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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Decisão Infeliz - Ultramar

Infelizmente, estas histórias vão-se fazendo todos os dias. Histórias de brutalidade desumana.
Neto e filho, das realidades africanas lusófonas. Colegas que viveram a irracionalidade de uma guerra mantida teimosamente por um governo insano, que acabou por funcionar como gatilho da revolta de Abril.

Os salpicos de água no lençol, numa Guiné, quente e húmida. O amigo da aldeia deitado numa maca a chorar - Nunca mais vamos dar uma volta!
As injecções de penicilina de alta voltagem. As putequinhas de Bissau.
Por outro lado os diamantes de Lunda Norte, mantidos por uma companhia Belga, que fazia de parte de Angola um País à parte.
Um guerreiro, que esteve isolado e abandonado pela Administração, com a sua companhia no Norte de Moçambique, no mato, quantas insanidades vivenciaram.
Um colega que contava emocionado, após um bombardeamento dos Fiat's portugueses que por engano atingiram uma companhia portuguesa. Num armazém improvisado e com a quarta classe mal tirada lancetavam veias de camaradas. Os gritos, os esguichos de sangue a atingirem o tecto e o cheiro a carne queimada e estrilhaçada.
As copas das árvores e os RPG's. As Kalash's que trouxeram.
Dizia um caçador numa lancha com dezassete, não é mau. Com 74 eram muitos. Mortos em combate. Caçador de mortos em combate.
O barulho dos helicópteros no mato, dizem que, é algo que não entenderemos.
Ver esta gente que passados estes anos todos ainda se junta em almoços de convívio, emociona.

E que não se esqueçam, muitos ainda estão vivos. E têm a experiência.

A guerra é a experiência limite do ser humano.

Estes Homens, verem um país actualmente a ser governado por maricons. Custa, caramba!