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sábado, 1 de janeiro de 2011

2011

Enquanto aguardava, com a concerteza de que iríamos ter com ele, sentado num banco de jardim composto por magnólias e orquídeas, entre outras. Esfumaçando a sua cigarrilha de café com leite, sussurrando ao mesmo tempo, aos mais curiosos e afoitos - Venham até mim, meus meninos! Não tenham medo de mim, pois, vos saúdo!
Ao lado uma menina, pré-adulta de cabelos compridos e escorridos, negros como a noite, com um casaco comprido, acima das canelas, de desenhos dourados aleatórios, mas simétricos. Esticadita a menina segura com as suas duas mãos uma mala. Tinha um olhar vectorial e mal morto, meio côncavo, mal se mexia. Branca, branca, que parecia uma alma!
Por uma vez, levou uma das mãos até ao seu plexo-solar e fez o sinal de O.K., revelando nos seus três dedos; grande, anelar e mindinho, três 6 desenhados. 666, o que será? O que será, será...
Numa porta nova, um relógio, às cores, esperava as horas do seu tempo, para entrar a horas, sabendo de antemão que, chegar a horas é chegar tarde.
De soslaio, observava a Circunstanza, a sempre mal-fadada, das fadas. Carrega nos seus ombros, qual Atlas, a vida de muita gente, como porcelana, desfeita em cacos. Pergunta se não sabem o que é cola, de que é possível juntar peça-a-peça, enfadada com essas peças.
Nem por acaso que se vestem, nestas ocasiões para dar sorte, umas cuecas, com o rótulo de origem, enfiado no rabo.
Aliás, nestas questões, pode ser como um ovo, ou como um melão... Tudo tem a sua lógica... Mais ou menos, porque na zona cinzenta, está o resto que falta, aquele que não dá zero, outras matemáticas, imprecisamente!



GNR - Quando o Telefone Pecca

sábado, 2 de outubro de 2010

Hill Street Blues

Manhãs frias e chuvosas, nebulosas às vezes. Cidades escuras, cinzentas e pessoas desenraizadas... quase sem nada a perder. Ferrugem por veri-semelhança.
Balada de Hill Street, genérico de abertura - anos 80 - que faz parte da memória de longo prazo de muita gente, principalmente os acordes, de uma música triste, sem esperança, vá lá de conformismo, à inevitabilidade das coisas. Como tudo é relativo, mesmo para quem dorme, à sombra de suas auto-convencidas e muy respeitosas, verdades per si assumidas como tal.
O cardápio pode ser tão longo, como cada um o deseje, e não se chama eléctrico, de outra maneira, o desejo pode não ser chamado para aqui ou acolá. Mas para lá...

Em boa verdade, hoje, à porta de um restaurante, nesta tarde solarenga, enquanto se fumava um cigarrito, após uma boa almoçarada, num início de tarde de sol, luz e brilhante, ao mesmo tempo, que uma velhota de muleta atravessava na passadeira perante o olhar de cidadãos auto-mobilizados, pensava nestas e noutras coisas, objectivando o zen de não pensar nada.

Se quisermos, a vida pode ser bela, é preciso é que não estraguem ela.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O ar que respiramos


O ar que respiramos é tóxico e mata-nos aos bocadinhos, o que nos permite aquela pequena e singela janela de vida, mata-nos aos poucos, o oxigénio. Numa canção ou poema, uma triste sina.
Mas não, não é. É uma oportunidade evolutiva, uma deixa... preferia uma gueisha.

Tanta choraminguice, tanto punho em riste, tanta manifestação, tanta indignação...
Tudo o que foi, é passado, com consequências no futuro sentidas no presente.
Nada é constante, no que, não mais, a constância de mutações, migrações, mudanças e transformações.

Há que anos, que é assim, e por muitos continuará a ser. As lutas das pessoas, que interessa isso num plano universal e intemporal.
Há 12.000 anos demos um salto evolutivo brutal, o da sedentarização, também o cão, que vivia nas orlas dos acampamentos nómadas. Deixamos de vaguear...
Outro grande salto se avizinha para a Humanidade, a espiritualidade, e tal como ontem, não serão precisas bíblias, obras sacras e livros-guia. Reduzida a cegueira espiritual e a amblíopia mental, entraremos num novo paradigma existencial; do auto-conhecimento profundo, de celebrar a diversidade, vivências levadas por valores éticos, independência efectiva, perguntar sempre "por quê", capacidade de colocar as coisas em contextos mais amplos, em suma, uma cosmoética sentida e vivida, na práctica e na teoria.
Estas coisas, são inevitáveis, tal como o ar que respiramos.

Hoje, não sabemos bem, se o clima do planeta muda por nossa causa, mas facto, é que está diferente, para pior, na nossa óptica de interesses.

O crime, é institucionalizado, termos por nós inventado. Muito para além de um sentido ético existencialista, os maiores negócios do planeta são; armas, droga e prostituição e um outro que sempre existiu o da manipulação da fé, o pior e mais difícil de desmontar.
Seja na política ou na religião, logo quando se acorda uma consciência desta matrix, já se sabe, por experiência que vai resistir naquilo em que sempre acreditou, sabe-se que vai passar por fases mental-somáticas. É o processo...

Nós e qualquer um de nós já somos o universo, todos fazemos parte de tudo isto. Está nos nossos braços, nas nossas veias, somos parte integrante de tudo isto, somos peças...

Um exemplo, os primeiros acordes do vídeo abaixo, comprovam a capacidade transcendental de sermos e criarmos.



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Solstício de Verão


A palavra solstício vem do latim Sol e Sistere - que não se move. É o momento em que o Sol, durante sua esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador. Os solstícios ocorrem duas vezes por ano em Dezembro e em Junho. O dia e hora exactos variam de um ano para o outro. Quando ocorre no verão significa que a duração do dia é o mais longo do ano.

Uma mulher é violada de 5 em 5 segundos na África do Sul.

Fica descansado que vais renascer dentro dos 10% que tem boas condições de vida, terás um tecto, formação escolar e protecção. Se nascesses albino na África terias que te preocupar.

Mais de dois milhões de pessoas morrem de fome a cada dia. Dessas, 20 mil crianças morrem por ano em consequência da falta de saneamento, só em Moçambique morrem 55 crianças por dia. Com menos de 5 anos de idade , são 16 mil, todos os dias. Uns dias mais, outros menos é na média constante e que não pára, que estes números se tornam assustadoramente preocupantes.

Mas tinha logo de renascer nesse planeta inferno, não haveria um atalho. Nessa coisa do desenvolvimento, tens de conhecer o lado negro da coisa, dessa forma, terias uma singela noção dos limites.

Em Phom Penh, Cambodja, existem cerca de 200.000 putas, 100.000 directas, as outras 100.000 em prostituição indirecta, nas casas de massagens e afins. Onde a mentalidade dominante é a de que tirar a virgindade, faz bem à pele e dá garantias de longevidade. Para as meninas de 12/13 anos vendidas pelas próprias mães, a coisa, decerto não vai correr muito bem. Após avançarem na idade e desvalorizadas, são amiúde violentadas por grupos que se fascinam em filmes pornográficos, made off, para-bollywood e para-hollywood. Outras meninas que sonharam ser artistas de cinema, o estrelato e a fama, acabaram com um caralho no cú e outro na boca. Mesmo assim algumas poucas singram nesse estrelato auto-iluminado. Não a putequinha brutalmente desvalorizada e violada por 50 cambodjanos no mato em que lhe desfizeram a vagina e a pobre menina depois de gritar durante horas e talvez a um deus qualquer que a ajudasse, teve um forte AVC, tal o muito para lá do que as suas frágeis veias estivessem para suportar.

Mesmo nascendo num lugar previligiado, vou ter que constatar com essas realidades. Obviamente que sim, num primeiro momento, te sentirás semi-culpado, mas aprenderás a ambiguidade da coisa. Se chover tenta passar por entre os pingos. Mas aí, de certeza ficarei molhado. Meu caro, quem renasce nesse Inferno, molha-se, e vais sair dele bem molhado, pois vais ter que te embrenhar bem no meio dele. Não tens volta a dar.

Lírios, pimenta negra, Lilium da família Liliaceae Flor-de-Sangue, Agrião-do-México, Capuchinha, Nastúrcio, Nastúrio, Mastruço, Mastruço-do-Peru, Chagueira, Almeirão (Cichorium intybus), Aquilégia (Aquilegia vulgaris), Planta-cobra (Arum dracunculus), Corticeira-do-banhado (Erythrina crista-galli).

Vê e percebe a importância das abelhas na polinização das plantas. Mas ao mesmo tempo e como lição irás de ter de entender a maledicência, a malevolência, a hipocrisia e a maldade pura e crua.

Top ten dos maiores serial-killers.

Já reparei, que esta bicharada vive em constante incongruência, e não mais que dizer em profunda estupidez.

Isto apesar da agricultura estar produzir 17% mais de calorias por pessoa, por comparação ao que produzia há três décadas, e mesmo tendo em conta que a população mundial aumentou 70% nesse período, FAO (Agência para a Alimentação e Agricultura).

Independentemente, do que seja o que for, estas realidades irão ocorrer amanhã e depois de amanhã...

Mas que linda é esta Terra vista do céu, a bordo de um avião. Só quando aterramos é que sentimos do que ele é composta! Bichos que não prestam, fingindo-se em fato e gravata, de que isto é do melhor...

What a wonderful world!

Eu acredito, como gotícula que somada, com outras, poderemos melhorar um pouco este mundo estragado, por nós próprios.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Parábola


Parábola podem ser os intervenientes a esgrimir e gritar que são os que mais ajudam, os mais certos no argumento, ou até, os candidatos a possuidores da razão e do conhecimento, no que seja, o seu significado que aprouve onde melhor calhar.

Onde matematicamente (ciência fria), a parábola pode ser:

(x - h)^2 = 4p(y - k) \,
ou,
(y - k) = \frac{1}{4p}(x-h)^2 \,

Decerto ganharam um bilhete, num concurso de visão ponto-por-ponto com a ideia de que tinham a visão periférica, pelo menos assim lhes foi vendido e eles acreditaram.
O bilhete é portador incrustado de uma chave, a quem descobrir o segredo - mais bem guardado - abrirá a fechadura, do todo, em que o nada desempenha papel fulcral.
Mas, o nada não existe, basta nadar, seja em águas turvas ou límpidas, logo ele nada e dessa forma o nada existe.
Tal como o céu e a terra. O céu poderá não existir, pois quando algo cai do céu, apenas se deslocou de outro sítio para se estatelar na terra, que porventura, também, tinha céu, ou não, deambulava no vácuo, do espaço frio e longe, das estrelas, esquartilhadas pelos telescópios, uma parte apenas.
Repartidas do todo, a divisão nunca calha em partes iguais, daí as triolhentas histórias que se cruzam entre si, rimando com grilhetas. Não mais que pedaços de aço conjugados para reter ideias, essencialmente, nem que, para tal se detenha o corpete, revestido de carnete.

As ideias podem vir do fundo das vísceras e ser como um espelho. Como 1 e -1, 2 e -2 ..., reflectindo, de forma despida com defesas emocionais, protegidas por costas largas, mais ou menos chicoteadas, o mesmo, para onde se aponta o dedo inquisidor e arauto da verdade em que se acredita ou que foi muito bem vendida, a ideia.
Quando se reflecte esta verdade, ela incomoda, encadeia e por aí se enviuza... Para que se perpetue aquela ideia, bem impregnada, se não como programação, para não ganhar um carácter redutor, o ter de ser feliz...
Quando a felicidade é um conceito não explicável, mas que, quando muito bem vendido, o é!
Gananciosamente comprado, muito mais desdenhado...