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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Um lugar encantado


Pode-se colocar a questão, se é encantado ou desencantado, mas indubitavelmente, é um lugar que, compartilhamos hoje. Somos cerca de 6 biliões que fazem o favor de se expressarem fisicamente presente, apesar, de todos os dias, uns passarem para o outro lado, e outros, do outro lado, virem para este lugar. Do outro lado, numa razão de 9:1, ou seja, cerca de 48 biliões de consciências aguardam a sua vez, e a pressão é cada vez maior. A via de entrada mais fácil, neste momento, são o sudeste asiático, a áfrica e américa latina sul e central.

O tempo passa, e destas vidas, que passam e vêm, renascem e vão-se vezes sem conta e outras que vão e vêm de outros distritos do universo, vão aumentando a presença humana, neste lugar, sem esquecer, que enquanto presença física, somos hostis ao equilíbrio deste lugar encantando. Verdadeira simbiose de inúmeros factores biológicos que permitem aquela pequena janela da vida.

Fazemos modas, que fazem médias.
Por exemplo, a predisposição energética a acidentes, aquilo a que chamamos de fatalidades; aberratio delicti, error in persona e/ou aberratio ictus.
- Em determinada situação, um gentleman foi o primeiro a encontrar a vítima desfalecida, na rua deserta. Na ânsia desesperada de socorrê-la, através da técnica de respiração boca-a-boca, e que, afinal, a salvou, contraiu SIDA/AIDS.
- Ou quando falamos em inverdades, o hábito de mentir com toda a seriedade. Apanágio dos políticos que circulam o centro e a orla do poder, que hipocritamente seguem uma mentalidade dominante de um suposto guião de responsabilidade. Quando, na verdade, cada um trabalha para si, seja no status ganis e/ou dinheiro. São evidentes e demonstradas verdadeiras patologias da mente, no comportamento de muitos agentes políticos.

As pessoas em geral pensam que seguram o fio de controlo, as mesmas que dizem que; o melhor é não saber, ou o melhor é não pensar nisso e porque é que me vou chatear com isso.
Então qual o valor essencial predominante em meus interesses?
Vivo centrado na minha consciência pelo uso do cérebro ou vegeto através dos meus segmentos orgânicos, animais ou ainda sub-humanos?

Poderíamos elencar n situações da sociedade actual, muito diferente entre si, mas na base muito semelhante no que toca às motivações humanas.
Na sua tendência de se agrupar, pois sendo um bicho de temores, esconde as suas fraquezas agrupando-se, seja, em mega-grupos, como por exemplo; igreja católica ou outras religiões, ideologias políticas, associações desportivas mass-market, agremiações culturais e outro tipo de grupos de poder, como em sub-grupos derivados dos primeiros. São transferidas as incertezas e os medos, para uma zona de conforto, para um grupo que se identifica com a mesma ideia. Dentro dela, a consciência defende-a com as unhas e os dentes. Daí vêm as contradições.
Sozinha ficaria perdida, tem de se sentir incluída em algo, para se auto-convencer que existe. Logo, as sociedades caracterizaram-se de seguidistas, massas que alimentam os umbilico-chakras dos fundadores/visionários de uma qualquer ideia, muitas das vezes sem se questionarem do que estão a seguir ou a defender, pior, muitas vezes a distorcer e a influenciar outros, é um ciclo sem fim.

No intimo, as pessoas questionam-se:
Apreendo o possível pela raiz?
Compreendo em profundidade maior?
Devasso várias linhas de pesquisa?
Faço somatórios de conhecimentos?
Será que não temo nenhuma erudição humana?
Recupero o que estava esquecido?
Sou mercador da minha ignorância?
Tenho visão clara das coisas?
Sou adorador de verdades absolutas?
Sou obscurantista boiando pelo ar?
O receio ante o mundo desconhecido? As outras realidades? O medo do desconhecido?

Questões que cada um deveria pensar e/ou meditar interiormente, pensar nelas, levando a procurar respostas, daí evoluir.
O medo, tem de ser enfrentado, mais tarde ou mais cedo, não pense que se suicidando se safa, porque no outro lado, tudo continua.
O medo dos pensamentos e por vezes esses pensamentos vêm das coisas mais temíveis do que se imagina, ou que a consciência antecipa. É quebrando essa cadeia de elaboração mental, imaginação e previsões que aos poucos se vai eliminando o medo.

O lugar é encantado, nós é que fazemos a diferença...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O ar que respiramos


O ar que respiramos é tóxico e mata-nos aos bocadinhos, o que nos permite aquela pequena e singela janela de vida, mata-nos aos poucos, o oxigénio. Numa canção ou poema, uma triste sina.
Mas não, não é. É uma oportunidade evolutiva, uma deixa... preferia uma gueisha.

Tanta choraminguice, tanto punho em riste, tanta manifestação, tanta indignação...
Tudo o que foi, é passado, com consequências no futuro sentidas no presente.
Nada é constante, no que, não mais, a constância de mutações, migrações, mudanças e transformações.

Há que anos, que é assim, e por muitos continuará a ser. As lutas das pessoas, que interessa isso num plano universal e intemporal.
Há 12.000 anos demos um salto evolutivo brutal, o da sedentarização, também o cão, que vivia nas orlas dos acampamentos nómadas. Deixamos de vaguear...
Outro grande salto se avizinha para a Humanidade, a espiritualidade, e tal como ontem, não serão precisas bíblias, obras sacras e livros-guia. Reduzida a cegueira espiritual e a amblíopia mental, entraremos num novo paradigma existencial; do auto-conhecimento profundo, de celebrar a diversidade, vivências levadas por valores éticos, independência efectiva, perguntar sempre "por quê", capacidade de colocar as coisas em contextos mais amplos, em suma, uma cosmoética sentida e vivida, na práctica e na teoria.
Estas coisas, são inevitáveis, tal como o ar que respiramos.

Hoje, não sabemos bem, se o clima do planeta muda por nossa causa, mas facto, é que está diferente, para pior, na nossa óptica de interesses.

O crime, é institucionalizado, termos por nós inventado. Muito para além de um sentido ético existencialista, os maiores negócios do planeta são; armas, droga e prostituição e um outro que sempre existiu o da manipulação da fé, o pior e mais difícil de desmontar.
Seja na política ou na religião, logo quando se acorda uma consciência desta matrix, já se sabe, por experiência que vai resistir naquilo em que sempre acreditou, sabe-se que vai passar por fases mental-somáticas. É o processo...

Nós e qualquer um de nós já somos o universo, todos fazemos parte de tudo isto. Está nos nossos braços, nas nossas veias, somos parte integrante de tudo isto, somos peças...

Um exemplo, os primeiros acordes do vídeo abaixo, comprovam a capacidade transcendental de sermos e criarmos.



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A inteligência e as causas


Vivemos tempos fascinantes e lacinantes, como uma simbiose, misto de felicidade e terror. A manipulação das emoções sempre foi, ao longo dos tempos, a forma de controlar a maioria, o medo, a chave.
E por mais nomes que se dêem, por mais teorias que se inventem ou por mais omoletes que se façam com os mesmos ovos, a questão é sempre a mesma, apesar dos termos da moda das épocas, o controle, o conhecimento e o poder.

Na revolução francesa, embrião da classificação da ideia de direita e de esquerda, à partida nasce de uma contradição insanável. Liberdade e igualdade são conceitos per si contraditórios, existindo um, ocupa o espaço do outro e o contrário também.
Desta gestação contraditória, vem uma espiral sem fim, descorrendo para o infinito absurdo, mas também ocupando o espaço importante das mentes, até à obsessiva e mais inflamada.

A programação mental é tremenda, de tal maneira, que dá a ideia dentro de moldes pré-definidos a hipótese de se supor que se é livre de pensamento.
Não percebendo o indivíduo que apenas discute, dentro de zonas de conforto pensénicas, ideias bem balizadas.
Não consegue libertar-se das amarras conscienciais, nem das coleiras mentais. No entanto veste-se cheio de razão e de dedo em riste grita cheio de si e da sua esperteza. Quando na sombra meia-dúzia se rejubilam pelas suas ardilosas criações.

Não sei se já repararam neste mundo infernal... Mas as ideologias não estão a resultar.

Amanhã e todos os dias que é assim,
haverão pais que não sabem como irão alimentar os seus filhos.
Amanhã morrerão pessoas de fome, fome longa e prolongada. Não, não é aquela larica, por não se ter tomado o pequeno almoço, é fome de dez dias.
Amanhã morrerão milhões de animais criados para serem mortos para alimentarem outros tantos que pela sua inteligência são os seres superiores habitantes deste planeta.
Amanhã serão violadas milhares de mulheres e crianças.
Amanhã nascerão milhares de crianças.
Amanhã milhões serão roubados de seus pertences, esperanças e sonhos.
Amanhã muitos outros serão atirados ao abandono e desprezo.
Amanhã biliões adorarão suas crenças, sejam elas quais forem.
Amanhã biliões farão seus papéis robotizados e formatados.
Isto todos os dias.

Não sei se já repararam neste mundo louco... Mas as ideologias não estão a resultar.

As pessoas acreditam muito. Acreditam muito nas crenças. Nas crenças dum mundo melhor.
Olhem bem à vossa volta. A coisa não está a funcionar.
E a cada dia que passa, já estão com um pé bem dentro, para a passagem, para a outra margem.
Podem esbracejar, saltar que nem uns corsas, mas fintar a biologia é outra história muito mais complicada.
Quem tenta sair desta matrix, metafóricamente dizendo, é imediatamente apontado, por uma manipulação normativa auto-instituida.
Na base quase todos os grupos de ideias, sejam elas políticas, religiosas, sociais, desportivas, mafiosas, económicas, caridosas ou de interesses em geral, o fundo organizacional é comum. Obviamente que individualmente os seus membros apontem as incongruências dos outros, nunca reconhecendo a do seu. Mais, defende com unhas e dentes, as próprias insanidades do seu grupo.
E como todos são incongruentes, todos têm matéria para atacar os outros. Nestas lutas esvaziam-se tensões, perdem o tempo e a energia. Para uma minoria dominante este esganar de tensões é ouro sobre azul, aliás são eles que a instigam e assim, dessa forma dominam descansados.

Não sei se já repararam neste mundo insano... Mas as ideologias não estão a resultar.

Esta canção, "Gimme hope Joanna" de Eddy Grant, que quase toda a gente conhece e que fica muito bem num inocente pézinho de dança, tem uma história por detrás dela. Foi o símbolo da luta contra o apartheid na África do Sul. Joanna representa Joanesburgo.
Uma das muitas insanidades, não deste mundo, mas por quem nele habita.

Give me hope Joanna...



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!