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domingo, 20 de setembro de 2009

O tempo não pára


Vivemos um fenómeno novo. Uma época com três eleições seguidas; europeias, legislativas e autárquicas. Numa altura em que nunca tanto como hoje, existem mais aderentes na internet, desde redes sociais, como blogs. E principalmente na blogosfera nacional nunca se tinha visto a luta das várias forças políticas tão massificadas como agora.
Dessa interacção, resulta por vezes alguma coloração mais agreste. Na base tudo normal, pois os seres humanos, transferem os seus modos de ver, para um novo canal de comunicação. Como não há frente-a-frente, olhos-nos-olhos, essa interacção é diferida no tempo e ao mesmo tempo mais cómica, surreal e violenta. Onde o tempo não pára.
É como a teoria do cavalo. Entre o cavalo e o cavaleiro, existe a cela, o arreio...

Realça de uma maneira muito evidente nesse tipo de comunicação, a susceptibilidade, dos portugueses no diálogo e na crítica.
Portugal, país do fado, da tristeza, da melancolia e da depressão, "ainda" é um país onde a crítica e a discordância causa náuseas.
A comunicação é baralhada ao limite do absurdo, onde seus intervenientes, não conhecem as suas regras básicas e elementares.
A comunicação interpessoal é um método de comunicação que promove a troca de informações entre duas ou mais pessoas.
Cada pessoa, que passamos a considerar como, interlocutor, troca informações baseadas em seu repertório cultural, sua formação educacional, vivências, emoções, toda a "bagagem" que traz consigo.
O processo de comunicação prevê, obrigatoriamente, a existência mínima de um emissor e de um receptor.
Cada qual tem seu repertório cultural exclusivo e, portanto, transmitirá a informação segundo seu conjunto de particularidades e o receptor agirá da mesma maneira, segundo o seu próprio filtro cultural.
Quanto às funções da linguagem elas são: emotiva ou expressiva, apelativa ou imperativa, metalinguística, informativa ou referencial, fática e poética. Do uso de entre elas e misturadas entre si, vai uma baralhação enorme, sem esquecer que existem outras.
Para não falar de propaganda, que é um modo específico de se apresentar uma informação, com o objectivo de servir a uma agenda. Mesmo que a mensagem traga informação verdadeira, é possível que esta seja partidária, não apresentando um quadro completo e balanceado do objecto em questão.
Por último o contexto, que relaciona o texto e a situação em que ela ocorre, lugar e tempo, cultura do emissor e receptor.

Nisso, e batendo na mesma tecla, constato um eterno desperdício gastar de energias na discussão do pormenor, a discussão do microfone.
Quando a questão central e que influencia todas as vidas, está lá no alto, nos grupos trans-nacionais, nas áreas; financeiras, farmacêuticas, armas e armamento, energia (petróleo e derivados) e droga, entre outras. Daí e suas subsidiárias que cobrem um mundo, mais pequeno do que se julga, formando uma rede anti-social.
Essas organizam-se e mantém uma disciplina férrea, encoberta dos muitos olhares curiosos.
Vêem com agrado as discussões dos pormenores, em cada país. Onde localmente se levantam os arautos das verdades, que divertem, e que podem ser promovidos, em última instância disponibilizados e vendidos.

Voltando ao nosso, micro, pequeno e médio cosmos, já que nesta campanha eleitoral, todos se lembraram das micro, pequenas e médias empresas, elas sempre esquecidas, dos governos incompetentes do partido socialista e social-democrata, elas sempre esquecidas e que por via destes governos as tornaram mais dependentes de grandes grupos internacionais, fazendo da sua sobrevivência, a decisão para lugares ocultos.
De Cavaco e os espiões, quais detectives Correias, outros querem tirar o rendimento mínimo aos ciganos, outros querem fazer obras que nunca mais acabam, entregando de mão beijada aos tais grupos, o dinheiro contado de muita gente que se especializou a fazer contas.
O pão ou o queijo, o salmão ou o carapau, o médico ou o endireita, o ourives ou o pexisbeque em suma a vida ou a sobrevivência.
Sem esquecer o programa mais fantasista de todos. O Floco, Louçã diz que se deve nacionalizar toda a banca e seguros. O que não diz deliberadamente, é que isso, era enviar o país para a desgraça completa. É que o tempo não pára, e o país está parcialmente vendido a accionistas estrangeiros, e no mundo selvagem em que vivemos, existem códigos que ainda prevalecem. Os tribunais europeus seriam inundados, e Portugal teria que pagar indemnizações colossais, já que nadamos em dinheiro... E emporcalhando toda uma nação na cena internacional. A não ser que "a maldita" caísse do céu, tal e qual, reluzentes flocos de neve.
Desta campanha reclamam os grupos circenses, pois não há circo melhor.
Jardim Gonçalves, Dias Loureiro e Paulo Pedroso, formam todo um ramalhete de seriedade e credibilidade de uma república.

Nesta legislatura, os ricos ficaram mais ricos e ao mesmo tempo temos o maior desemprego de que há memória.
Estas contradições, dão que pensar. Pelo menos deveriam...

Vejo futuros a repetirem passados.
Vejo corruptos e ímpios a transformar o país num puteiro inteiro, pois nisso se ganha dinheiro, só que suas ideias não correspondem aos factos.
As suas piscinas estão cheias de ratos.

O tempo não pára...


Publicado em simultâneo no blog Cheira-me a Revolução!