terça-feira, 3 de julho de 2012

Trabalhar para o boneco


Após um ano de governação, Portugal está mais miserável, menos soberano, mais endividado e com uma horda cada vez maior de pobres, são os factos reais duma caminhada pré-anunciada para o buraco.

Após o exemplo grego, o governo português seguiu o mesmo caminho, para erguer as finanças públicas, destruiu a economia, não faltaram os avisos...
Perante a constatação da realidade dos números, contorcem-se pelas formas de conhecimento que conhecem, a realidade mostra-se como sempre é, e que factos são factos.
Enquanto visitam centros tecnológicos onde são vaiados pelas populações, ao contrário de crescimento e emprego que tanto advogam na teoria e que na prática tudo fazem ao contrário, fazem olho pequeno para o contínuo aumento de pais com os seus filhos a cutucar os baldes de lixo.

Este governo que tanto procura a credibilidade dos mercados e investidores, que tempo procura a acautelar os seus?
Quanto tempo gasta no seu exercício governativo para os seus cidadãos, cada vez em maior número, que remexem as lixeiras não com fins ambientais, mas de sobrevivência?

Cortam direitos adquiridos a olho cego, confiantes ao mesmo tempo que estão a desenvolver o país, deixam os portugueses; sem motivação, baixa auto-estima, liquidam objectivos de carreira. A pergunta que todos fazem - Para que trabalhar mais? Ou mais horas?
A filosofia deste governo é suicida e bloqueadora. Com a redução/roubo de parte significativa do rendimento das famílias a juntar esta mentalidade depressiva, reduz na mesma linha todo o rendimento do Estado. Menos receita fiscal, principalmente nos impostos directos sobre o consumo. Mais encargos sociais, nomeadamente para quem vive a violência social do desemprego, num país que tem cada vez menos para oferecer e sem perspectivas no médio/longo prazo, ao contrário das normais fantasias  próprias de quem governa.

A clara incapacidade de visão de conjunto deste governo chega ao ponto de encerrar o maior centro de maternidade do país - a Maternidade Alfredo da Costa - ao mesmo tempo que sobe a décalage de falecimentos relativamente a nados-vivos, tão propícia ao colapso da Segurança Social.
Como explicar aos filhos, um governo composto por um Relvas, um ministro da Saúde dos Seguros Médis e uma ministra da justiça psico-neurótica entre tantos outros.

Quem trabalha, sente que trabalha para o boneco, apenas para pagar as dívidas. Quem não trabalha e que queria trabalhar, desespera com a visão que não existe uma a luz ao fundo do túnel e depois os outros, frutos de um país feito em cacos, com tendência a agravar-se.

O actual governo português, tem muito que se congratular... Com a mediocridade.

O verdadeiro rating do actual governo português é merda, pois, é um governo de merda!

Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!





quinta-feira, 28 de junho de 2012

O caso da multinacional checa - Bata


Há poucas semanas  atrás a multinacional checa Bata que se dedica à comercialização de calçado, anunciou que se vai retirar de Portugal.
A companhia fundada por Tomas Bata em 1894 na cidade checa Zlin na antiga Checoslováquia, atravessou o séc. XX e mantém-se no séx. XXI em todo o seu fulgor. Hoje é uma multinacional presente em cerca de 70 países com mais de 5.000 lojas e aproximadamente 30.000 trabalhadores.

Nos dias de hoje, em que assistimos diariamente a encerramentos de fábricas, empresas e lojas, consequência directa de insolvências, falências, deslocalizações e algumas vezes de forma fraudulenta sob uma capa de legalidade, num sistema judicial fraco para os fortes e forte para os fracos, sistema judicial português esse, cada vez mais desigual no acesso e cada vez menos justo na aplicação da lei.

Não sendo um caso diferente do dia-a-dia económico/industrial português, infelizmente, é no comunicado da casa-mãe desta multinacional, que fica espelhado em poucas linhas a realidade económica portuguesa, totalmente contrária à linha comunicativa do governo português, que vive uma mistura de ficção teórica comunicativa e realidade social aplicada resumida em gráficos Excel.
Assim, ao contrário da filosofia de comunicação do governo português - que diz uma coisa e pratica outra - que enche os seus comunicados até à exaustão os cliques bordão, tais como; é o único caminho, crescimento económico, medidas contra o desemprego, o caminho certo, recuperar a confiança, as medidas necessárias e por fim, atrair investimento estrangeiro, vem a realidade objectiva de uma empresa estrangeira a operar na economia portuguesa que já tinha puxado a corda da exploração até aos limites, note-se que para os empresários em geral o lucro é sempre pouco, as lojas da Bata funcionavam actualmente com um trabalhador por turno, o que leva a questionar para é que existe uma entidade que dá pelo nome de Autoridade para as Condições de Trabalho - ACT ?
Diz a Bata constatando a realidade - " o clima económico no país, tornou-se extremamente difícil, deteriorando a confiança dos consumidores bem como o seu poder de compra, o que tornou impraticável a continuação da Bata em Portugal, como vinha acontecendo até aqui ". 

E é nesta pescadinha de rabo na boca que o governo português fica surpreendido quando afere que a receita fiscal diminui e o défice publica aumenta.
Reduzindo o rendimento das famílias, as empresas vendem menos e a indústria produz menos. É a espiral recessiva negativa que o actual governo colocou o país, aliás, fruto de um elenco na economia e nas finanças, brilhantes académicos e teóricos, mas muito fraquinhos na capacidade de visão da realidade de um país em contexto global.

sábado, 16 de junho de 2012

Não bate a bota com a perdigota


Perdigota é uma perdiz nova que se utiliza na expressão - não bate a bota com a perdigota - apoiando-se na rima ( em ota ). Significa que qualquer coisa não bate com outra.

Vem isto a propósito, relativamente às figuras governativas que se sentam nas cadeiras do semi-poder, dos seus semi-estados um pouco por toda a europa, os seus discursos são completamente contrários às suas práticas. Sempre foi assim pode-se dizer, mas na actualidade estão a atingir-se patamares próximos da loucura.

Parecem robôs com um cardápio de frases feitas a serem utilizadas conforme os ventos sopram. Por vezes mentem, noutras são meras inocuidades e às vezes meras profissões de fé. Tudo isto repetido vezes sem conta nas tiras de jornais e nos títulos dos noticiários televisivos, adormecendo os povos que os elegem.
O que dizem num dia, pode significar exactamente o contrário alguns dias depois.
Há poucas semanas atrás o primeiro-ministro espanhol afirmava categoricamente que o país não precisava de mais dinheiro, uma semana depois estava a acordar um empréstimo de 100 mil milhões exclusivos para a banca e ao que parece não chega, além das dúvidas da capacidade de reembolsar o referido empréstimo.
O primeiro-ministro português executou na prática exactamente o inverso do que discursou antes de o ser.
São pequenos exemplos da realidade actual.

Governam para os credores e para os compradores dos seus sectores estratégicos numa espécie de metamorfose de governantes para liquidatários nacionais. Vendem na pressa e na pressão, abaixo do valor de mercado, empresas; do sector energético, dos transportes, gestão de aeroportos, dos seguros, da banca, das comunicações, companhias aéreas, das águas, da saúde e da educação. Se não se vende, dificulta-se ou fecham-se certas áreas públicas para dar espaço ao privado.
Enquanto as economias nacionais definham sem se vislumbrar luz ao fundo do túnel, vão ao mesmo tempo, atirando os termos-bordão: crescimento económico, tomar medidas, fazer as coisas certas, sustentabilidade, credibilidade, tranquilidade, crescimento sustentável... O cardápio de inocuidades é enorme.

A realidade, infelizmente, é que o discurso não bate com a prática.

Até quando você aguenta ser saco de pancada ?


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sábado, 9 de junho de 2012

Carta do Centro de Emprego

(clica na figura)

Esta é a carta padrão que a Segurança Social envia aos desempregados que perfazem os 6 meses de desemprego.
Nesta carta, seu conteúdo em pouco menos de 10% resume o fim a que se destina, ou seja, a reavaliação da situação do desempregado, os restantes 90% são utilizados a assustar o desempregado nas variadas formas em que pode perder o seu meio de subsistência, com termos usados, tais como; a falta de comparência não justificada; a anulação da inscrição de centro de emprego determina...; todavia conforme a situação do incumprimento apurada, o quadro sancionatório poderá ser ainda... Por aí adiante.

Bem sabemos, que estes ofícios têm que obedecer a uma série de normativos legais, mas daí ao exagero ...!
Roça em alguns aspectos aquelas técnicas de guerra psicológica das unidades das psiques militares para aterrorizar o inimigo. O que leva a questionar se a Segurança Social considera o desempregado, um inimigo !?

Todos sabemos, que existem inúmeras fraudes relativamente aos apoios do Estado, mas também sabemos, que muita gente descontou durante muitos anos para ter direito a este apoio, muita gente deseja trabalhar e ao contrário do que alguns responsáveis políticos julgam, estar desempregado neste país não é uma oportunidade de mudar de vida, pois este país não é a terra das oportunidades como pensam, derivado dos modelos económicos que estudaram. Convenhamos que o Canadá e os E.U.A. não são propriamente, mesmo que dizer, Portugal. Embora que tenhamos infelizmente alguns responsáveis governativos que acham que os mesmos modelos possam ser aplicados, não tendo a noção que falamos de realidades e sistemas organizativos completamente diferentes.

Quanto aos técnicos da Segurança Social, não vamos acreditar que na sua globalidade serão pessoas desumanas e insensíveis, por isso, as percentagens na figura acima estão rabiscadas a lápis, para que possam ser apagadas e serem invertidas as respectivas proporções.
E se há pessoas humanas a trabalhar nesse ministério - concerteza as haverá - ponham a mão na consciência e reformulem esta carta-tipo enviada a pessoas desempregadas há mais de 6 meses. Já basta o drama de estar desempregado há mais de 6 meses com a agravante de não se vislumbrar um futuro melhor num país estragado e extorquido pelos responsáveis políticos das últimas décadas.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Catastroika


O documentário Catastroika financiado por cidadãos gregos e de outros países, rompe com o discurso do politicamente correcto, apanágio dos média que as massas incautas consomem e que tomam como verdade real.
Elaborado pela mesma equipa grega que produziu Dividocracia, o documentário em baixo segue os temas das privatizações das empresas públicas com mais detalhe, empresas em sectores chave de economias - nos dias de hoje em pseudo-soberanias - sectores tais como; comunicações, energia, transportes e água, fundamentalmente.
Empresas que durante décadas construíram suas infra-estruturas financiadas pelos cidadãos, na figura jurídica de contribuintes de Estados, para agora sob o pretexto de uma complexa crise iniciada por uma zona cinzenta e obscura financeira, alimentada pela completa desregulação dos mercados, o santo-graal de merda, onde estes vampiros ultra neo-liberais beberam o seu modus vivendi de actuação.
Na verdade, o que vivemos, não é algo desordenado, mas sim, algo muito bem planeado e construído. O que leva sempre à seguinte questão - Será que contaram com os imponderáveis?
Assistimos meio anestesiados, meio conformados, ao maior roubo da história dos tempos. A liquidação total do que foi construído e financiado pelas populações durante décadas, para passar de repente e sem pagar o preço certo,  a mãos privadas, de que não sabe muito bem quem são. Ao mesmo tempo que se vai criando a ideia do funcionário público como abominável e sugador dos recursos.
Quando na verdade, como comprovam os factos, nos países outrora privatizados, desde a energia às comunicações, desde os transportes aos sistemas de saúde, nada melhorou, pelo contrário, a qualidade dos serviços públicos deterioram-se, a corrupção não baixou e a desburocratização não se concretizou. Ficaram apenas a ser geridos por múltiplos conselhos de administração que objectivam em primeira linha o lucro ao accionista que financia (com dinheiro de terceiros, diga-se de passagem ), tão somente.
O documentário termina com uma questão pertinente - Você quer ser livre, ou viver tranquilo? As duas ao mesmo tempo são impossíveis, logo tem de haver uma escolha.


Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

sábado, 19 de maio de 2012

Os Donos de Portugal


Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a protecção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza; Mello, Champalimaud e Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae e Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base. No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui. Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves. A estreia televisiva teve lugar na RTP 2 a 25 de Abril de 2012. 

Donos de Portugal é baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louçã e Fernando Rosas, publicado em 2010 pelas Edições Afrontamento e com mais de 12 mil exemplares vendidos.

Num país gerido por meia-dúzia de famílias, nunca tantos trabalharam para tão poucos. É a sina de um povo resignado, conformado e que prefere não pensar muito na realidade que lhe transcende a sua zona de conforto. Obedecer, não levantar ondas e garantir a sua migalha, como se fosse uma dádiva de Deus...

sábado, 12 de maio de 2012

Grécia: A mudança de paradigma


Na semana passada, a crise iniciada em 2008 teve mais um novo episódio por força das eleições legislativas gregas. O povo grego fustigado pela austeridade imposta pela troika - FMI, UE e BCE, castiga duramente os "auto-aclamados" partidos políticos do arco governativo ou também chamados de partidos do consenso, que trocam entre si o poder dando a ilusão às massas que escolhem realmente alguma coisa.
É a velha escolha entre a Pepsi e a Coca-Cola, quando afinal o dono é o mesmo. Ou seja, a farsa que é na verdade, o chamado mundo democrático, quando afinal o dono é essa coisa tenebrosa, a ditadura financeira, que não tem nacionalidade e sem rosto, que se alastra e envenena as sociedades mundiais.

Do resultado eleitoral, saiu um emaranhado político que como se previa não resultou na formação de um governo maioritário, nem mesmo os tais do arco, o Pasok e a Nova Democracia - o equivalente em Portugal ao PS e PSD respectivamente - juntos conseguem obter a maioria no parlamento grego.
Dessa forma chegamos ao ponto mais crítico desta crise, ou tudo continua na mesma, ou vamos ter agora a catarse, o ponto de viragem que terá um efeito dominó de consequências imprevisíveis.
Aqui emerge a figura de Alexis Tsipras, líder do segundo partido mais votado, o SYRIZA. Como muito provavelmente irão se realizar novas eleições e com uma dinâmica de vitória em torno de Tsipras, a juntar que na Grécia o partido mais votado tem direito a um bónus de mais 50 deputados, podemos estar na iminência de ter um governo fora do arco governativo no poder. Para já e como esse facto agora pode ser real, a ditadura financeira começa a assustar-se, a começar pelas medidas que Tsipras já anunciou que irá tomar se chegar ao poder e pelas ondas de choque que provocou nos mercados financeiros por todo o mundo.
Dentre as principais: a nacionalização de toda a banca grega e a devolução por parte desta de 200 mil milhões de euros que se consideram retidos e que deveriam ser entregues ao Estado; o fim do memorando de entendimento com a troika; uma investigação apurada sobre o histórico da dívida grega, bem como, a retirada de imunidade parlamentar aos deputados.

Sem dúvida e como muitos o previram esta situação explosiva é o resultado directo dos contratos de empréstimo mal e gananciosamente concebidos que asfixiam as economias intervencionadas. A começar nos prazos curtos contratados e pior, nos juros cobrados na "ajuda" que os políticos do arco e os média gostam de renomear, o que na verdade, são terríveis pactos de agressão contra os povos que suportam estes acordos que fazem ganhar muito dinheiro aos credores. Só por exemplo em Portugal, gasta-se mais nos juros, do que na saúde e na educação, fora as amortizações de capital. Facto que mina qualquer política de crescimento e de emprego, restando aos políticos do arco discursar apenas intenções de fé.

Como resultado de todos estes capítulos da crise, temos a Grécia transformada num verdadeiro barril de pólvora, com uma série de variáveis imprevisíveis.
A variável militar, é mais outra que pode ser determinante neste processo. A Grécia com o seu medo atávico turco, dedica tradicionalmente uma boa dose do seu orçamento no ministério da defesa, só para se ter uma ideia, a Grécia depois dos E.U.A. é quem mais gasta em defesa nos países membros da NATO, principalmente na indústria de armamento alemã, o qual absorve cerca de 10% da produção militar alemã. A hipótese de golpe militar também tem uma forte probabilidade de ocorrer.

Uma coisa é certa, o status quo mudou, quando as pessoas ficam encostadas à parede e sem nada a perder, algo tem que necessariamente mudar... E vai mudar, espalhando sementes um pouco por todo o mundo.

Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Voar por cima de comboios


Há poucos dias atrás entre as 4H30 e as 5H, tive uma série de projecções da consciência sucessivas. Através de uma energia vibracional não efectuada por mim, mas sim, por uma consciência extrafísica, quiçá um amparador, realça-se a competência energética. Num estado de quase 100% de lucidez e num toque entrava num EV elevadíssimo, proporcionando em segundos a saída do corpo físico, de barriga para cima, volitando em forma de espiral ascendente, tipo bobsleigh.
No momento em que ia de encontro contra o estore da janela, entrava numa espécie de portal, tipo tubo, o qual se vislumbra apenas cores esbatidas, tal a velocidade com que nos deslocamos, além das cores esbatidas pela velocidade, as curvas e contra-curvas não se esquecem.
De repente, de uma viagem quase super-sónica, aparecemos numa outra dimensão, infelizmente o discernimento já não é o mesmo do estado de vigília física, onde as fronteiras do sonho e da projecção extrafísica se entrecruzam.
Da primeira vez, rememoro uma grande estação de comboios, já a amanhecer num dia cinzento, pelo horário estaria algures no centro da europa, volitava pelo meio das pessoas que se apressavam para o trabalho.
Nas outras voava por cima de comboios a alta velocidade, sensivelmente a 2 ou 3 metros acima das composições. Linhas férreas rectas, compridas de perder no horizonte, no meio de florestas carregadas de neblina matinal.
Era uma espécie de treino de velocidade, focando e concentrando na energia, chegava por vezes a ultrapassar o comboio, mas por poucos instantes... Até se sentia o vento a bater na cara!

... I hope ... I go ...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril


25 de Abril é uma data do calendário, para Portugal e não só, é um marco histórico.

Representa ideias e valores como a liberdade, a justiça, a educação, a saúde, igualdade de oportunidades e paz.
Escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen;
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

38 anos após uma viragem de regime ditatorial fascista, Portugal encontra-se actualmente de mão estendida aos grandes consórcios financeiros mundiais. Contratam empréstimos colossais em prazos muito curtos.
Para os pagar, o actual governo PSD/CDS (direita política portuguesa que fica sempre cheia de brotoeja nas comemorações do 25 de Abril) opta politicamente pelo corte das pensões e reformas, nos rendimentos mensais das famílias, carrega na carga fiscal dos particulares e empresas, num País onde o salário/dia é metade da média da União Europeia, segundo o Eurostat.
Facilita os despedimentos e diminui as indemnizações por mútuo acordo, num País onde existem 7.500 casais sem salário, e com uma perspectiva de tempo mais reduzida, no que toca ao subsídio de desemprego.
Corta nas comparticipações dos medicamentos, transfere o Serviço Nacional de Saúde para o sector privado, transformando a saúde num negócio, ficando aos critérios da rentabilidade. O utente passa a cliente, passa a haver, doentes rentáveis e doentes não rentáveis. Por curiosidade, o actual ministro da saúde, é um dos co-fundadores de um dos maiores grupos de saúde privada.

Hoje, Portugal menos soberano do que já fora, sem poder emitir moeda própria e sem taxas alfandegárias, fica ainda mais desprotegido aos gigantes da especulação financeira.
As elites portuguesas, patriotas que são, transferem grandes quantidades de capital para offshores, contribuindo zero para o Estado Português. Dinheiro ganho na exploração do trabalho.
Alteram os domicílios fiscais para fora do território português. Como por exemplo, empresas que já pertenceram ao Estado, hoje na mão de accionistas privados.

Governo e deputados desta democracia de alterne - PS, PSD e CDS, são na verdade, empregados destes grupos financeiros e dos grandes escritórios de advogados.
Portugal perde milhões de euros todos os anos em processos judiciais, pelos múltiplos alçapões com que estes empregados minam a legislação portuguesa.

Os que de facto viveram e vivem acima das possibilidades, não querem pagar a sua quota-parte, pagando a maioria da sociedade a sua contribuição e a destes pantomineiros.
Esta lógica está obviamente errada e a história ensina-nos que de tempos em tempos existem correcções.
A questão que se coloca é quando e como?



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domingo, 8 de abril de 2012

À míngua

Quando o actual primeiro-ministro, na altura candidato, fazia uma conferência de imprensa em tom dramático onde anunciou que o seu partido iria chumbar o PEC 4 do governo socialista, mesmo que dizer, a consequente queda do governo, afirmava com um ar muito cheio de si - O país não pode ficar a pão e água!

De facto, o que ele queria dizer e que as pessoas não entenderam nas entrelinhas, era que o país iria ficar na verdade, à míngua.

Ninguém pode acusar este governo, no esmero e dedicação, pois estão a consegui-lo a velocidade alucinante.

O velho discurso da tanga, que não há dinheiro, os portugueses são uns malandros e que com o seu salário médio entre os 600 e 700 euros, vivem acima das suas possibilidades. A segunda parte deste discurso é que estes sacrifícios são necessários para num futuro qualquer vivermos todos melhor e mais felizes.
Em resumo, primeiro o discurso da tanga e depois a história da carochinha.

Quando muitos avisaram, que a linha política ultra-neo liberal que este governo seguiu, iria ser o caminho directo para a destruição da economia nacional, vêm agora os primeiros engasgos dos governantes relativamente às datas; é em 2013, não afinal, talvez 2014, queria dizer porventura, vamos lá 2015.

Governam à vista, os principais factores de decisão não dependem deste governo e têm de vender o que resta do património nacional.

Por outro lado, falham nas previsões das folhas de Excel uma após outra, onde nelas não entram factores psicológicos da sociedade como a desmotivação, a retirada forçada de rendimento às famílias (que já era muito, diga-se de passagem), a diminuição do consumo levando por um lado a menos receita fiscal e por outro, a falência em catadupa de pequenos negócios, de micro, pequenas e médias empresas, gerando mais desemprego numa espiral descendente.

O imposto demasiadamente elevado nos combustíveis e na electricidade, que assassina qualquer tipo de crescimento das empresas. Entende este governo, que são os despedimentos mais fáceis, um enorme factor de crescimento.

Enquanto os portugueses trabalham para pagar os impostos, os juros e comissões da troika, os desvarios criminosos dos governos PS, PSD e CDS das últimas décadas, os empréstimos que o Estado foi forçado a contrair para não deixar cair o BPN, para que alguns pudessem comprar iates e mansões com financiamentos que o Estado não irá mais recuperar de titulares escondidos nos labirintos das off-shores espalhadas pelo o mundo fora.

Sem dúvida que é mais fácil, retirar uma parcela da reforma de quem descontou toda uma vida de trabalho, cortar nos abonos de família, diminuir as comparticipações dos medicamentos para os reformados (um luxo!), financiar especuladores bolsistas às centenas de milhões de euros e complicar financiamentos de alguns milhões a empresas e industrias com carteiras de encomendas para adquirirem matéria-prima para a produção.

A pão e água? Não! À míngua...

Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Porque é que a gente é assim


Porque sim, e ao mesmo tempo, porque não. Esta é a resposta oriunda das profundezas daquilo a que se chama de verdade. A verdade com que cada um interpreta e experimenta, fruto de historiais vividos individualmente, guardados nos mais secretos cofres jamais inventados, a alma de cada um.

Se se realçar, que cada alma é uma fechadura, esconda-se aquele que presumivelmente carrega em si a chave, a chave que abre as avenidas do prazer, donde se esconde, que um vício, tem mais dois ou três.

As avenidas do prazer, ou até duma sensação libertadora, uma espécie de incoerência coerente, libertadora dos mecanismos carnais e físicos, em quais estamos subjugados, por força de processos mentalmente incontroláveis.

Quem domina?
O corpo controla a mente?
Ou a mente controla o corpo?

Enquanto ao mesmo tempo, cada um de nós, é juíz de outros, de terceiros, ao mesmo tempo que praticamos a hipocrisia involuntária de nossa estupidez.

Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonito do que eu?

Porque é que a vida é assim ...? Porque, se calhar também em formas que nos ultrapassam, como por exemplo...,
Não magique assim! A vida é o que é... É.

Mais uma dose? Claro que tou afim..., tchin tchin...