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sábado, 5 de junho de 2010

Mas que drogas andam a consumir no Ministério da Educação ?


Vem a propósito este título no relativo à recente medida governamental de fazer com que os alunos com mais de 15 anos possam através de um exame, transitarem automaticamente do 8º para o 10º ano do ensino secundário.
Óbvio que apenas é uma pequena medida administrativa, mas com o sinal totalmente contrário à evolução de um país, sua organização e no mais profundo, ao seu próprio respeito.

Isabel Alçada, co-autora da colecção de livros juvenis de grande sucesso " Uma Aventura", uma espécie de "Os Cinco" de Enid Blyton à portuguesa, é hoje a actual Ministra da Educação e responsável directa por esta iniciativa governamental. Acredito sinceramente, que a senhora, hoje já esteja arrependida em se ter envolvida em tal máquina. Pessoalmente, simpatizo com a senhora, tem notório padrão energético de "boa pessoa", aliás eu também fui seu leitor na minha pré-adolescência.
Aliás no debate parlamentar desta semana, foi evidente o cunho de que esta medida é do governo e não só apenas uma medida de um só ministério, quando é o próprio 1º Ministro que a defende, salvaguardando a sua Ministra, talvez por alguma inexperiência parlamentar, não por ela, mas sim para defender um governo caduco e já a "olhos vistos" em fim de linha. José Sócrates sabia que não a podia deixar à mercê das feras.
Claro que para qualquer situação existem sempre argumentos de defesa e contra, ao que é muito confrangedor ouvir Isabel (ao contrário da outra senhora que tinha evidente anti-empatia social) dizer:
- "... nada a ver com facilitismo, é ao contrário: mantém a exigência".
- "o exame é o mesmo, mas dá a possibilidade àqueles que, por alguma razão, tiveram uma repetência que não lhes permitiu completar na idade própria
a possibilidade de estudarem, prepararem-se e apresentarem-se a exame".
Ora bem, o que sabemos, é que na realidade isto mais do que um erro é uma grandessíssima treta. O que dizer dos programas lectivos do 9º ano que muito trabalho deram a fazer, sem contar com a frustração tanto de professores, alunos e pais, pelo menos os responsáveis.

O que está implícito aqui, não é a verdadeira preocupação de ensino da população, mas sim, o dinheiro.
Porquê do 8º para o 10º? Porque o 9º ano, é um referencial de escolaridade obrigatória, é um dos principais índices de desenvolvimento das sociedades, são estatísticas importantes que compõem todo um ramalhete de fotografia de uma nação, seja para atrair mais investimento estrangeiro, como para obter mais crédito internacional.
Tal como a avaliação dos professores, inquinada logo à nascença, antes mais do que avaliar, era uma ferramenta de distribuição de dinheiro, nada mais. Com modelos importados dos E.U.A. das décadas de 70 e 80, com a preponderância da curva de Gauss, que só por si anula qualquer tipo de avaliação justa e correcta, mas apenas, mais uma forma de distribuição de dinheiro, justificando notas com bases de partida erradas, encapotando falsas promoções ao critério da subjectividade de qualquer um que seja designado por avaliador.

Se não sabem, não inventem! Perguntem a quem sabe!
Em Portugal existe quem saiba, que tem trabalho de campo, que vive e sobrevive no dia-a-dia, que sabe o que é preciso e o que é desperdício...

Na 5 de Outubro, de facto, as drogas devem ser muito boas, talvez experimentais e ainda desconhecidas do grande público.
Por lá se devem fazer trips do arco-da-velha, desde elefantes cor de rosa a voar, agrafadores falantes, clips pernetas, luzes, fotocopiadores a dançar strips no varão, autoclismos dançarinos, eu sei lá...
Ahh, já me esquecia das bolas de sabão com o Noddy a acenar e a questionar se também tem direito a bilhete de criança na entrada do Jardim Zoológico.

Are you tripping ?


quarta-feira, 12 de março de 2008

Organização

Recordo-me quando era estudante universitário tive no 3ºano uma cadeira que dava pelo nome de Organização e Gestão de Empresas. Havia um professor regente e dois ou três professores prácticos. Nessa altura frequentava as aulas à noite e trabalhava durante o dia. As aulas com o professor regente eram mais teóricas, mais abragentes. Era um pouco incomodativo estar numa sala que dava para cento e tal alunos e estarem presentes menos de meia dúzia de alunos. Chamavam-lhe velho maluco, que, as aulas dele não serviam para nada. Ficava admirado, pois, além de serem as minhas preferidas, ele ensinava - com a sua grande experiência de vida - tanto a parte teórica como práctica da Gestão. Porque é que empresas dão lucros e outras vão à falência, pequenos comércios, de uma maneira fluida, entendível. Foi um dos meus professores preferidos, houve outros, mas este marcou. Quanto às aulas prácticas com os professores júniores enchiam, onde se calcuvam fórmulazinhas e coisinhas do género. Dizia eu que bastava entender a fórmula para introduzi-la no computador. Para quê decorá-las todas - isso é que vai sair nos exames - diziam muito preocupados. A classificação era da seguinte forma: 8 valores para baixo ficava logo chumbado, entre 8 e 12 dava acesso ao exame final, acima de 12 ficava-se dispensado de exame e com a cadeira feita. Talvez, penso eu, o professor regente conseguiu decorar os poucos alunos que frequentavam as suas aulas e resolveu premiá-los. Ainda bem, pois tive 14 e fiquei com a cadeira feita. Pensei na altura, formam-se fornadas de jovens e a maior parte passa ao lado do verdadeiro conteúdo de seus cursos.
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Isto para chegarmos ao grande problema do nosso País. A Organização.
Trabalhamos mais horas e produzimos menos que os nossos congéneres europeus. Na empresa onde trabalho vejo e percebo como isso acontece. A desorganização começa de cima, dando logo o exemplo, e depois desce por aí abaixo. Atenção que existem excepções, mas em termos médios, o português é um verdadeiro artista a mostrar que trabalha muito não trabalhando nada. Quem é que não tem nas suas empresas, colegas que andam sempre com um papel na mão muito atarefados e que no fim do dia se formos ver não há nada de palpável no seu dia de trabalho. E depois têm que fazer horas extras para mostrarem que trabalham muito e ficam até muito tarde. Normalmente andam sempre ao pé dos chefes - são os trabalhadores sabujos.
A desorganização compromete o desenvolvimento de um País, aumenta as desigualdades sociais, deixa a corrupção circular livremente. Veja-se que temos os ordenados mais baixos da europa ocidental e os maiores nos gestores de topo.
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Daí chegamos aos sistemas de avaliação. O português, que organização não é característica dominante da sua genética vai avaliar outros. Se ele mal sabe o que anda a fazer que capacidade tem para avaliar?
Quanto aos professores ainda mais se difícil se torna, pois, não têm uma presença hierárquica permanente. Como é que vão avaliá-los? Com duas ou três entrevistas? Com a taxa de sucesso dos seus alunos? E se apanhar uma turma com mais dificuldades de aprendizagem?
Sou da opinião que deve haver avaliações mas com métodos claros, quantitativos orientados para as respectivas áreas profissionais. Não se deslumbrarem com sistemas informáticos de avaliação de recursos humanos e misturarem tudo. Escolas e hospitais não são empresas cujo o primeiro objectivo não deveria ser o lucro.
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Portanto e continuo sempre a bater na mesma tecla - posso estar errado. O português ou qualquer outro integrado num sistema organizado é tão produtivo como os nacionais dos países desenvolvidos. Foco principalmente os países nórdicos - Noruega, Suécia, Filândia e Dinamarca. Países produtivos, mas, em que o Estado tem uma relevância efectiva nas suas funções sociais.
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Em conversa com o colega e amigo Olivar, sugeria-me a composição perfeita para um estabelecimento comercial, que só em Portugal poderia ser considerado competente. Seria a verdadeira Casa dos Horrores.
Zeca Diabo, homem de má tempêra (já reformado à muitos anos), como gerente. O Cabeça de Vila Franca como sub-gerente, como admnistrativa principal a Piscinas, ela é mariposa, bruços, costas sempre com um papel na mão e muito stressada.