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domingo, 13 de setembro de 2009

France Telecom


Segundo as últimas notícias, no último ano e meio, suicidaram-se 22 trabalhadores, noutra linguagem, colaboradores, pois na semântica encerram-se várias caracterizações ideológicas.

Na realidade, a escravatura e as grilhetas, estão e sempre estiveram presentes na (des)organização do trabalho. No que outrora era chicote no lombo e nas panturrilhas, hoje é substituído, por técnicas psicológicas, fruto de desenvolvimento de um conhecimento, que deveria ser para benefício da humanidade, como quaisquer outros.

A empresa em causa, a France Telecom, e para que não se esqueça, é um todo um conjunto de pessoas, que todos os dias dedicam grande parte de suas vidas, alguns, há muitos anos. Mas tendências das últimas décadas, as administrações, quadros dirigentes e intermédios, vêm bebendo uma cultura dominante de alcance de objectivos a qualquer custo.
A forma como são formados os objectivos não são questionados. Recordo que a ambição da carreira profissional e o dinheiro, não são tudo na vida, longe disso.

Por isso tem de haver opções, na forma comportamental do dia-a-dia.

Não é colocar um funcionário numa sala com uma mesa e cadeira sem nada para fazer, colocar funcionários a tirar agrafos em pilhas de papel, colocar funcionários a organizar por letra alfabética arquivo morto, mudar constantemente o local de trabalho, mudar constantemente os produtos que vende, destruir laços entre colegas, em suma, o velho "dividir para reinar".

Estas empresas existem por aí, infelizmente, em grande número. Com a benção dos Estados que também praticam as mesmas técnicas na sua administração.
No caso da France Telecom, a administração perante a gravidade da situação, mais pela exposição, reconheceu alguns erros e tomou algumas medidas para inverter esta política assassina.
Sem contar as muitas centenas, senão milhares, de trabalhadores que poderão estar à beira do limite.

De salientar, que se houver cada vez mais pessoas informadas, ou seja, consumidores atentos, estas empresas deixarão de ter viabilidade, pois os seus produtos não serão adquiridos.
Aos consumidores, pede-se apenas, que quando comprarem vejam se o funcionário está a sangrar.

sábado, 14 de março de 2009

Bombas - Relógio

Mais uma estourou...
Tim Kretschmar, um miúdo alemão de 17 anos, entrou armado e vestido com uniforme para-militar munido de uma pistola-metralhadora Beretta e com o sopro da morte à sua volta, qual pára-raios.
Em Abril de 2007 no pior ataque escolar da história o jovem sul-coreano Cho Seung-hui (na foto) com duas Glocks na mão fustigou violentamente durante cerca de duas horas e pouco os que estavam na hora errada e no local errado no Virgina Tech, onde os colegas lhe chamavam - O chinoca de merda. Matou 32 pessoas entre colegas e familiares.
Veja aqui a cronologia dos ataques às escolas por adolescentes.

Que sociedade estamos a construir?
Melhor, que sociedade estão a balizar-nos?
Qual a capacidade de prever e entender estes actos anormais?

Sociedade compressora da vida livre, do indivíduo ter a sua dignidade salvaguardada. Do crescente controlo absoluto de comportamentos sociais.
Que contabiliza males menores, como pontas soltas ingenuamente tidas como controláveis.

É constrangedor ver os psicólogos a nadarem por completo nestes casos. Não conseguem identificar indícios, pistas nem políticas preventivas. Só conseguido analisar o pós.
Também a sociologia tendo como Pai da disciplina Emile Durkheim terá que se reinventar e encontrar novas fórmulas de estudo social.
Será necessário um esforço suplementar nestas duas áreas, principalmente, na pesquisa de novos termos, novos comportamentos, novas motivações e enquadrar no modelo vigente em que vivemos, o neo-liberalismo puro e duro, ou seja, o capitalismo selvagem. Propulsor e potenciador destes fenómenos.

O que leva estes jovens "aparentemente" bem a cometer tais actos?
Será que não têm mais nada para fazer?
Bullying não físico, mas mental? Desequilibrando lentamente a mente do indivíduo.
A maior parte tem boas condições de vida; boas escolas, playstations, computadores, televisões e acesso à informação.
A globalização também potencia fenómenos de imitação. Mas é extremamente redutor afirmar-se que os jogos de computador violentos são os principais responsáveis. Quando milhões de jovens em todo o mundo os jogam. Terá que haver um click detonador mais forte para os levar a ultrapassar em muito a linha do racional.
Estes casos têm características semelhantes, no momento têm o domínio do espaço e depois suicidam-se. Nem polícia, nem autoridades judiciais lhes conseguem deitar a mão. Encaram o acto como uma missão, da qual são uma espécie de justiceiros numa fantasia de vingança. Mas que, infelizmente é real.

Todos os imponderáveis têm que ser colocados em cima da mesa. Nada pode ser menosprezado.
Por isso todos os conhecimentos que a consciência já consegue alcançar deverão ser utilizados para prevenir e minorar este fenómeno que têm tendência a aumentar.
Alguns destes miúdos serão já ressomas de vidas passadas nos finais do séc. XIX e inícios do séc.XX, vítimas frutos da revolução industrial e da 1ª Grande Guerra Mundial. Portanto ainda estarão por nascer os tremendos karmas originados ao longo do séc. XX.
Numa lógica evolutiva um karma criado será resolvido numa vida de amor, nomeadamente, numa relação familiar; pai-filho, irmãos. Só que às vezes o karma é tão forte, e sem os intervenientes conhecerem as vidas passadas, a química negativa daí resultante, gera ódios incontroláveis, e quando os karmas são grupais, gera sentimentos brutalmente anti-sociais. Proporcionalmente estarão a nascer em maior número nos E.U.A., mas também, na Europa Central, na Rússia e Japão.
Importante seria analisar os dois a três dias anteriores destes monstrinhos dos terríveis actos. Os seus comportamentos, a maneira de olhar, a interacção relacional com a família e na escola entre outros. Pois existem indícios claros de fortes possessões mediúnicas.
Conjugando todos estes conhecimentos poderia-se, talvez, "pinçar" potenciais bombas-relógio.

O vídeo que se segue é de uma banda chamada Black Sabbath e a sua música é de 1970 - Paranoid. Na época trazia uma sonoridade diferente ao que se estava habituado. Era considerada muito violenta. Hoje pode-se considerar que tem um ritmo normal.
A mente humana tem tendência a não relativizar a importâncias das coisas.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Guiné-Bissau

Guiné-Bissau é um pequeno País na costa ocidental africana. Foi colonizado por portugueses durante séculos. Talvez um dos grandes males do continente africano, a colonização do europeu na infindável procura de exponenciar o seu rendimento, qual vampiro de recursos e com as bençãos do Espírito Santo para justificação inconsciente dos seus actos, ocupou sem ressarcir quem já lá vivia à muito tempo. Numa lógica de superioridade e discurso de um só sentido - Tu não sabes, eu é que sei. Vou-te dizer como é que se faz.

Após séculos de tremendos abusos, as revoltas transformaram-se em guerrilhas, muitas organizadas e apoiadas logística e tacticamente, mais uma vez, por brancos oportunistas com o objectivo de colher os "juros" mais tarde.
No caso português, o mais infeliz, derivado de ter um governo fascista e pouco hábil na cena internacional, pode-se dizer mesmo, com fraca visão de conjunto, teimou numa guerra em várias frentes. Como consequência directa ceifou milhares de vidas, evitáveis e amputadoras psicológicas de outras tantas. Algumas ainda perduram nos nossos dias.

Dessa guerra, talvez a da Guiné, tenha sido a mais dura e difícil, o mato denso era propício para as emboscadas e para a luta de guerrilha.
Os soldados portugueses ouviam falar de Nino. Nino para ali, Nino para aqui. O grande guerrilheiro.
Declarou a independência da Guiné em 1973. Tornou-se o líder da embrionária nação.
Tornou-se um político à moda africana. Mandou matar, fez negócios com empresários de "olho grande", saiu e voltou. Considerava já a Guiné como sua. Foi um corrupto e assassino.
Deixa como legado um País sem infra-estruturas, o silêncio da noite é ocupado pelo som dos geradores (só alguns edifícios governamentais é que têm energia eléctrica) e nas suas múltiplas veias doenças e droga cultivada do outro lado do Oceano Atlântico.

Nos últimos tempos devido à sua localização geográfica ser de uma importância estratégica vital para o narco-tráfico colombiano como plataforma giratória para o mercado europeu, sucumbiu com facilidade ao dinheiro fácil de uma indústria em franca expansão, dos que movimentam mais dinheiro neste mundo desgraçado logo atrás do tráfico de armas. A Guiné deixou de ser independente novamente para estar nas mãos de outro poder.
Muito por via do seu Arquipélago dos Bigagós com a foz do rio Geba a intermediar o continente. Conjunto de ilhas onde os seus locais vivem principalmente da pesca.
Por altura da guerra colonial havia ali somente uma pista de aviação, donde a tropa portuguesa ia lá de vez em quando comprar peixe fresco para abastecer os quarteis de Bissau. Hoje nem se sabe bem quantas pistas de aviação tem, algumas são retrácteis, aparecem e desaparecem, tem cerca de 40 postos de combustível para aviões. Concerteza que não é para escoar o peixe ali pescado.
Mas sim para receber os aviões oriundos da América Latina carregadinhos de droga, para logo depois em potentes barcos a distribuir por canais muito bem montados.

Pesando os prós e contras, liberalizar a droga, teria o efeito imediato de esvaziar este tipo de negócio. Pois o viciado, de uma ou de outra forma, continuará a consumir. Nem que roube ou se prostitua. Até aqui, a questão do status é interessante observar. O drogado pobre acessa a um produto já muito misturado e de má qualidade, daí resulta a tez meio acastanhada da pele e a desdentação. O drogado rico faz as linhas com cartão de crédito gold e assume altas responsabilidades em empresas onde trabalham pessoas que daí obtém o sustento para as suas famílias. Tem é mais esforço para disfarçar quando lhe arrebenta uma veia do nariz ou sofre carências do produto em situações mais embaraçosas.
Voltando ao problema de fundo, não interessa liberalizar tal comércio, pois são os próprios governos de muitos países que lucram com o negócio.
Porquê é que os E.U.A. mantém uma forte presença militar no Afeganistão?
Para quem defende uma concepção mais religiosa de que Deus dá o sustento através da terra. Por caminhos ínvios acaba por estar certo.

Quanto a Nino, ironia das ironias, quem liquidou tantos soldados de G3 ao ombro, sucumbe agora com um tiro de G3 na cara.
Misteriosos são os caminhos da ironia.

Apesar de tudo, é triste este interminável ciclo kármico africano, de morte pela luta do poder e no qual o dinheiro, proveniente das "potências", alimenta. Enquanto as populações vivem, ou melhor, sobrevivem com carências a todos os níveis.