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sábado, 1 de janeiro de 2011

2011

Enquanto aguardava, com a concerteza de que iríamos ter com ele, sentado num banco de jardim composto por magnólias e orquídeas, entre outras. Esfumaçando a sua cigarrilha de café com leite, sussurrando ao mesmo tempo, aos mais curiosos e afoitos - Venham até mim, meus meninos! Não tenham medo de mim, pois, vos saúdo!
Ao lado uma menina, pré-adulta de cabelos compridos e escorridos, negros como a noite, com um casaco comprido, acima das canelas, de desenhos dourados aleatórios, mas simétricos. Esticadita a menina segura com as suas duas mãos uma mala. Tinha um olhar vectorial e mal morto, meio côncavo, mal se mexia. Branca, branca, que parecia uma alma!
Por uma vez, levou uma das mãos até ao seu plexo-solar e fez o sinal de O.K., revelando nos seus três dedos; grande, anelar e mindinho, três 6 desenhados. 666, o que será? O que será, será...
Numa porta nova, um relógio, às cores, esperava as horas do seu tempo, para entrar a horas, sabendo de antemão que, chegar a horas é chegar tarde.
De soslaio, observava a Circunstanza, a sempre mal-fadada, das fadas. Carrega nos seus ombros, qual Atlas, a vida de muita gente, como porcelana, desfeita em cacos. Pergunta se não sabem o que é cola, de que é possível juntar peça-a-peça, enfadada com essas peças.
Nem por acaso que se vestem, nestas ocasiões para dar sorte, umas cuecas, com o rótulo de origem, enfiado no rabo.
Aliás, nestas questões, pode ser como um ovo, ou como um melão... Tudo tem a sua lógica... Mais ou menos, porque na zona cinzenta, está o resto que falta, aquele que não dá zero, outras matemáticas, imprecisamente!



GNR - Quando o Telefone Pecca

terça-feira, 13 de julho de 2010

"Daa" look


Entrando numa rua para se estacionar, aos primeiros lugares vazios não se arrisca, estaciona-se ao primeiro lugar, sem ver, mas contemplando a intenção de estacionar.
Só que depois, constatamos que afinal, havia mais lugares vazios, bem mais perto do nosso objectivo.
Quando, às vezes, nos sentimos com a sorte, sem entender que o azar vem por debaixo e a fazer figas, arriscamos. Passamos e desprezamos os primeiros lugares vazios e com toda a confiança de roleta de casino, esperamos, com toda uma certeza naif ou de previsão, que estará lá, um lugar à nossa espera.
Complica quando estão todos ocupados e daí, nos obriga a dar mais outra volta.
Também se pode inventar e deixar em cima do passeio ou em segunda fila, mas acaba-se por ser multado. Por isso certos arrojos, acabam por ficar mais caros, do que à primeira vista se calculava.
Um bom porto de abrigo, é aquele lugar, mesmo que um pouco mais longe, mas debaixo de um salgueiro, à sombrinha e dessa forma mais fresquinho.
Pois em tempestades violentas, árvores fortes e grossas, se quebram, quando simples salgueirinhos que não lutam contra o vento, mas antes, dançam com o seu vento, sobrevivem.
Existem todos os tipos de ruas, com agendas marcadas, mas com espaço para um mais novo desconhecido.
Daa look...
Em cada nova rua, temos de procurar novos lugares de estacionamento e sempre com cuidado para não magoar e sem deixar réstia de mágoa.
E com as certezas "pinçadas" em dúvidas, essa é, das partes mais fascinantes da vida.