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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ministério Público e a Justiça em geral

Como se tem reparado, o Ministério Público Português já andava pelas ruas da amargura pela sua notória incompetência e incapacidade de quase tudo, a que lhe é proposto nas leis da república, cai agora definitivamente, na lama, com o caso Freeport.
Os procuradores Vitor Magalhães e Paes Faria encarregues do caso vêem após cerca de seis anos e mais alguns em que o processo esteve atravancado, melhor dito, quase uma década, com um despacho minúsculo relativamente às fugas de informação que sub-reptíciamente foram sendo "largadas inocentemente" na comunicação social, independentemente da inocência ou não da figura do primeiro-ministro, queimando em lume brando o seu nome, no relativo a este caso.
Um princípio fundamental na justiça é o da presunção de inocência.
Mas fizeram - os procuradores - ainda mais, deixaram no ar a questão das 27 perguntas, que devido a prazos apertados, não tiveram tempo suficiente, mas mais insólito ainda é o conhecimento público de tais perguntas.
"Não acha estranho receber uma carta começada por - Querido amigo,...", estes magistrados, vivem sem dúvida, num mundo muito paralelo ao da vida real.
O procurador geral da república, com o seu ar de uma nebulosa, talvez para deixar transparecer, um ar de inteligência e de quem está a controlar à distância, não mais revela, de que é um perfeito ceguinho no seu cargo de Rainha de Isabel, como o próprio o identifica, apesar de saber muito bem ao que foi e nunca ter apresentado qualquer proposta de alteração à filosofia do cargo.
A procuradora protegida pela hierarquia faz juz ao seu nome, falaciosamente Cândida, de uma candura enternecedora e atroz ao mesmo tempo.
Por outro lado, quando deviam funcionar em sincronia, a Polícia Judiciária e Ministério Público, trabalham um contra o outro, esgrimindo rivalidades bacocas de serviços que trabalham, apenas para si, em detrimento de um certo suposto sentido de dever e colectivo público.
Também há juízes de comarca corruptos, além de ganharem dinheiro bem acima da média da população nacional, juntando extras inerentes à função, os há, que ganham o gosto pelo dinheiro.

Entra aqui o legislador, ou seja, os políticos, figuras cinzentas que representam interesses, muitas das vezes, diferentes do povo que os elege. Representam principalmente, quem num futuro lhes pagará um bom ordenado e regalias suplementares e a quem interessa transformar a justiça num circo aleatório.
Também esses e por isso que em Portugal ninguém em cargos de administração de empresas públicas é responsabilizado por maus resultados e em casos limites, de fraude do erário público.
Nas grandes empresas privadas, o forrobodó também é permitido.


Dois casos sintomáticos e mediáticos, exemplares da falência do sistema:

O caso Casa Pia; o horror de haver arguidos inocentes e por outro lado de vítimas que nunca mais vêem a justiça a ser exercida.
A questão tempo, é a principal questão deste processo. Não pode ser admissível os arguidos poderem arrolar centenas de testemunhas, com tudo o que isso implica em notificações, testemunhos e sem esquecer a incapacidade dos tribunais portugueses no que toca à ferramenta de agendamento, que leva por consequência a sucessivos adiamentos de audições. Tempo e mais tempo, em processos que deveriam ser resolvidos no mais curto tempo.

O caso das pequenitas desaparecidas, a Joana e a Maddie; que focam a desigualdade de tratamento da justiça. Estes dois casos mostram de forma meridiana, que existe uma justiça para os pobres e outra para os ricos e/ou possuidores de status social.
Leonor Cipriano, mulher pobre e com fracos recursos financeiros, é esmurrada no focinho pela polícia judiciária que lhe tenta à força arrancar a confissão. Quando é entregada num estabelecimento prisional, a directora salvaguardando-se, manda tirar fotografias, para provar o estado em que ela lhe chegou. Os polícias justificaram-se que o fotoshop faz maravilhas.
O insólito e inédito, é que está condenada e presa, manifestando-se sempre como inocente e sem a prova do crime. O corpo não foi encontrado.
Na outra face da moeda, Kate McCann, num caso semelhante, em que também, a pequenita não foi encontrada, não existem confissões de culpa, mas a senhora foi tratada com todas as deferências, pelos vários intervenientes da justiça portuguesa, com todos os direitos que lhe assistem - como aliás deve de ser -, e facto, está em liberdade.
Independentemente da culpa ou não destas duas Mães, e que sofrem, por uma ou outra razão.

A justiça em Portugal, perdeu de vez o seu valor fundamental, a confiança. Com tudo o que isso acarreta; a falência do Estado de Direito, os investimentos que se deixam de fazer neste canto à beira-mar plantado e o dinheiro que é desviado todos os dias da coisa pública.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Freak show tuga


Na zona de Torres Vedras, mais propriamente na aldeia da Carqueja, alegadamente ocorreram três homicídios, presumivelmente efectuados por Francisco Leitão. Num país pouco habituado a serial-killers, emerge um bimbo/psico -killer.
Ao que parece de motivação passional, de ciúme e de possessão. Alegadamente teve relações homossexuais com os jovens que seduzia. A questão complicou-se quando esses alegados jovens tinham namoradas e assumiam orientações hetero-sexuais, mas a coisa não foi bem assim e teve muitos pormenores à mistura.
As vítimas, têm vários pontos em comum, são oriundas de famílias pobres, tinham fraca formação escolar, tinham um historial de "fugas de casa" e daí facilmente manipuláveis.
Certo é que os corpos ainda não foram encontrados, a prova essencial do crime.
Se tiver dinheiro de parte, o alegado homicida, contratará um bom advogado, se não, e pelos contornos mediáticos que o caso reclamará no futuro, haverá decerto, jovens advogados sequiosos e ambiciosos que os holofotes trarão, numa lógica de "the best that money can buy".

Um advogado mais ardiloso, irá sem dúvida, seguir a estratégia da negação e posteriormente a da alegação de insanidade mental. Os vídeos que o presumível homicida publicou no Youtube podem - imagine-se - ajudar a essa estratégia.
Na nossa legislação penal, muito intricada e onde ninguém respeita as leis, a comprovação de insanidade tem a capacidade de redução de penas e no limite, a absolvição. Quando a insanidade não é passível de ser comprovada, por mais juntas médicas que se reúnam. Qualquer um pode alegar insanidade e nela se esconder.
Diferente dos casos de crimes negligentes por ingestão de substâncias que comprovadas cientificamente como; drogas, álcool e medicamentos, provoquem estados alterados da consciência. Apesar de tomados conscientemente.
Por isso, a questão da insanidade, tem de ser reconsiderada pelo legislador. O insano não pode ser inimputável, pelo simples facto, de que ninguém o pode provar.
Por outro lado, receio, que tanto no Ministério Público, tal como na Polícia Judiciária não hajam pessoas com as valências necessárias para a desmontagem deste tipo de insanidades e discursos inconsistentes/incoerentes.

O vídeo em baixo e para quem tem olho, bastam 20 segundos, para se perceber que o indivíduo não bate bem da cassuleta, com poucos recursos linguísticos, repete as palavras e frases de sete e quinhentos que aprendeu, umas das melhores "Nós não queremos que o mundo acabe!", ou perante o anúncio de um terramoto em Portugal, a medida mais urgente a tomar "...para evitar o terramoto que vai destruir 76% da costa portuguesa, as pessoas têm de retirar os bens...", no Youtube, tem dos mais variados vídeos, com efeito reverse, a apelar um suposto magnetismo transcendental. Descontando a gravidade das situações ocorridas, aquilo é demais, é uma mistura de trágico, cómico e surreal.

Mas este caso, é um pequeníssimo alerta para os nossos meninos 007's do temível S.I.S., olhitos bem abertos, o.k, é o meu conselho avisado.
Com a degradação das condições sociais, abrem-se campos vastíssimos, para a actuação de oportunistas nestas áreas.
A capacidade de influência aumenta proporcionalmente, conforme a formação académica, capacidade de impacto emocional e experiência para-religiosa dos candidatos a gurus.
Principalmente nos grandes aglomerados urbanos, populações desenraizadas, gente cheia de cicatrizes não saradas ao nível mental e emocional... São alvos fáceis e altamente manipuláveis, a quem lhes aponte uma suposta luz.
Vejam Jim Jones, David Koresh, Filles du Soleil e Shoko Asahara da seita Aum - Verdade Suprema, são exemplos evidentes nos quais, o fanatismo em geral pode desaguar, suicídios em massa e tragédias de outra ordem de dimensão, obviamente.

Mas, eles "andem" aí...