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sábado, 13 de agosto de 2011

O colapso


Será que as pessoas "ainda" não repararam que existe um dedo inteligente, nesta crise global?

A grande maior parte acredita que mais ou menos. Mais ou menos porque lhe afecta mais ou menos no seu dia-a-dia, embrulhado nos problemas lá do trabalho, nas questões familiares, no desenlace das telenovelas, da vida dos famosos das revistas e das doenças, principalmente, as crónicas e mais atrozes. Parece um jogo, mas não é? Ocupa o tempo, suga a energia e baralha com as emoções.
Tudo misturado e tem o dia feito, com as dificuldades que se desmultiplicam entre todos este factores. Torna o ser, ser mais conformado, mais amorfo à dor e em suma mais alienado. É a cartilha dos novos escravos.

Depois de lucrarem à grande, do chamado Terceiro Mundo, deixando-o desculturizado e esfacelado, viram-se agora para as sociedades ocidentais, envenenando os espíritos com divisões ideológicas.
Subsídios ou empresas? Emprego ou redução de consumo? Taxas de juro! Cotação do ouro! Uefa Champions League ou Jogos Olímpicos?
Tudo numa azáfama, debatendo os seus pontos de vista, no campo dos seus interesses.

Na verdade, existem pequenos grupos de indivíduos, que pensam nisto tudo e apostam que quanto pior melhor.
Têm quase todo o dinheiro do mundo e querem mais ainda. Têm triliões, apostam no descalabro. Arruínam países inteiros, para lhes depois comprarem as infra-estruturas ao desbarato. Este filme já foi visto em África em grande parte na América Central e do Sul. Agora estamos no passo seguinte, a Europa. Essa manta de retalhos de democracias que se governam a 3/4 anos em rotatividades mantidas por políticos ambiciosos que tudo fazem para se manterem à tona da superfície. Atacaram o elo mais fraco, a Grécia e daí criaram um efeito dominó irreversível.
Estes indivíduos, são apátridas, julgam-se acima dos Estados.

Em boa verdade, este mantra de austeridade e de medidas de ajustamento, pode, com probabilidade cada vez mais elevada, não servir para nada. Isto num contexto, em que os ambiciosos políticos tentam fazer crer em cada um dos seus Estados, com mais ou menos estilo e carisma com que vendem aos seus contribuintes. Na realidade, os Estados super-endividados já perderam grande parte da sua soberania, apenas são intermediários para retirar às populações parte do seu rendimento, para pagar aos seus verdadeiros donos, os credores.
Não é um levantamento de multibanco gigantesco, mas sim, uma espécie de açambarcamento generalizado dos milhões de parcos rendimentos individuais. Ao mesmo tempo, que compram as suas empresas que gerem os recursos naturais de cada Estado.

É uma mega-fraude, com toda a gente a ver meia amorfa. Os recentes motins em Londres e em Atenas, diferentes entre si, são sempre diferentes, mas na base, têm sempre uma coisa em comum. Cada vez mais gente, sem temer nada a perder, pois já não têm nada a perder. E ainda estamos a ver amostras, do que para aí vem. Apenas se revelam as franjas marginais, quando forem as classes médias, sustentáculo dos Estados e das empresas, a coisa pode virar o boneco.

Apesar das inúmeras dissertações intelectuais, dos discursos de pseudo-esperança, o facto real, é que a cada dia assistimos a um afundar de leve, que é difícil, que é preciso cortar mais... e por aí adiante. Na verdade, o sistema está falido e vai-se adiando com mais dívida.
Andarmos aos tiros, por causa de latas de atum, garrafas de água e bidons de gasolina, já esteve mais longe.

2012, está aí ao virar da esquina!



Afinal, tudo isto é a brincar. Não é?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Tempestade Perfeita


Actualmente, a América do Norte tem 7,5% da população mundial e 30% do PIB, a Europa cerca de 5% da população e 30% do PIB mundial, a Ásia tem também cerca de 30% do rendimento criado em todo o mundo e 60% da população do planeta. Este reajustamento ou pressão vai continuar, pelo lado asiático com fortes crescimentos económicos anuais, a subir na percentagem do PIB mundial, tal como os países que lhes sobram os restantes 10% do PIB, África e América Latina, por contrapartida da estagnação e até redução dos dois blocos económicos América do Norte e Europa. Deste caldo prestes a entornar, está principalmente a Europa, que vê a crescente incapacidade de manter a filosofia do estado social que criou a partir da 2ª Guerra Mundial.

Com crescendo contínuo, a Ásia, liderada pelos seus dois gigantes, China e Índia, criarem excedentes financeiros colossais e que para terem valor, foram investidos na dívida pública norte-americana, que acabou por ter um efeito perverso, uma espécie de vírus a circular nas veias do sistema financeiro.
Os banqueiros e traders norte-americanos sempre com sede de dinheiro e com índices elevados de ganância, começaram a constituir fundos de fundos, inventaram ainda mais fundos investimento de coisas absurdas, criaram fundos cotados na base de créditos a estudantes universitários e a créditos habitação de risco na crença da eterna valorização imobiliária. Quando as pessoas deixaram de pagar os seus créditos hipotecários por incapacidade financeira, o mercado imobiliário foi inundado de imóveis devolutos, à qual e impiedosa lei da oferta e procura, fez com que os imóveis desvalorizassem e por consequência muitos fundos de investimento começaram a ruir, levando alguns bancos a colapsarem. Esses fundos já tinham sido vendidos um pouco por todo o mundo, criando prejuízos irreparáveis, também um pouco por todo o mundo.

Já em 2005 o economista Nouriel Roubini afirmava "o preço dos imóveis residenciais surfava em uma onda especulativa, que brevemente faria afundar a economia", foi apelidado de Cassandra, hoje é considerado um génio. Hoje afirma que se está a formar a "Tempestade Perfeita" com base na crise orçamental dos E.U.A., no abrandamento da economia chinesa, na reestruturação das dívidas na Europa e na estagnação económica do Japão, "todos os países estão a adiar a questão da elevada dívida pública e privada, e todos estes problemas poderão vir ao de cima em 2013, o mais tardar", afirma o economista.
Não nos esqueçamos que há milhares de anos houve previsões para uma espécie de evento para Dezembro de 2012. Ou é uma enorme coincidência, ou é um enorme acaso das circunstâncias!

Sendo que agora se têm levantado algumas vozes dos principais credores da Grécia, que se esta cair terá consequências para a economia mundial. O factor psicológico do medo e da incerteza para assustar os mais incautos, que são a maior parte das pessoas.
Enquanto isso "ajudam" a Grécia com mais contratos de negócio, ou seja, mais empréstimos remunerados, só aprovados à consignação de extorquir ainda mais o povo.
Se há um ano a Grécia não tinha condições para pagar a dívida, hoje e mais endividada, obviamente menos condições tem. Tal como Portugal, tal como a Espanha, a Bélgica, a Itália e por aí adiante. As economias europeias estão estagnadas, os mercados para onde antes exportavam, tem agora cada vez mais concorrentes a vender mais, melhor e mais barato, sem esquecer que esses concorrentes não têm estados sociais para alimentar, nem direitos laborais para acautelar.

A questão de que se fala acerca da regulação é outra enorme falácia, não existe, nem existirá. Pois a quem cabe regular é uma das partes interessadas na desregulação, porque no caos, se fazem bons negócios.
Tal como o clima e as tempestades cada vez mais violentas, que custam muito dinheiro. Vejam-se os casos recentes do Japão e da Nova Zelândia.

Isto está demais ...!
Ou será que passou na cabeça de alguém de que vivemos numa sociedade regulada?



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Guiné-Bissau

Guiné-Bissau é um pequeno País na costa ocidental africana. Foi colonizado por portugueses durante séculos. Talvez um dos grandes males do continente africano, a colonização do europeu na infindável procura de exponenciar o seu rendimento, qual vampiro de recursos e com as bençãos do Espírito Santo para justificação inconsciente dos seus actos, ocupou sem ressarcir quem já lá vivia à muito tempo. Numa lógica de superioridade e discurso de um só sentido - Tu não sabes, eu é que sei. Vou-te dizer como é que se faz.

Após séculos de tremendos abusos, as revoltas transformaram-se em guerrilhas, muitas organizadas e apoiadas logística e tacticamente, mais uma vez, por brancos oportunistas com o objectivo de colher os "juros" mais tarde.
No caso português, o mais infeliz, derivado de ter um governo fascista e pouco hábil na cena internacional, pode-se dizer mesmo, com fraca visão de conjunto, teimou numa guerra em várias frentes. Como consequência directa ceifou milhares de vidas, evitáveis e amputadoras psicológicas de outras tantas. Algumas ainda perduram nos nossos dias.

Dessa guerra, talvez a da Guiné, tenha sido a mais dura e difícil, o mato denso era propício para as emboscadas e para a luta de guerrilha.
Os soldados portugueses ouviam falar de Nino. Nino para ali, Nino para aqui. O grande guerrilheiro.
Declarou a independência da Guiné em 1973. Tornou-se o líder da embrionária nação.
Tornou-se um político à moda africana. Mandou matar, fez negócios com empresários de "olho grande", saiu e voltou. Considerava já a Guiné como sua. Foi um corrupto e assassino.
Deixa como legado um País sem infra-estruturas, o silêncio da noite é ocupado pelo som dos geradores (só alguns edifícios governamentais é que têm energia eléctrica) e nas suas múltiplas veias doenças e droga cultivada do outro lado do Oceano Atlântico.

Nos últimos tempos devido à sua localização geográfica ser de uma importância estratégica vital para o narco-tráfico colombiano como plataforma giratória para o mercado europeu, sucumbiu com facilidade ao dinheiro fácil de uma indústria em franca expansão, dos que movimentam mais dinheiro neste mundo desgraçado logo atrás do tráfico de armas. A Guiné deixou de ser independente novamente para estar nas mãos de outro poder.
Muito por via do seu Arquipélago dos Bigagós com a foz do rio Geba a intermediar o continente. Conjunto de ilhas onde os seus locais vivem principalmente da pesca.
Por altura da guerra colonial havia ali somente uma pista de aviação, donde a tropa portuguesa ia lá de vez em quando comprar peixe fresco para abastecer os quarteis de Bissau. Hoje nem se sabe bem quantas pistas de aviação tem, algumas são retrácteis, aparecem e desaparecem, tem cerca de 40 postos de combustível para aviões. Concerteza que não é para escoar o peixe ali pescado.
Mas sim para receber os aviões oriundos da América Latina carregadinhos de droga, para logo depois em potentes barcos a distribuir por canais muito bem montados.

Pesando os prós e contras, liberalizar a droga, teria o efeito imediato de esvaziar este tipo de negócio. Pois o viciado, de uma ou de outra forma, continuará a consumir. Nem que roube ou se prostitua. Até aqui, a questão do status é interessante observar. O drogado pobre acessa a um produto já muito misturado e de má qualidade, daí resulta a tez meio acastanhada da pele e a desdentação. O drogado rico faz as linhas com cartão de crédito gold e assume altas responsabilidades em empresas onde trabalham pessoas que daí obtém o sustento para as suas famílias. Tem é mais esforço para disfarçar quando lhe arrebenta uma veia do nariz ou sofre carências do produto em situações mais embaraçosas.
Voltando ao problema de fundo, não interessa liberalizar tal comércio, pois são os próprios governos de muitos países que lucram com o negócio.
Porquê é que os E.U.A. mantém uma forte presença militar no Afeganistão?
Para quem defende uma concepção mais religiosa de que Deus dá o sustento através da terra. Por caminhos ínvios acaba por estar certo.

Quanto a Nino, ironia das ironias, quem liquidou tantos soldados de G3 ao ombro, sucumbe agora com um tiro de G3 na cara.
Misteriosos são os caminhos da ironia.

Apesar de tudo, é triste este interminável ciclo kármico africano, de morte pela luta do poder e no qual o dinheiro, proveniente das "potências", alimenta. Enquanto as populações vivem, ou melhor, sobrevivem com carências a todos os níveis.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Coisas Imaginárias

Das várias definições de ficção escolhi esta da Enciclopédia Larousse: "Acto ou efeito de simular, fingimento; criação do imaginário, aquilo que pertence à imaginação, ao irreal; fantasia, invenção". Isto para chegarmos à ideia que vivemos num mundo completamente ficcionado, refiro-me aos preços de bens materias e não materiais. A Lei da oferta e da procura serviria na sua génese para equilibrar preços e produções consoante as variáveis da oferta e procura. A explicação lógica tem a melhor das intenções, logo, viveríamos num mundo mais justo e com o preço mais justo. Só que a natureza humana consegue desvirtuar em absoluto este sistema, que, poderia resultar numa comunidade de seres éticos e com respeito pelo o próximo. Mas como o nosso estado evolutivo ainda é a selva, acontece exactamente o contrário.
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Vejamos, na nossa sociedade, uma pessoa que fala sozinha, que diz que vê coisas que mais ninguém vê, diz-se logo que está maluquinho ou não é muito certo da cabeça. Vamos agora supôr a seguinte situação:
"Um homem chega a casa depois da sua jornada de trabalho e a sua mulher pergunta-lhe como correu o seu dia, ao qual ele responde - Olha eu hoje comprei uma produção de trigo que ainda não existe e vendi 2 toneladas de café da Indonésia que ainda não foi cultivada e tenho três petroleiros parados no oceano à espera que o preço suba mais um pouco. A mulher diz-lhe - Querido voltaste a esquecer-te de tomar o Prozac outra vez!" (esta última sou eu a brincar).
Ou seja, o mercado de capitais, é o irreal, aquilo que não existe, a ficção, só que, revestido de seriedade, credibilidade porque se dá valor a isso. Todos os dias úteis se transfere muito, muito dinheiro de uns para outros. É tudo virtual. Ninguém vê a cor do dinheiro. Tudo contabilisticamente guardado em suportes informáticos.
Há muitos anos na América alguns financeiros propuseram a agricultores que lhe davam X pela sua próxima produção. O agricultor que dependia do factor climatérico para ganhar mais ou menos, aceitava, porque assim, tinha um rendimento certo. Então se tinha um ano muito bom e o lucro da sua produção era X+Y ele ficava com o X contratado com o financeiro e este ficava com o Y. Se fosse ao contrário ganhava na mesma o X e ficava o financeiro com o prejuízo. Assim foram os primódios dos futuros. Hoje é muito mais complexo, mas, a base é igual.
Que o diga o Société Générale (banco francês) que no ano passado - por intermédio de um seu funcionário - perdeu muitos milhões de euros, ou seja, passaram para outras mãos. Os responsáveis logo se descartaram de que nada sabiam, nem os auditores, ninguém sabia de nada. Descredibilizaram o rapaz dizendo que ele não era muito certo e tal, técnica habitual. Só que, quando ganhava dinheiro para o banco estava tudo bem.
Os preços das acções das empresas não reflectem o real valor das mesmas. Especula-se, espalham-se boatos, são dadas informações a conta-gotas, tudo, para manipular os preços, e claro está, ganhar dinheiro. Há conta de quem ? Não interessa.
Nos luxuosos restaurantes de Manhattan decide-se o fecho de fábricas no outro lado do mundo. Importa lá se há pessoas que deram quase uma vida inteira de trabalho para a empresa. Tudo está no deve e haver.
Veja-se por exemplo o caso da Galp no Brasil. Estratégicamente sai a informação que se descobriu mais um poço de petróleo e logo as acções disparam. Quando já têem a informação toda, compassam-na no tempo para subir o valor das acções a seu bel-prazer.

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Diamantes, outro exemplo, de manipulação artificial de preços. Sei através de um familiar que trabalhou muitos anos numa Companhia Belga na Lunda Norte em Angola que diamantes há muitos. Mesmo muitos. E que depois da independência também serviu para financiar a máquina de guerra da UNITA. Nos pescoços de muitas madames brazonadas e nas colecções de jóias de casas reais está uma pequena percentagem dos diamantes prospectados e lapidados. Existe um monopólio de algumas Companhias Belgas e Holandesas que compram tudo o que aparece e guardam, muito bem guardadinho em Antuérpia e Amsterdão (do que se sabe) muitos diamantes em bruto vindos de África, de zonas de guerra, alguns ainda vêem com sangue de alguém que foi para o Extrafísico. Mas, facto, é que o diamante, é uma pedra preciosa, uma pedra rara e valiosa. Morre gente em guerras inócuas, gente que fica estropiada e crianças que ficam sem Pais. Mas o Preço é que interessa. Azar de quem foi apanhado no meio. Interesses mais relevantes se impõem. O Filme "Blood Diamonds" feito para o mass-market e tirando as Loves Stories que adornam habitualmente estes produtos, está muito bom e mostra bem a questão dos diamantes em África.

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A questão do sub-prime americano outra ficção imaginária da sobre-valorização dos imóveis, serve de desculpa para tudo, quando se fala de que isto está mau. Lá muita gente não consegue pagar os empréstimos, depois os bancos executam as hipotecas, no final as habitações valem muito menos do que está escriturado e o valor que lhes dão nem dá para limpar o rabo.
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Por fim a Galp. Todos batem na Galp nos dias de hoje. Entre as petrolíferas a Galp é o elo mais fraco, todos nós sabemos. Mas volto à questão ética. Obviamente que esta situação tem suporte legal e admnistrativo. Mas moral e éticamente como é possível a mesma empresa que compra o petróleo no mesmo fornecedor, refina nas mesmas instalações, tem preços muito diferentes em Elvas e Badajoz. É uma questão a pensar. O nosso (des)governo diz que não tem margem orçamental para baixar o ISP mas não tem qualquer problema em estar a ganhar mais receita com o aumento dos preços.
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Qualquer semelhança com a realidade deste post é pura coincidência.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Hotel Ruanda

Ontem revi o filme pela enésima vez "Hotel Rwanda" que passou na RTP 1. Realizado por Terry George e nos principais papéis actores como: Don Cheadle, Sophie Okonedo, Nick Nolte e Joaquin Phoenix.
O cinema, com o filme Hotel Ruanda, mostra a selvajaria e a brutalidade dos factos ocorridos e o despertar de sensibilidades para com as crueldades que afligem o continente africano. O massacre da população Tutsi pelos Hutus, em 1994, em Ruanda, um país pobre, da região central da África, exportador de chá e de café que deixou de ser colónia da Bélgica, tornando-se independente em 1962.
O conflito que dilacerou o Ruanda, matando aproximadamente 800.000 pessoas - repito 800.000, da etnia Tutsi pelos da etnia Hutus, em 100 dias, em 1994, é um dos resultados do legado colonial que as autoridades, principalmente, belgas e francesas se negavam a assumir.
Amparado intrafísicamente por Paul Rusesabagina ( Don Cheadle), cidadão ruandense, Hotel Ruanda procura dar visibilidade ao genocídio ao mesmo tempo em que encena a indiferença da ONU, da Bélgica, da França, da Inglaterra e em geral pela Comunidade Internacional ( umas das maiores representações abstractas do nosso Planeta ) quando se negaram a interferir e a evitar o massacre dos tutsis.
Em Hotel Ruanda o sofrimento que se vê é representação, a violência não é explícita e não está totalmente revelada. Por mais que se queira mostrar, a real e violenta realidade não está em cena, ela escapa da tela porque está na vida, na memória e na pele dos sobreviventes de Ruanda. Propositadamente para ser visto nas escolas.
Imagens essas que nos entram pela casa dentro e comentamos: - Dão isto logo agora que eu tou a jantar! E vemos uns petizes com bazoocas ( às vezes maiores que o seu soma ) artilhadas com a mais alta tecnologia que o denominado mundo ocidental tem para oferecer distribuidas pelos seus comissionistas - traficantes de armas. Para melhor compreender preços e especificações técnicas ver site russo muito bem elaborado e com toda a informação mais actual do mercado - http://world.guns.ru/
Em baixo um trailer do filme da MGM.

Quando me perguntam se sou um gajo feliz, eu respondo que não. Só um bicho totalmente egocêntrico ou com muita falta de informação poderá responder que sim a tal ingénua pergunta. Porque todos nós estamos ligados, nem que seja, pela Respiração. Todos respiramos, neste Planeta, a atmosfera que nos é dada sem percebermos exactamente, porquê.
Por isto vemos o quanto a Humanidade tem para evoluir. As etnias, a cor da pele, as religiões, as ideologias politicas, o mijar perímetros fisicos ( fronteiras estaduais ) como os outros animais, etc ... São fruto das nossas fraquezas enquanto seres humanos. A incapacidade de sermos seres livres ( que somos ) sem nos escondermos num qualquer grupo ou facção. A união faz a força, mas este conceito - na minha opinião - é ainda entendido de uma forma errada. Não é agruparmo-nos em uma espécie de "grupo de clube amigos disney" para combater outro grupo que vamos lá. Com isto apercebemo-nos que com diálogo ético, inteligente e compaixão ainda não se resolvem com seriedade os variados conflitos que demandam de resolução.
Nascemos e morremos, nascemos e morremos, nascemos e morremos em série. Já nascemos e morremos em várias partes do globo, com cores de pele diferentes e com os variadissímos status sociais. Em boa verdade, vos digo, que a nossa média evolutiva já poderia ser um bocadinho melhor.