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sábado, 27 de junho de 2009

Michael Jackson

Michael Jackson, indivíduo que viveu uma vida anormal. Por volta dos cinco anos de idade já brilhava nos palcos acompanhado de seus irmãos. Eram os Jackson Five. Menino prodígio foi-lhe vedada a infância e adolescência. Escravo da editora Motown e de seu Pai que lhe chegava o cinto nas falhas dos ensaios. Trabalhava horas a fio.
Mas o menino tinha um talento natural, todo ele, era musicalidade. Na forma de cantar, de dançar e até na raiva sub-liminar que foi passando ao longo de sua carreira.
Quando entrou na fase adulta foi-se desligando aos poucos da família que o explorava e asfixiava e em 1979, já liberto de amarras, lançou o primeiro álbum a solo, " Don't Stop 'Til You Get Enough ". Tal foi o sucesso e tal a explosão de energia que chamou a atenção de outros interesses.
Aqueles passinhos - pé, joelho e anca - estavam muito à frente para a época. Todo o movimento, o brilhozinho dos olhos e a alegria como canta, mostra que à priori estávamos perante uma boa alma. Com muito soul.



Em 1984, com Thriller, arrebenta com todas as tabelas de medição de sucesso comercial. Torna-se um ícone comercial. Ano malogrado aquando das filmagens de um anúncio para a PEPSI e um acidente pirotécnico lhe causa queimaduras de 2º grau na cabeça. Começam as plásticas e daí em crescendo. Faltou-lhe um staff mais inteligente no aconselhamento.



Logo a seguir, umas das minhas preferidas - Beat it.



Com uma tremenda projecção mediática, ao nível estratosférico e com muitos "olhos" em cima dele vai ao Brasil e numa das favelas cariocas efectua o vídeo - Eles não querem saber de vocês!
Numa primeira vista, parece simples, mas as nuances estão lá.




Por esta altura a degradação física começa por ser demais evidente. Mas para quem vivenciou tal pressão mediática em nossos tempos, sem ciências sociais e teóricas capazes tecnicamente de enquadrar tão complexa vida. Não existiam bases de comparação. Eram milhões e milhões a sugarem a energia de uma só pessoa. De tão vampirizada, vai construindo couraças. As excentricidades são uma das defesas.
Num Planeta sub-humano e ainda pouco desenvolvido consciencialmente, inconscientemente vai sofrendo as terríveis purgas de inveja, meias-verdades e acusações de todo o tipo.



O vídeo a seguir foi um dos últimos, em que Michael Jackson já era uma aberração física, Cry, um dos melhores. Na linha universalista de Ser.




A sua discografia é imensa, mas fica aqui Man in a mirror, com um vídeo muito bem conseguido com uma música impressionante.

Michael Jackson - Man In the Mirror



Conheceu o lado negro da fama, com as acusações de pedofilia. Julgo que de facto o que aconteceu foi que os Paizinhos viram ali um filão de ouro para explorar. Com tal projecção mediática seria fácil forçar indemnizações de milhões.
Michael, figura tímida e de voz fininha, transfigurava-se em cima do palco. E aí era explosivo, feroz, soberbo.
Sintomático, é o álbum de música mais vendido em todo o Planeta, tratar de mortos-vivos e zombies.