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sábado, 17 de novembro de 2012

Pode ser Portugal a destruir o Euro


Um "default" é acidente. Dois já é uma crise sistémica.
Quem o diz é Matthew Lynn, antigo colunista da Bloomberg News, sublinhando que Portugal voltará a ter um importante papel no palco mundial.

Segundo ele, poderá ser Portugal o responsável pelo colapso do Euro. No seu mais recente artigo de opinião, publicado na "Marked Watch", Lynn começa por relembrar a importância do país para a história mundial, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, que dividiu o mundo não europeu entre a Espanha e Portugal em1494.

Enquanto consabidamente, a Grécia tem vindo nos últimos anos a "aldrabar" as suas contas com a assessoria técnica, principalmente, dos estafermos que pululam na Goldman Sachs, por outro lado, Portugal esforça-se por ser o aluno aplicado e submisso dos credores internacionais.
Se fosse a Grécia a cair sozinha, os danos seriam contidos com o argumento relativo aos excessos gregos, mas se outro país cair e Portugal está na forja, evidenciaria que o euro na verdade, é uma moeda disfuncional.
Uma moeda cunhada sob regimes fiscais totalmente diferentes, ritmos económicos demasiadamente díspares e sistemas políticos muito diferentes entre si, leva-nos ao imbróglio que actualmente vivemos, donde é evidente, que as instituições europeias completamente atadas nos labirintos legislativos, navegam à vista.

O analista compara a situação de Atenas e de Lisboa, destacando que Portugal - um dos países mais pobres da União Europeia - com um PIB per capita de apenas 21.000 USD, significativamente  abaixo dos 26.000 USD da Grécia, fixou metas de redução do seu défice de 4,5% em 2012 e de 3% para 2013.

"Então e como está a sair-se?", questiona-se. E responde: "Quase tão bem como a Grécia, ou seja, nada bem".

O Citigroup estima que a economia encolha 5,7% em 2012 e mais 3% em 2013. Matthew Lynn recorda o estudo da Universidade do Porto, divulgado recentemente, que diz que a economia paralela aumentou 2,5% no ano passado e que representa agora cerca de 25% da actividade económica portuguesa, de referir, que não existe qualquer expectativa de que estes dados mudem a breve trecho. Salienta o jornalista que " As empresas portuguesas simplesmente não conseguem sobreviver a pagar as taxas de imposto que lhes foram impostas... E que os objectivos de redução do défice não vão ser cumpridos ".

Em resposta, a União Europeia, representada por uns encardidos de fato e gravata, exigem mais e mais austeridade, o que significa, a economia a contrair-se ainda mais. É um círculo vicioso que estas aventesmas (subentenda-se por aventesmas a dupla Coelho e Gaspar) não percebem.
Para "ajudar" ainda mais nesta questão, o governo português apresenta através do OE para 2013, o golpe de misericórdia para a economia lusa.

No total os bancos têm uma exposição de 244 mil milhões de USD a Portugal, contra 204 mil milhões de USD de dívida grega, segundo os dados do Banco de Pagamentos Internacionais. O grosso da dívida é detido pela Alemanha e pela França, na parte da dívida privada, que é bem mais substancial que a pública, é bem provável, que a maior parte seja detida por bancos espanhóis, com a saúde financeira que todos nós conhecemos.

Resumidamente, segundo o ex-colunista da Bloomberg - " Se um país entrar em incumprimento, dentro de uma união monetária, isso pode ser visto como um acidente infeliz. Todas as famílias têm uma ovelha negra. Mas quando um segundo país cai, o caso fica muito mais sério".

É uma questão de tempo... Para o deslize completo.


Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Catastroika


O documentário Catastroika financiado por cidadãos gregos e de outros países, rompe com o discurso do politicamente correcto, apanágio dos média que as massas incautas consomem e que tomam como verdade real.
Elaborado pela mesma equipa grega que produziu Dividocracia, o documentário em baixo segue os temas das privatizações das empresas públicas com mais detalhe, empresas em sectores chave de economias - nos dias de hoje em pseudo-soberanias - sectores tais como; comunicações, energia, transportes e água, fundamentalmente.
Empresas que durante décadas construíram suas infra-estruturas financiadas pelos cidadãos, na figura jurídica de contribuintes de Estados, para agora sob o pretexto de uma complexa crise iniciada por uma zona cinzenta e obscura financeira, alimentada pela completa desregulação dos mercados, o santo-graal de merda, onde estes vampiros ultra neo-liberais beberam o seu modus vivendi de actuação.
Na verdade, o que vivemos, não é algo desordenado, mas sim, algo muito bem planeado e construído. O que leva sempre à seguinte questão - Será que contaram com os imponderáveis?
Assistimos meio anestesiados, meio conformados, ao maior roubo da história dos tempos. A liquidação total do que foi construído e financiado pelas populações durante décadas, para passar de repente e sem pagar o preço certo,  a mãos privadas, de que não sabe muito bem quem são. Ao mesmo tempo que se vai criando a ideia do funcionário público como abominável e sugador dos recursos.
Quando na verdade, como comprovam os factos, nos países outrora privatizados, desde a energia às comunicações, desde os transportes aos sistemas de saúde, nada melhorou, pelo contrário, a qualidade dos serviços públicos deterioram-se, a corrupção não baixou e a desburocratização não se concretizou. Ficaram apenas a ser geridos por múltiplos conselhos de administração que objectivam em primeira linha o lucro ao accionista que financia (com dinheiro de terceiros, diga-se de passagem ), tão somente.
O documentário termina com uma questão pertinente - Você quer ser livre, ou viver tranquilo? As duas ao mesmo tempo são impossíveis, logo tem de haver uma escolha.


Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

sábado, 12 de maio de 2012

Grécia: A mudança de paradigma


Na semana passada, a crise iniciada em 2008 teve mais um novo episódio por força das eleições legislativas gregas. O povo grego fustigado pela austeridade imposta pela troika - FMI, UE e BCE, castiga duramente os "auto-aclamados" partidos políticos do arco governativo ou também chamados de partidos do consenso, que trocam entre si o poder dando a ilusão às massas que escolhem realmente alguma coisa.
É a velha escolha entre a Pepsi e a Coca-Cola, quando afinal o dono é o mesmo. Ou seja, a farsa que é na verdade, o chamado mundo democrático, quando afinal o dono é essa coisa tenebrosa, a ditadura financeira, que não tem nacionalidade e sem rosto, que se alastra e envenena as sociedades mundiais.

Do resultado eleitoral, saiu um emaranhado político que como se previa não resultou na formação de um governo maioritário, nem mesmo os tais do arco, o Pasok e a Nova Democracia - o equivalente em Portugal ao PS e PSD respectivamente - juntos conseguem obter a maioria no parlamento grego.
Dessa forma chegamos ao ponto mais crítico desta crise, ou tudo continua na mesma, ou vamos ter agora a catarse, o ponto de viragem que terá um efeito dominó de consequências imprevisíveis.
Aqui emerge a figura de Alexis Tsipras, líder do segundo partido mais votado, o SYRIZA. Como muito provavelmente irão se realizar novas eleições e com uma dinâmica de vitória em torno de Tsipras, a juntar que na Grécia o partido mais votado tem direito a um bónus de mais 50 deputados, podemos estar na iminência de ter um governo fora do arco governativo no poder. Para já e como esse facto agora pode ser real, a ditadura financeira começa a assustar-se, a começar pelas medidas que Tsipras já anunciou que irá tomar se chegar ao poder e pelas ondas de choque que provocou nos mercados financeiros por todo o mundo.
Dentre as principais: a nacionalização de toda a banca grega e a devolução por parte desta de 200 mil milhões de euros que se consideram retidos e que deveriam ser entregues ao Estado; o fim do memorando de entendimento com a troika; uma investigação apurada sobre o histórico da dívida grega, bem como, a retirada de imunidade parlamentar aos deputados.

Sem dúvida e como muitos o previram esta situação explosiva é o resultado directo dos contratos de empréstimo mal e gananciosamente concebidos que asfixiam as economias intervencionadas. A começar nos prazos curtos contratados e pior, nos juros cobrados na "ajuda" que os políticos do arco e os média gostam de renomear, o que na verdade, são terríveis pactos de agressão contra os povos que suportam estes acordos que fazem ganhar muito dinheiro aos credores. Só por exemplo em Portugal, gasta-se mais nos juros, do que na saúde e na educação, fora as amortizações de capital. Facto que mina qualquer política de crescimento e de emprego, restando aos políticos do arco discursar apenas intenções de fé.

Como resultado de todos estes capítulos da crise, temos a Grécia transformada num verdadeiro barril de pólvora, com uma série de variáveis imprevisíveis.
A variável militar, é mais outra que pode ser determinante neste processo. A Grécia com o seu medo atávico turco, dedica tradicionalmente uma boa dose do seu orçamento no ministério da defesa, só para se ter uma ideia, a Grécia depois dos E.U.A. é quem mais gasta em defesa nos países membros da NATO, principalmente na indústria de armamento alemã, o qual absorve cerca de 10% da produção militar alemã. A hipótese de golpe militar também tem uma forte probabilidade de ocorrer.

Uma coisa é certa, o status quo mudou, quando as pessoas ficam encostadas à parede e sem nada a perder, algo tem que necessariamente mudar... E vai mudar, espalhando sementes um pouco por todo o mundo.

Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Acordo grego


A Grécia prepara-se para ultimar mais um acordo de austeridade com a troika, para garantir o pagamento aos credores - públicos e privados - o reembolso com lucro dos investimentos efectuados, mascarados de "ajuda" para colocar as contas públicas em ordem e lançar a economia na senda do crescimento e emprego. A realidade prova que esta linha de argumentação é falsa, mentirosa e venenosa.
Os planos de austeridade, também chamados de ajustamento ou na sua forma mais light "ajuda ou assistência financeira", não são mais do que em linhas gerais, destruir - chamam-lhe desalavancar - a economia, diminuir à força o rendimento das populações utilizando os salários e os impostos como ferramentas principais, para que com esse diferencial, entreguem aos credores internacionais em prestações contratualizadas e com lucros acima da média, devido ao elevado risco de incumprimento, manipulado por agências de rating com accionistas nebulosos e misteriosos.
Não pagando ou negociando um perdão de dívidas, quebra-se a corrente sanguínea, gerando perdas assinaláveis a muitas entidades um pouco por todo o mundo, algumas aceitam a política de pelo menos receber alguma coisa, do que não receber nada.

Com este segundo plano de ajustamento de 130 mil milhões de euros, não se vai ajustar nada, antes pelo contrário, adiar por mais uns meses, a evidente bancarrota que se desmultiplicará na zona euro.
Os planos de austeridade implementados aos países europeus, estão na sua base conceptual errados, contrariamente, ao que a propaganda do mainstream prolifera nos meios de comunicação social. Os discursos dos líderes europeus são na sua raíz incoerentes, quando defendem que estes programas são para o crescimento e emprego, quando ao mesmo tempo se assiste a mais desemprego e à destruição gradual e de forma acelerada, principalmente nos países intervencionados.
Quem é que ainda não percebeu isto?

Seja um particular, seja uma empresa ou uma nação, que esteja excessivamente endividada, por vários factores de ordem, não é evidentemente, endividar ainda mais com prazos curtos, ao mesmo tempo que de forma abrupta lhes cortem as pernas ou até as "asas".
No fundo obscuro dos planos de austeridade que assistimos em catadupa, em que um sucede a mais outro, naquela linha de que, agora é que é, desta é que vai ser, lembrando a cenoura à frente do burro, o mais infinito.
Os rostos escondidos e verdadeiros orientadores destes planos de austeridade, não querem, por evidência dos factos, o desenvolvimento das nações, mas sim, estranhas estratégias complexas, onde grupos/sociedades secretas, semi e públicas lutam pelo "obter mais o que seja", algumas destas batalhas já são seculares, todas elas objectivam retirar parte do rendimento de populações inteiras e entranhando de forma gradual natural o trabalho escravo, ao mesmo tempo que com propaganda massiva consigam fazer com que as pessoas se conformem, se sintam culpadas, como também injectam sub-liminarmente, o cultivo do ego e da fama, do consumo, a sensação de posse, em suma atarantar as pessoas, tal como baratinhas tontas, deixando-as a discutir entre elas, dividindo para reinar e assim ocultando o verdadeiro cerne da questão em que vivemos. Conhecimento e informação são os verdadeiros tesouros escondidos por detrás do dinheiro.

Mas quem é que ajuda quem ...?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A bomba atómica helénica


No início desta semana, o primeiro-ministro grego Georges Papandreou, divulga que o seu "governo" aprovou a realização de um referendo nacional, relativo à aceitação ou não, de um novo pacote de "ajuda" externa, também entendido como, plano de resgate, ou uma espécie de "ai Jesus!".
Crendo pelo estado anímico do povo grego a esta altura e pressupondo-se que o referido referendo irá desembocar num rotundo não, a Europa, principalmente, entrou em pânico nos seus variados desígnios fiduciários.
Ao mesmo tempo, que o governo grego, demitia em simultâneo todo a sua chefia de topo militar, receando um golpe militar. Eles "andem" por aí.

Os tontos líderes europeus, que de cimeira em cimeira, vão anunciando medidas para salvar o euro. Na verdade, quando todos se juntam e jogassem dominó, o efeito seria o mesmo, umas boas horas de convívio e pouco mais. Sem dúvida que andam a correr atrás da bola, incapazes de decidir, reagem. Pelo se que tem visto, às cegas, aos apalpões, estão perdidos e à nora.
São intermediários de um jogo maior, sem saberem muito bem, em que barco estão metidos.
São financiados indirectamente por uma elite, sob formas de patrocínio dos seus partidos políticos, que ao mesmo tempo controlam os media, que os impulsionam e que ao mesmo tempo os levam à lama. Basta lançar o boato de que fizeram broches a putos ou que violaram secretárias.

Neste patamar, estão todos comprometidos. Comprometeram-nos, uns de uma maneira, outros de outra. Ao mesmo tempo que ficam semi-obrigados de resguardarem-se uns, quando por outro lado, protegem outros.
Dessas e doutras formas, as margens de manobra ficam reduzidas e assim, as grandes corporações, vão absorvendo as empresas públicas da Grécia, as de Portugal já estão calendarizadas, as irlandesas, depois as italianas e espanholas, tudo num efeito dominó. Que afinal, ao que parece, tudo isto já estaria agendado e estudado.

De salientar, que mesmo que haja, algum tipo de programa, e veja-se que desde 2007, tem sido sempre a descer, questiona-se, se contaram com os factores imprevisíveis, os imponderáveis e os factores aleatórios que se multiplicam em razões geométricas?
Quando assistimos, a pseudo-líderes armados em artolas como o monsieur Sarkozy a afirmar directamente a outro estado soberano, que a salvação só tem uma alternativa, comprovamos o pânico e a total incompetência de quem se julga de que tem o mundo na mão. Santa ignorância!

Quando também no início desta semana, se celebrava o nascimento, do 7.000.000.000 indivíduo físico neste planeta. Houve vários países que reclamaram para si o evento, que só por si, é quase impossível de determinar.
Esta elite que governa actualmente o planeta e que tem o melhor negócio do mundo, que é o de criar dinheiro, através do controlo da impressão de notas, também têm vindo não só a defender como a implementar as mais variadíssimas teorias eugénicas - redução da população.
Muito provavelmente, poderíamos estar a celebrar o 8 ou 9 bilionésimo cidadão.

Querem-nos seres escravos e não seres pensantes, passando a ideia de que as pessoas em geral é que são as culpadas disto tudo.
De viverem acima das suas possibilidades e de nascerem como ninhadas de ratos nos apelidados países do Terceiro Mundo.

Não deixa de ser curioso, de que a mudança do paradigma vivencial das sociedades se (re)inicie na Grécia.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Eles não sabem que o sonho...


Após várias mensagens inócuas, tais como as do presidente da república portuguesa, em que temos de nos empenhar em fazer o trabalho de casa, de que não nos devemos resignar e que não podemos desistir lutando contra a resignação. Na verdade, são afirmações que valem o que valem, ou seja, em termos práticos valem zero.
Esta tem sido a "regimenta" seguida pela classe política dominante, pelos media e os comentadores avençados. Uma espécie de politicamente correcto, um discurso podre fantasiado de positivista, o discurso da formiga e da cigarra, que temos de ser muito poupadinhos, para viver um futuro melhor.
Na verdade esse discurso já tem barbas e o tal futuro nunca mais chega. O futuro que se vai tornando presente, não é terra prometida, mas sim, o pior, de tal forma que parece que quanto pior melhor.

Tudo isto está ao contrário e à qualquer coisa de errado nesta história, porque afinal são as cigarras que governam sobre as formiguinhas trabalhadoras, têm o displante de fazer parecer que a culpa são das formigas que comem muito, trabalham pouco e só choram direitos. Mas afinal, são as formigas que trabalham e dão os lucros às cigarras. Agora fazem passar a ideia às formigas que têm de trabalhar ainda mais, comer menos e com menos condições, tudo isto num lema de fundo de esforço patriótico.
Só que as formigas perguntam:
- Porque é que além de trabalharmos ainda temos de pagar os desvarios das cigarras?
- E porque é que para as cigarras não há crise?
Agora andam-se por aí a levantar algumas vozes que dizem, atenção; se as formigas se revoltarem vão levar no focinho.

Enquanto isso os líderes europeus, continuam numa roda viva de reuniões e cimeiras, propondo mais medidas de austeridade, o paupérrimo discurso de reduzir e reduzir. Na realidade, eles não sabem o que fazer, estão a acabar com a europa, adiando o inevitável com medidas avulsas aqui e ali.
Estão a secar tudo à sua volta e aumentando os índices de pobreza e escravidão dos povos.
A Grécia vão afundá-la ainda mais, com mais empréstimos, quando já mataram a economia grega que era fundamental para o país recuperar. De tal forma, que mesmo se a economia grega crescesse a 8% ao ano, demoraria décadas para recuperar e pagar os seus compromissos, algo que é completamente impossível nas circunstâncias actuais.
O efeito dominó que o colapso grego originará, irá tornar "inglório" todas as medidas de austeridade que os outros países têm tomado. Dessa forma, no caso português, que será um dos primeiros a tombar por arrasto grego, caem por terra todos estes cortes do subsídio de natal, o aumento do I.V.A. e por adiante.
Estes colapsos sucessivos que irão decorrer, vão também arrastar os seus credores, tal como já vemos o primeiro a vislumbrar-se, o banco franco-belga Dexia, um dos maiores da europa, mostrando afinal, que os testes de stress que fizeram à uns meses atrás não têm qualquer relevância.
Esta espiral negativa vai arrastar quase tudo e muito poucos se ficarão a rir.

Eles não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida e que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança...



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Jardim Gonçalves & Companhia


Jardim Gonçalves é considerado o pai da banca privada portuguesa, foi o homem escolhido por um conjunto de accionistas privados para a fundação de um banco privado, aquando na época toda a banca portuguesa era estatal. Em 1985 nasce o BCP - Banco Comercial Português, que se iria tornar o maior banco privado português, chegou a estar posicionado no número 453, na lista Forbes, das maiores empresas do mundo.
O ressurgimento da banca privada em Portugal, surge de um aproveitamento de um caso muito peculiar, bem manipulado e extrapolado, o caso Dona Branca.

"Desde cedo, começou a sua prática "bancária": guardava o dinheiro da venda de varinas ao longo do dia recebendo ao anoitecer uma pequena compensação pelo "depósito". Destacou-se pela sua honestidade e carisma, e passou a ser solicitada também pelos vendedores ambulantes. No decorrer dos anos 50, com a politica Salazarista, em que reinava a pobreza nacional, torna-se numa pseudo-bancária quando iniciou a sua actividade clandestina. Estrategicamente, começou a atribuir juros a quem lhe confiasse as suas economias, tanto maiores quanto mais elevadas fossem. Utilizava bastante bem o esquema em pirâmide. Assumiu posição diferente à da Banca e da técnica bancária: recebia depósitos acrescidos de 10% de juros a quem aplicasse as suas poupanças e concedia empréstimos a juros elevados. Esta medida foi crucial para a sua expansão da sua actividade e renda.No ápice, fosse rico ou pobre, pescador a empresário, todos recorriam à "Banqueira do Povo" como passou a ser conhecida."
(fonte wikipédia)

Este caso, ocorrido em 1984, foi o mote para justificar a privatização da banca, somando o facto de que Portugal entraria em 1986 na C.E.E. .
O BCP sob a gestão de Jardim Gonçalves, vai crescendo e ganhando cada vez mais respeitabilidade no mundo da finança. Absorve através de OPA hostil o desaparecido BPA - Banco Português do Atlântico e mais tarde o Banco Pinto & Sottomayor, despojos da aventura bancária da família Champalimaud.
De facto, o BCP trouxe inúmeras inovações ao semi-estagnado sistema bancário português, muito se aludiu à sua eficiência e daí aos seus resultados.
Embora, o seu líder - Jardim Gonçalves - figura quase endeusada, principalmente, no foro interno do grupo financeiro, seja uma pessoa de bom trato, de relação educada e cuidadosa para com os seus colaboradores, não implica que por outra maneira, tenha imprimido uma mentalidade, que através das suas cadeias de comando, de uma obstinada demanda de cumprimento dos objectivos propostos. O sucesso do BCP, basicamente, são das pessoas que lá trabalham, que sob um chicote psicológico faziam e fazem das tripas coração para a obtenção de resultados.
A suposta eficiência, deriva de softwares mais sofisticados, processos administrativos copiados de economias de sangramento, em suma, foi a exploração até ao cruto da cabeça dos seus funcionários a base desse sucesso. Os divórcios, os suicídios, as horas roubadas à família e algumas/muitas pessoas que ficaram avariadas da marmita irremediavelmente não são contabilizáveis nas contas do banco. Este tipo de filosofia, de exploração contaminou todo o resto da banca.
Essa bitola, que começou nos meados dos anos 80, foi imperando em todo o sistema.
Explorar os recursos, até saírem em macas para a ambulância, alguns nem chegam a tanto, dá-lhes um ar e no momento, vão-se para a outra margem.

Uma das inovações do BCP, foi a criação de um sub-banco, a Nova Rede, a qual muitos portugueses aderiram. Essa estratégia, foi designada por segmentação. Não mais era, do que encaminhar a populaça para balcões de atendimento em massa e indiferenciados e os clientes mais "gordinhos" em agências BCP, cheias de requinte, alcatifadas e com mobílias de outrora reis. O portuga médio quando entrava numa dessas agências ficava intimidado, inconscientemente accionava o seu complexo de inferioridade crónico, o mais afoito, ia até ao balcão e perguntava, era para abrir uma conta, ao qual a menina muito educadamente lhe respondia automaticamente, para abrir conta é na Nova Rede, ao nível dos pensamentos, lembrava o mantra dos seus superiores hierárquicos, a ralé manda para a Nova Rede.

Em 2008, o banco começa a entrar nas ruas das amarguras noticiosas. Estes senhores ligados à religião, mais propriamente, à Opus Dei. Dizia-se até que o BCP era o braço financeiro da Opus Dei em Portugal, não sei porquê.
A aposta no mercado grego, também se mostrou ruinosa.
Nessa altura grassa uma luta de poder pela liderança do banco, a secção maçónica lusa do partido socialista, consegue colocar dois dos seus afilhados, Carlos Santos Ferreira, como presidente e Armando Vara, como vice. Este último deu-se mal com as ligações ao sucateiro Manuel Godinho, que por não ter trocado de telemóvel quando um infiltrado na PJ os tinha avisado de que estavam sob escuta.
Muito ajudou, à caída dessa administração, uma outra figura misteriosa, Joe Berardo, nomeadamente, pelas denúncias. Que jogo ele estaria a jogar?
Mas as vigarices, que vieram a público são demais, a serem verdade, denotam uma total desfaçatez e um completo desprezo pelas leis da República.
O empréstimo do filho de Jardim Gonçalves para aquisição de acções do BCP no valor de 12 milhões de euros foi colocado, contabilisticamente, em incobráveis, ou seja, mais do que um perdão, a dívida simplesmente desapareceu. Perante a denúncia, o pai assumiu a dívida, de outra maneira, se não fosse denunciada, a dívida ficaria derretida nas contas do banco.
As engenharias financeiras, nas quais se conseguem alocar prejuízos enormes, numa rede labiríntica de múltiplas empresas com sedes sociais em offshores e dessa forma apresentar lucros e daí justificar chorudos prémios de boa gestão, quase tudo é possível.
Por outro lado, quando os bancos apresentam os seus resultados, aquilo pode ser tudo mentira.

Receio, que o Ministério da República Portuguesa, não tenha em seus intervenientes, capacidade e o agreement suficientes para segurar estas denúncias no processo em que acusam.
Até aposto de caras, que a moenga não vai dar em nada.