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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A spell on you


Despertar pode vir, também por encantamento, por magia. Não pela magia que a palavra em si encerra, mas pelo lado misterioso que se abre nas dúvidas, do terra-a-terra, da ignorância e pelo medo do escuro.
Do alto da sapiência geral - quase igual a zero - da comunidade que habita este globo pesado carregado por Atlas, tem destaque e quase sempre os traços fardos das consciências.
O ego, é o mais difícil de trabalhar; "Porquê eu?", " Eu que sou tão bonzinho!", "Eu merecia melhor...", "Se os outros fazem, porque não eu também!?", "Eu que sou doente.", "Tenho o direito à indignação (mesmo que não saiba, a que se está a indignar)", "Eu que sou muito honesto..." e etc. e tal... todos choram, cada um à sua maneira.
Depressão e variantes, euforia exagerada, psicoses mais, semi ou menos maníacas, descontrole do ego e principalmente, a inveja e o desdenho, o suicídio ou a sua tentativa, também o reumatismo e a espandilose. Tudo dói, seja no corpo ou na alma e se a dor é parte de nossas vidas, indubitavelmente, tem de se aprender a trabalhar com ela, facto impossível de atalhar.
Por isso, numa vida só, temos vários apontadores de estados da consciência. Um estado de alma de ontem pode sê-lo hoje e vice-versa, um que almeja no futuro pode sê-lo já, por entre-linhas viajar no tempo já é possível, pelo menos, na forma mental.

Fica a música de Nina Simone, um génio musical, uma sina. Mistura perfeita de gospel, blues, folk, jazz e principalmente, soul.
Oh Lord!
Imagino um lord de chapéu branco a segurar cabelos saídos da nuca de uma escrava de joelhos em eflúvios de saliva com movimentos forçados e repetitivos.
É uma das partes da história do nosso planeta... que passada, mas real e acontecida.
Sempre novos karmas se criam... A maior parte vai-se desquadrilhando, mas a este ritmo, o processo será longo.
O "longo" é relativo como tudo na vida e na morte, esses dois pormenores que ocupam o espectro mental dos incautos, o além disso, são as fronteiras interessantes de percorrer...

domingo, 13 de setembro de 2009

France Telecom


Segundo as últimas notícias, no último ano e meio, suicidaram-se 22 trabalhadores, noutra linguagem, colaboradores, pois na semântica encerram-se várias caracterizações ideológicas.

Na realidade, a escravatura e as grilhetas, estão e sempre estiveram presentes na (des)organização do trabalho. No que outrora era chicote no lombo e nas panturrilhas, hoje é substituído, por técnicas psicológicas, fruto de desenvolvimento de um conhecimento, que deveria ser para benefício da humanidade, como quaisquer outros.

A empresa em causa, a France Telecom, e para que não se esqueça, é um todo um conjunto de pessoas, que todos os dias dedicam grande parte de suas vidas, alguns, há muitos anos. Mas tendências das últimas décadas, as administrações, quadros dirigentes e intermédios, vêm bebendo uma cultura dominante de alcance de objectivos a qualquer custo.
A forma como são formados os objectivos não são questionados. Recordo que a ambição da carreira profissional e o dinheiro, não são tudo na vida, longe disso.

Por isso tem de haver opções, na forma comportamental do dia-a-dia.

Não é colocar um funcionário numa sala com uma mesa e cadeira sem nada para fazer, colocar funcionários a tirar agrafos em pilhas de papel, colocar funcionários a organizar por letra alfabética arquivo morto, mudar constantemente o local de trabalho, mudar constantemente os produtos que vende, destruir laços entre colegas, em suma, o velho "dividir para reinar".

Estas empresas existem por aí, infelizmente, em grande número. Com a benção dos Estados que também praticam as mesmas técnicas na sua administração.
No caso da France Telecom, a administração perante a gravidade da situação, mais pela exposição, reconheceu alguns erros e tomou algumas medidas para inverter esta política assassina.
Sem contar as muitas centenas, senão milhares, de trabalhadores que poderão estar à beira do limite.

De salientar, que se houver cada vez mais pessoas informadas, ou seja, consumidores atentos, estas empresas deixarão de ter viabilidade, pois os seus produtos não serão adquiridos.
Aos consumidores, pede-se apenas, que quando comprarem vejam se o funcionário está a sangrar.