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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Um Povo imbecilizado e resignado...


Cronologia: finais do séc. XIX e início do séc. XXI. O fado lusitano que atravessou um século inteiro, com muitas pessoas que faleceram e outras tantas que (re)nasceram.

Hoje é hora, desta o status quo vai ser alterado, não há como...
Escrevia há 116 anos Guerra Junqueiro, a realidade de outrora e de agora. Em termos regimentais, até parece, que o tempo não passou.
Tal como a História nos conta, em pontos salteados no espaço e no tempo, num contexto de incoerência coerente, nos tempos actuais - Há gente que tem de morrer ...!

Um povo imbecilizado e resignado,
humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo,
burro de carga,
besta de nora,
aguentando pauladas,
sacos de vergonhas,
feixes de misérias,
sem uma rebelião,
um mostrar de dentes,
a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas
é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante,
não se lembrando nem donde vem,
nem onde está,
nem para onde vai;
um povo, enfim,
que eu adoro,
porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso
da alma nacional,

reflexo de astro em silêncio escuro
de lagoa morta (...) Uma burguesia,
cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal,
sem palavras,
sem vergonha,
sem carácter,
havendo homens
que, honrados (?) na vida íntima,
descambam na vida pública
em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,
da mentira à falsificação,
da violência ao roubo,
donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,
escândalos monstruosos,
absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...) Um poder legislativo,
esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador;
e este, finalmente, tornado absoluto
pela abdicação unânime do país,
e exercido ao acaso da herança,
pelo primeiro que sai dum ventre
- como da roda duma lotaria.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara
ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos (...),
sem ideias,
sem planos,

sem convicções,
incapazes (...)
vivendo ambos do mesmo utilitarismo
céptico e pervertido, análogos nas palavras,
idênticos nos actos,
iguais um ao outro
como duas metades do mesmo zero,
e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)

Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Demasiado tarde

Por vezes, às vezes e muitas das vezes é demasiado tarde...
Para muitas coisas, umas sem importância aparente no momento, somos muito naif no momento, mais tarde é que nos tornamos espertos e críticos. No momento é sempre muito difícil, pelo simples facto de ser a hora H.
Noutras coisas importantes a história repete-se, pelo simples facto, de o livre arbítrio, ser isso mesmo, livre.

Chegar a horas é chegar tarde, ao mesmo tempo, que mais vale tarde que nunca. Logo tudo é possível, quando no momento "parece" impossível, é uma questão de tempo.

Tanto como o tempo sobra e é difícil de passar, também o tempo falta. O tempo é contraditório, é relativo.
Não negoceia, nem adia, quando chega a hora, chega, não conhece ninguém, no sentido de dar mais um tempinho. Às vezes, dá tempo de mais.

São também recordações de outros tempos que nos fazem ser o que somos neste tempo.

O tempo, não é totalmente matemático, é diferente de uns para os outros e dos espaços. Mas também reserva uma hora para todos e aí, é igual, apenas em tempos diferentes.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Fazer a vida andar para trás


E se pudessemos fazer a vida andar para trás?
Muita gente, decerto não morreria presas às emoções dos que vão ficando por cá. Presos por emoções vestidas e sentidas, do sentimento de perda. Custa sempre muito. A dor da perda muitas vezes vem até das vísceras acompanhada de um nó na garganta incontrolável. E por isso as pessoas choram... A sua perda.
Ao mesmo tempo que outros desejam a morte de outros. É tudo uma questão de comunicações falhadas, paralelas e incompreensões complexas que não se vêem à primeira vista.
Os remorsos, o arrependimento, o "faria tudo de forma diferente", aproveitava o dia-a-dia como se fosse único, teria corrigido "arestas" e tinha feito assim ou assado. Tudo isso é passado para evoluir no futuro, para conseguir um melhor presente.
E juntado os erros, que cada um de nós não admite. Erramos como respiramos, com o propósito de errar menos, mesmo que nos achemos inteligências supra acima esbarrando violentamente nos muros das nossas incongruências normais para o nosso estado evolutivo. Marramos que só!
Naquela máxima de sempre - Quando está frio, tá frio! Quando está calor, tá calor!

Nisto tudo, somos nós animais que pululamos por aí, que nos estragamos uns aos outros. Temos de estar cientes de que somos, enquanto consciências, que vestimos este facto super-tecnológico, não deixamos de estar condicionados à biologia terrestre e para vivermos respirarmos o gás que ao mesmo tempo nos vai matando, o oxigénio.
Será contradição, condição ...? Já sabíamos ao que vínhamos, convenhamos.

Mas podíamos inventar uma máquina do tempo!
Sigamos este raciocínio, se no CERN na Suíça, se se consegue fazer um ponto de matéria voltar ao passado e no presente co-existirem os dois pontos de matéria, sendo os mesmos, mas em tempos diferentes, com base nesta assumpção, segundo cálculos matemáticos de comparação, para colocar um corpo humano para efectuar uma experiência humana similar, seria preciso um CERN que desse a volta ao planeta. O que actualmente, é de todo impossível. Mas...
Com a tecnologia progressiva em que vivemos, onde o mais rápido cada vez é mais pequeno, o mais pequeno é uma força de vendas e a capacidade de cálculo é mais nano. Ou seja, daqui por 200 ou 300 anos, nem que seja por 5.000 , a máquina do tempo irá ser um objecto comum.
Aqui põe-se outra questão, homens do futuro já poderão andar por cá.
Eles já estão no meio de nós, mais, podemos ser nós próprios em vidas futuras!

Qual é o tempo presente? Ninguém sabe.
O passado foi um projecto de futuro para ser vivido no presente.

Há que libertar...



R. Kelly - If I Could Turn Back The Hands Of Time

sexta-feira, 11 de março de 2011

Hit the Road Jack


Por mezinhas e no tempo que decorreu, por ter decorrido, o que à partida era presente, é o agora passado, enquanto se vai agarrando o futuro.
Futuro esse, que faz as mentes sonharem, com mentiras e verdades induzidas, pequenos grandes faz-de-contas, apresenta-se por força, dos homens que andam por aí, sombrio, nebuloso e incerto.
Um dia será passado e outros futuros se sonharão...

Por isso, põe-te a pau! Faz-te à estrada!

O futuro que afinal, não vem num ápice, é quase sempre construído a objectivar fins, contendo os percalços.
Em cada época, parece, que vem aí o fim do mundo. Tal como agora parece... mas, de facto, o mundo muda todos os dias, porventura, num outro âmbito, talvez não haja, nem dias, nem noites, mas sim, pura existência. Estar, existir e interagir, com os elementos, conforme os normativos procedimentais dos momentos que permitem a sobrevivência a algo em determinados períodos de tempo, mesmo que seja relativo.
É um jogo trágico-cómico quase arbitrário...

Ó meu, faz-te à estrada!

domingo, 27 de junho de 2010

A vida é bela

A vida é bela, é certo, mas em concomitância se diz também, que são os Homens que estragam ela.
Não deixa de ser uma "duvidoilaire" de substância ou até mesmo as pessoas que experimentaram abduções extra-terrestres ou até mesmo um desdobramento do corpo físico.
Quando perecem dezenas, senão centenas de vítimas de factos ocorridos, o que é que é mais gravoso?
O sucedido pela natureza ou o perpetuado pelo o homem?

O taxista que pára o carro com três pretas no banco de trás e que faz o sinal. Nisto vem o Omar que diz, eu conheço-o, está tudo bem. É como a enfermeira que aparece no público do Preço Certo a fazer o sinal de O.K., zero killings, tudo bem.
É que no carro lá fora estacionado no parque das merendas, ele olha para um lado "zero", olha para o outro "zero", 007. Está tudo bem! Mas nunca fiando...

A relatividade do tempo e da alma, quando estamos atrasados, o carro da frente não anda, os semáforos ficam vermelhos, todos parecem lentos. Quando estamos com tempo de sobra, na mesma situação, contemplamos, até vemos os passageiros do carro vizinho, quem passa na rua, olhamos o céu, e quem no paralelo e trapézio, nos circunda em 3D, de momento.
A mesma pessoa, a mesma situação, mas em estados de alma diferentes. Parte do equilíbrio está aí, ser o mesmo em situações opostas.

Não que, através do método científico, o das super-cordas, ou dois dedos em certa posição provoquem "squirtings" de elevada intensidade.

Nota: o pantomineiro da foto acima, é nem mais nem menos, que o Zorze, em plena sessão de energização planetária sincronizada.