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quinta-feira, 31 de março de 2011

Berimbau


Não sei por onde começar, só sei que nada sei... Pera aí vem cá! Sei que isto está do Berimbau!
Hoje Portugal, emitiu dívida acima dos 9%, o que pode aguentar, segundo o que as abéculas dos nossos demissionários governantes prevêem. Porque a crise não lhes toca, não sabem o que é ser negado o subsídio de desemprego após trabalharem décadas para uma fábrica sanguessuga onde posiciona o seu processo produtivo onde é mais rentável.
No único ponto onde concordo com o intermediário, na confrangedora única questão que a nossa comunicação social colocou ao ex-presidente brasileiro Lula da Silva - O Brasil vai comprar dívida portuguesa? O Brasil vai ajudar Portugal?
Estes nossos camará, pareciam putas sequiosas para fazer broches na picha de burros!
Jornalistas portugueses, saravá... Calma, refreiem as excitações! Não é preciso agradar tanto!

Enquanto as agências de rating, castigam fortemente Portugal, pois é o próximo alvo a abater, ao mesmo tempo que uma enorme série de técnicos do FMI e do Banco Mundial se masturbam freneticamente, em por a pata, nesta nação que ao que parece, sempre esteve em crise, o que só por de si não deixa de ser novidade para ninguém.

Talvez o ouro do Brasil, tenha sido o nosso mal. Erradamente passou a ideia das grandezas, que perdurou nos tempos. Sempre que se constrói uma ponte ou um centro comercial, tem de ser o maior do mundo, ou o maior da europa. Revelando a nossa psicose de pequenitos em bicos de pés, esse provincianismo bacoco fica bem patente no actual governo, quando diz para não dizer mal do país lá fora, para defender a imagem de seriedade.
As agências de rating, a quem os investidores pagam para fazer relatórios de solvabilidade, não interpretam imagens, os cabrões apenas lêem números e relacionam-nos.

Entretanto, os portugueses deixam-se maravilhar, pelas análises dos comentadores de serviço do PS e do PSD, burros quem nem uma porta, estúpidos que nem bestas, falam o que se falava há décadas, confundem milhões com biliões, não têm quase nenhuma noção prática da vida do dia-a-dia, nas suas inteligências balizadas por cânones bem definidos orientam as suas teorias preenchidas do vazio do nada..E o portuga, gajo porreiro, come aquilo tudo.

E o camará, se ouvisse o Orixá? E o Xangôo? E se contemplasse Iemenjá?
O camará, é paneleiro e medroso, por isso vota nos mesmos que o esfolam...
Acredita na macumba camará, olha que ela é real... Tem medo de morrer camará, vai morrer mesmo. Não acredita? Que venha Saci Perere...
Bebe água para beber. Ela reactiva neurónios adormecidos.

Vê se acerta desta vez! Porque isto está do Berimbau!



Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho e Miúcha - Berimbau / Chega de Saudade / Canto Ossanha

Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Cabeleireiro


Ontem fui cortar o cabelo. Ontem estava a chover.
Fui, ou seja, voltei ao cabeleireiro que sempre fui. Desde os treze/catorze anos por aí. Lavagem e corte, eram 250 escudos, só tinha levado 200 escudos, - Depois trás, noutra altura!
Como não me sentia bem em deixar alguém prejudicado, na minha inocente ideia, fui a correr até casa, era uma idade cheia de energia, onde corremos muito e batemos as primeiras pívias. A avó deu-me a moeda de 50 escudos que faltava para perfazer preço correcto do serviço que me tinha sido prestado. Voltei a correr...

Não falei mais de dois minutos de conversa seguida com o meu cabeleireiro, mas passou pelo tempo, da secundária, da universidade e do trabalho.
Às vezes, como acordo cedo para trabalhar, quase que adormecia na cadeira, ao final da tarde, com o cansaço somado do trabalho e das poucas horas de sono. Minudências, que não de somenos importância, para se ganhar a bucha.
Não sou adepto de conversa atirado ao acaso, por conseguinte, a cortar o cabelo, não tinha paciência para as conversas fúteis, apesar de saber que existe lugar para tudo no Universo.
Confesso, que amiúde, experimentei outros cabeleireiros, mais modernos e xpto's, mas onde me sentia bem era no cabeleireiro da rua dos meus pais.
Com os diplomas emoldurados na parede; Figueira 87, Figueira 83, Figueira 85, todos no Hotel Peninsular da Figueira da Foz, onde presumo, ocorreram grandes festivais do penteado.
Sei que sou cliente de um verdadeiro profissional da arte, e olhando para o tempo decorrido, vou lá à mais de 20 anos.
Uma vez o avô de uma namorada minha, gingão dos copos, com um amigo, foram lá e sentaram-se nas duas cadeiras do estabelecimento - Barba e cabelo! Para intimidar claro, mas o cabeleireiro não deixou os seus créditos por mão alheias - Aqui não se faz barba. Isto é um cabeleireiro de homens. Pronto, ficaram arrumados com a frontalidade.

Ontem, foi sentar e sequência da construção do hábito - É o costume? É.

Há mais de vinte anos que vou lá.



Visions Part 1 - Wei Li Yang