criaram um efeito dominó irreversível.
Estes indivíduos, são apátridas, julgam-se acima dos Estados.

Em boa verdade, este mantra de austeridade e de medidas de ajustamento, pode, com probabilidade cada vez mais elevada, não servir para nada. Isto num contexto, em que os ambiciosos políticos tentam fazer crer em cada um dos seus Estados, com mais ou menos estilo e carisma com que vendem aos seus contribuintes. Na realidade, os Estados super-endividados já perderam grande parte da sua soberania, apenas são intermediários para retirar às populações parte do seu rendimento, para pagar aos seus verdadeiros donos, os credores.
Não é um levantamento de multibanco gigantesco, mas sim, uma espécie de açambarcamento generalizado dos milhões de parcos rendimentos individuais. Ao mesmo tempo, que compram as suas empresas que gerem os recursos naturais de cada Estado.

É uma mega-fraude, com toda a gente a ver meia amorfa. Os recentes motins em Londres e em Atenas, diferentes entre si, são sempre diferentes, mas na base, têm sempre uma coisa em comum. Cada vez mais gente, sem temer nada a perder, pois já não têm nada a perder. E ainda estamos a ver amostras, do que para aí vem. Apenas se revelam as franjas marginais, quando forem as classes médias, sustentáculo dos Estados e das empresas, a coisa pode virar o boneco.

Apesar das inúmeras dissertações intelectuais, dos discursos de pseudo-esperança, o facto real, é que a cada dia assistimos a um afundar de leve, que é difícil, que é preciso cortar mais... e por aí adiante. Na verdade, o sistema está falido e vai-se adiando com mais dívida.
Andarmos aos tiros, por causa de latas de atum, garrafas de água e bidons de gasolina, já esteve mais longe.

2012, está aí ao virar da esquina!



Afinal, tudo isto é a brincar. Não é?