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domingo, 8 de abril de 2012

À míngua

Quando o actual primeiro-ministro, na altura candidato, fazia uma conferência de imprensa em tom dramático onde anunciou que o seu partido iria chumbar o PEC 4 do governo socialista, mesmo que dizer, a consequente queda do governo, afirmava com um ar muito cheio de si - O país não pode ficar a pão e água!

De facto, o que ele queria dizer e que as pessoas não entenderam nas entrelinhas, era que o país iria ficar na verdade, à míngua.

Ninguém pode acusar este governo, no esmero e dedicação, pois estão a consegui-lo a velocidade alucinante.

O velho discurso da tanga, que não há dinheiro, os portugueses são uns malandros e que com o seu salário médio entre os 600 e 700 euros, vivem acima das suas possibilidades. A segunda parte deste discurso é que estes sacrifícios são necessários para num futuro qualquer vivermos todos melhor e mais felizes.
Em resumo, primeiro o discurso da tanga e depois a história da carochinha.

Quando muitos avisaram, que a linha política ultra-neo liberal que este governo seguiu, iria ser o caminho directo para a destruição da economia nacional, vêm agora os primeiros engasgos dos governantes relativamente às datas; é em 2013, não afinal, talvez 2014, queria dizer porventura, vamos lá 2015.

Governam à vista, os principais factores de decisão não dependem deste governo e têm de vender o que resta do património nacional.

Por outro lado, falham nas previsões das folhas de Excel uma após outra, onde nelas não entram factores psicológicos da sociedade como a desmotivação, a retirada forçada de rendimento às famílias (que já era muito, diga-se de passagem), a diminuição do consumo levando por um lado a menos receita fiscal e por outro, a falência em catadupa de pequenos negócios, de micro, pequenas e médias empresas, gerando mais desemprego numa espiral descendente.

O imposto demasiadamente elevado nos combustíveis e na electricidade, que assassina qualquer tipo de crescimento das empresas. Entende este governo, que são os despedimentos mais fáceis, um enorme factor de crescimento.

Enquanto os portugueses trabalham para pagar os impostos, os juros e comissões da troika, os desvarios criminosos dos governos PS, PSD e CDS das últimas décadas, os empréstimos que o Estado foi forçado a contrair para não deixar cair o BPN, para que alguns pudessem comprar iates e mansões com financiamentos que o Estado não irá mais recuperar de titulares escondidos nos labirintos das off-shores espalhadas pelo o mundo fora.

Sem dúvida que é mais fácil, retirar uma parcela da reforma de quem descontou toda uma vida de trabalho, cortar nos abonos de família, diminuir as comparticipações dos medicamentos para os reformados (um luxo!), financiar especuladores bolsistas às centenas de milhões de euros e complicar financiamentos de alguns milhões a empresas e industrias com carteiras de encomendas para adquirirem matéria-prima para a produção.

A pão e água? Não! À míngua...

Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

domingo, 5 de junho de 2011

Villas Miseria


Este é o mundo em que vivemos, o real e construído por todos nós, nem que seja, na hipocrisia de virar a cara para o lado, ou quando uma parte do mundo come até não lhe apetecer mais, comenta - Mas porque é que dão isto à hora de jantar?

A breve apresentação do documentário em baixo, é narrado pelo actor José Coronado, que tem passado no Canal Odisseia.
É a mais excelente e atroz visão da sociedade cada vez mais hiper-desigual em que vivemos, fruto da corrupta mente humana.
O indivíduo isolado, pode atingir níveis de ética, respeito e em última análise, até de compaixão.
Mas em grupo, o homem, é o pior bicho à face da terra. Ele compete e maximiza de toda a forma que lhe seja possível, a vantagem, seja dinheiro, poder ou status e estas misturadas entre si.

Quando na parte do mundo da abundância as pessoas conformam-se de que sempre houve pobreza e riqueza, na outra parte e cada vez maior, a parte da carência, apenas sonham em ter os problemas, dos que vivem na parte da abundância; vou comprar um Nokia ou um Samsung, Peugeot ou Renault, vou comer carne ou peixe ...?
Quando se diz que se está cheio de problemas, há-que contemporizar e reflectir, mas qual é o verdadeiro problema?

O trailer do documentário "Villas Miseria", trata de pessoas reais, vai a Buenos Aires - Argentina, Calcutá - Índia e a Nairobi - Quénia, dando uma pequena amostragem da incapacidade do ser humano em organizar recursos vs. condições dignas de vida.