domingo, 7 de dezembro de 2008

O nevoeiro como exercício de filosofia

Partindo do pressuposto que houvesse um nevoeiro tal, que, só conseguiríamos ver as outras pessoas dos joelhos para baixo.

Para quem tivesse uma grande cicatriz, poderia ser bom. Já não gastaria energias em mascará-la, sentiria-se igual a todos os outros considerados normais na sociedade.
A cicatriz mental-somática é mais facilmente disfarçada no dia-a-dia. Essa não precisa de nevoeiro, mas sim, atenção aos cicatrizados.

Como o louco, já não precisaria de sê-lo, sob forma de assédio dependente de terceiros, não teria forma de chamar a atenção. Acabaria por equilibrar a sua atitude comportamental pelo desprezo induzido por não ser visto.

A moda deixaria de fazer sentido, as pessoas vestiriam-se da forma mais confortável sem a preocupação de juízos do grupo a que pertencem. Fisicamente estariam sem preocupações de imagem, penteado ou despenteado, seria irrelevante.

Poderiam falar as suas ideias, sem medo, pois os outros apenas o vêem dos joelhos para baixo. O impacto emocional das conversas, também seria mais reduzido, pois não se veria as expressões da face nem os gestos. A atenção estaria, talvez, mais centrada no que o outro realmente diz. Seriam reduzidos os pontos de distracção e as manobras habilidosas de encantamento.

5 comentários:

poesianopopular disse...

Zorze
Eles já não sentem necessidade de disfarçes, já fazem tudo descaradamente, com a maior das àvontades, e quando cometerem alguma gafe, a comunicação ajuda a tapar a cicatriz.
Abraço grande

casadegentedoida disse...

Amigo Zorze, o nevoeiro é ilusão, basta apenas que nos misturemos na multidão. Hoje somos apenas um ponto (muito pequeno) no meio de tantos que podemos falar que ninguém nos ouve ou vê. Muitos loucos andam no meio de nós e não nos apercebemos, parecem normais.
Abraços

Diogo disse...

Entretanto, quem sofra de calos, dos joanetes ou de pé chato, está tramado.

Abraço

Ana Camarra disse...

Zorze

Já tinhamos falado nisto!
Olha a minha cicatriz é no pescoço, ficava escondida, mas não tenho vergonha dela, quando ao vestir sempre vesti aquilo com me sinto melhor, tenho um joanete...
O nevoeiro por vezes é bonito, se estivermos a conduzir é uma treta.
O problema é a cabeça das pessoas, mascarar ou esconder não resolve nada, apenas aceitarmo-nos e aceitarmos.

beijos

Soontir Fel disse...

Esconder ou não, o nevoerio é pleno de mistérios e medos reprimidos, veja-se "The Fog" de John Carpenter, ou "The Mist" de Frank Darabont, quaisquer deles bons exemplos dos terrores que se escondem nas brumas...
Bom post, meu amigo.