quarta-feira, 28 de março de 2012

A servidão moderna


Meu optimismo está baseado na certeza que esta civilização vai desmoronar.
Meu pessimismo em tudo aquilo que ela faz para arrastar-nos em sua queda.

Num mundo já condenado, tal como se perspectiva, em que a violência das águas irrompem pelas margens, sem que ninguém consiga calcular todos os imponderáveis, que daí possam advir.

Num mundo, onde já dominado por uma cultura dominante, um sistema, ou outro nome aberrante que tenha, já conseguiu envenenar todo o espectro "modus vivendis" das pessoas, as mesmas que alimentam todo esse sistema, pensado e coordenado, por uma minoria, que pensa todos os dias, a melhor forma, de manipular e manter sociedades cataplécticas, criando padrões holo-pensénicos.

Seja na política, religião ou desportos super-mediatizados, como o futebol industrial, tal como nas pseudo-artes, no gigantesco investimento nas chamadas "celebridades", que se vendem como modelos e representativas do sucesso e da felicidade, quando ao mesmo tempo, no lado obscuro da realidade, essas representações mediáticas de modelos para milhões, se tentam suicidar, morrem enfrascados de fármacos ( medicina mercantil ), sós e abandonados em suas mansões made in Beverly Hills.

A pessoa não tomando consciência de si, perdida neste mundo, num imenso universo, acaba tomada pelo medo, tomar partido, religião ou outro tipo de associação que a faça sentir parte de algo.
Fugindo, tal como uma criança que se perde dos Pais, evitando o pânico da rejeição e da desorientação consequente da sensação de estar perdido, a pessoa em geral, procura sofregamente, pertencer a algo, dessa forma, sente-se protegida a factores agressivos e contrários a um dos principais factores das prioridades do ser humano. A segurança, primeiro anti-vírus, ao medo em sentido lato.

Que época terrível esta, onde idiotas dirigem cegos.
William Shakespeare
A questão do pseudo-verde ou o fervor ambientalista, uma enorme fraude para entupir os olhos das pessoas que separam religiosamente o lixo; plásticos, vidros, pilhas e em geral, na verdade tudo misturado resulta numa enorme geraldina.
Na verdade, tudo continua na mesma, enquanto governos, corporações e multinacionais, investem fortemente na ideia verde, para de facto, manter tudo quase no mesmo, na produção efectiva de poluição que envenena de facto o ambiente deste planeta, que faz ao mesmo tempo, com marketing forte, normalmente casais saudáveis, céu azul e casa na pradaria.
As pessoas compram imagens emocionais primeiro, e em seguida, o produto material.

 À primeira vista, a mercadoria parece uma coisa simples, trivial, evidente, porém, analisando-a, vê-se complicada, dotada de subtilezas metafísicas e discussões teológicas.
Karl Marx, o Capital
Nessa linha, quase que se pode dizer, que a democracia em que a maioria acredita ou crê, como sublime e máximo de justiça política, na verdade, é tão ou mais fraudulenta que os regimes fascistas e em tempos muitos idos, feudalistas.
A ilusão da escolha, crendo as populações democráticas a ideia de que têm voz na matéria, uma espécie de Coca-Cola e Pepsi, na realidade o mesmo dono.

A opressão se moderniza estendendo-se por todas as partes, as formas de mistificação que permitem ocultar nossa condição de escravos.
Mostrar a realidade tal qual é na verdade e não tal, como mostra o poder constitui a mais autêntica subversão.
O documentário que se segue - imperdível - foi realizado em 2009, imagine-se pela a assertividade, de Jean-François Brient - De la Servitude Moderne.

Numa época, como qualquer outrora vivida por quase todos nós, cheios de si, julgando-se muito inteligentes, intelectuais e sabedores de si mesmos, quando na verdade, esta humanidade vive na infância negra de si... Pensando alguns, na sua inocência, serem, os Iluminados...


quinta-feira, 22 de março de 2012

As crises do capitalismo


De tempos em tempos ocorre uma crise, em consequência dos ciclos da oferta e da procura. Na realidade, os vectores da oferta e da procura, são apenas, uma pequena parte do "jogo" em que vivemos. Na verdade, existem uma série de variáveis não contabilizáveis que alteram por completo as regras dos variados "modus vivendis" das populações.
Essas variáveis, vêm de uma suposta natureza humana, se assim possa ser chamada, tal como a ganância, a obsessão, o egoísmo, o ressabiamento, o recalcamento, entre algumas outras, que se configuram no campo das emoções, dessa suposta ideia, da natureza humana. Emoções negativas e do foro patológico.

O capitalismo selvagem que tem imperado nas nossas sociedades, mostra-nos isso mesmo. Como forma de organização das nossas sociedades, aumenta a desigualdade brutal da distribuição da riqueza produzida, no aumento do desemprego e esta com sub-divisões; ao nível da precariedade no trabalho, na diminuição do poder reivindicativo, na aceitação sem condições de condições por troca de um mísero salário.

Quando em tempos idos as empresas se designavam por Companhias, tinham ao mesmo tempo, enormes massas de trabalhadores, que se organizavam e faziam jornadas de luta temíveis, pelo seu direito à dignidadade enquanto pessoas humanas.
Desses tempos aos de hoje, uma espécie de patronato, aprenderam com o tempo e com as experiências. Hoje as Companhias estão disseminadas e diluídas em Grupos Económicos, divididas em várias empresas, muitas até, em vários pontos do mundo, conforme a legislação fiscal e laboral, mais favorável ou não. Departanlizando e dividindo as forças de trabalho em empresas de out-sourcing, em empresas irmãs e primas, diminui-se o poder reivindicativo, aumentando em proporção o trabalho precário, no contexto do terror da renovação do contrato, paulatinamente, vamos regressando ao trabalho à jorna, sem direitos e calados e conformados.

No caso específico português, enquanto se grita com o ministro A ou B, não é indivíduo em si que encarna a personagem, mas sim, as políticas que preconiza que têm especial relevância.
No Portugal de hoje, vendem-se ao desbarato empresas nacionais de sectores estratégicos à soberania, que por essa via, os lucros ficarão na mão de accionistas estrangeiros, que nada têm a ver com o bem estar e a qualidade de vida da população, mas sim e unicamente, com a remuneração dos investidores, maior parte deles, a residir noutros pontos do globo.
Enquanto o governo actual, estimagtiza de forma sem precedentes, o funcionário público, aquele que paga os todos os impostos que são devidos ao contribuinte.
Se temos ou não, muitos funcionários públicos, tal facto deve-se às tremendas e ruinosas gestões públicas dos partidos políticos PS e PSD que têm alternado entre si  a governância deste país. E quem sem decoro e falta de vergonha na cara, são de forma directa pelos seus dirigentes e de forma indirecta pelos seus comentadores que pululam nos media, que dizem com uma enormíssima lata, que o país vive acima das suas possibilidades.
Quem lhes metesse um balde de merda pelo focinho abaixo, era pouco!

Na questão dos resgates financeiros soberanos, o escândalo é de bradar aos céus...
Aquando da criação da moeda única em 2002, ao mesmo tempo que os estados aderentes, reduziram parte da sua soberania, transferindo para o recém-nascido BCE as suas políticas monetárias.
A coisa é surreal, enquanto a Grécia aprova um segundo pacote de intervenção, enquanto Portugal e Irlanda se torcem para cumprir os empréstimos que obtiveram em condições mais do que draconianas, o BCE em duas tranches concede empréstimos no valor 1 mil milhões de euros aos bancos europeus, sem condições, a 1% e com algumas garantias.
Isto é um escândalo de proporções infinitas, contida pelos media na mão de meia-dúzia de grupos económicos (ex-Companhias).

Para quem "ainda" não quer perceber, fica o vídeo em desenhos animados...



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

sábado, 17 de março de 2012

Phenomena

Canfa 2012

Por momentos de vislumbre, segundos de sol reflectidos em vales de sombras, um rio corre tentando ganhar confiança, dos seres presos nas margens, que todos assistem, a essa corrida de sentido único.
E se uma flor marginal, que se questionasse, por exemplo... E se o rio corresse noutro sentido? Ou para os lados? E se desobedece-se à lei gravitacional e seguisse uma outra lei, mesmo que abstracta, uma lei inventada e contraproducente às leis da vida... Porque em boa verdade, a vida e a morte, se entre-cruzam todos os dias.

Em boa verdade, não se nasce, mas sim, se renasce.
Em boa verdade, não se morre, mas sim, se acorda.

As pessoas em geral, têm-se como muito inteligentes, tal a soberba ingénua por que se tomam. Alias refira-se, a medricagem que a população humana vive e sobrevive, a começar pela tanafobia - fobia da morte - em que vive. Ou seja, vive, com o medo de morrer. Quando na verdade, uma e outra se complementam, ao mesmo tempo que a existência persiste. Vive uma contradição meridiana, no seu simples intelectual de ver as coisas.

Essa mesma soberba, que por um lado se destroem alimentos para manter o preço, nos mercados de derivados, por outro lado existem pessoas que morrem por doenças consequentes da fome.
Este é o anátema da sociedade em que vivemos.
Só por isto, se depreende o nosso nível de evolução, enquanto espécie.

Enquanto nós, por todo este mundo, vivemos os devaneios, delírios, desmaios, hipnosis, alegrias, comas, sonambulismos, medos e fobias. 
Na verdade, somos partes integrantes de tudo isto, cada um na sua quota-parte.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Se não têm pão, que comam brioches!


Esta frase é atribuída a Maria Antonieta ( Marie Antoinette Josèphe Jeanne de Habsbourg-Lorraine ) rainha de França que viria a ser guilhotinada após os desenvolvimentos da revolução Francesa de 1789.
Entre os historiadores não é consensual que a célebre frase tenha sido proferida pela rainha a uma das suas camareiras certa vez que um grupo de pobres foi ao palácio pedir pão para comer.
Era considerada pelos influentes economistas da época, Turgot e Necker, a "madame déficit". Viria a ser guilhotinada após de dois meses de conciergerie, a 16 de Outubro de 1793.
Foi nesta revolução que nasceram os conceitos de esquerda e direita, consoante se sentavam na Assembleia pós-revolução, jacobinos, girondinos, sans-cullotes, monárquicos, proprietários rurais e por aí adiante.

Independentemente da verdadeira autora da frase, ela encerra em si mesma, uma mentalidade meio ingénua, meio naif, de quem não tinha a verdadeira noção do momento, nas suas várias valências; políticas, económicas e sociais. Ou seja, nunca souberam as dificuldades que os povos que representam e nos quais tomam decisões.

O actual governo português, vive nesse anátema.
Em primeiro lugar, funciona meramente como uma sucursal dos seus credores externos. Em vez de governar para o bem estar e desenvolvimento da nação, a sua lógica é de empobrecê-lo.
Em segundo lugar, a lógica de quem não concorde, que emigre.
Logicamente, que este governo está errado de fio a pavio. Mais grave, estando convicto, ou pior, transmitido a ideia de que está a fazer tudo o que é correcto.
Coloca-se aquela questão, de que a maior parte já sabe a resposta - Mas para é que quem este governo governa realmente ?
Até dá pena, ver estes meninos, no meio dos grandes galifões internacionais, especuladores, traders, que jogam com toda a força, contra os imberbes e inseguros.

Enquanto por um lado, vemos um ministro das finanças quase de cócoras a agradecer ao seu congénere alemão, o eventual alargamento dos prazos de retorno financeiro - "Muito agradecido, muito agradecido!", enquanto fazia vénias de vassalagem. Obviamente, que Gaspar confirmou que aquelas imagens nunca deveriam ter sido emitidas, tal a humilhação, o que na verdade ocorreu foi mostrar o espelho da realidade em que vivemos, um verdadeiro apêndice europeu.

Por outro lado, a verdadeira energia do "Se não têm pão, que comam brioches!", vem do deputado do CDS (ex-jota), João Almeida, referindo-se à nova lei de mobilidade da função pública -"Os funcionários públicos que entendam que a mobilidade proposta não é solução podem, no seu interesse, negociar a rescisão".
Não lembra a ninguém tamanha inocência, o pujé não tem conhecimento de todo, o país em que habita.

Estamos entregues ...



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

sábado, 3 de março de 2012

A moda dos "Vampires"


De mil em mil anos surgem modas deste tipo, ao mesmo tempo que as pessoas se afligem, como se fosse, algo de importante.
A questão que se coloca aos vampiros, é a seguinte ...?
Porque é que não lambem as coninhas, ou passarinhas de milhões e milhões de mulheres que se menstruam mensalmente, neste planeta ?

Somando a este facto inolvidável, com as constantes guerras que se perpetuam no tempo e com, tanto sangue derramado ao acaso, não existem razões de queixa!
Vejam o anormal do chupa-cabras, algures no México, psicopata desiquilibrado a sugar sangue em animais de pasto, e depois são os extra-terrestres!

Os vampiros existem, não aqueles que se vêem nas séries TV, com enredos românticos e lobisomens à mistura... Por exemplo, o parvalhão do Miguel Relvas, com evidentes desíquilibrios mental-somáticos.
Um dia a verdade vem ao de cima. Tal como a história nos ensina.

Com todo o fervor de uma autoridade moral possuída, pelo ser, ao mesmo tempo que armazenamos bocados de cadáveres para comer mais tarde.
Enquanto defendemos espécies em extinção, grelhamos e cozemos outras que nos garantem a vida.
Esta é a nossa condição primitiva, desde o bairro das barracas até ao condomínio de luxo.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Expectativas, sonhos e engodos


Quase todas as pessoas não vivem as suas vidas, pensando escondidamente que as vivem. Sem tracção num chão que lhes foge dos pés, vivem suas vidas moldadas por antevisão de expectativas de outros, moldando por essa via suas formas comportamentais, na base, suas maneiras de ser. Enquanto desatam nós, atam tantos outros, em velocidades relativas; seja de consciência, seja relacional, comportamental... Seja no tempo e no espaço. Perdido, quando mentaliza um pouco para além, procurando um sentido de e na vida, perante a imensidão do Universo, deslumbrando-se a olhar, simplesmente, as estrelas e recordando de que existem coisas do arco-da-velha, visualizando factos ocorridos nesta vida, variando na experiência acumulada, crendo nessa mesologia quase como factor de fé, o Eu de cada um.

Confundidos pelos sonhos, rememoram pela manhã, enquanto bocejam com os olhos cheios de remelas, vários sonos, donde encolhidos e de pijama, manifestavam seus medos, suas ânsias. As rememorações, dos vários sonhos numa noite, são vários, surgem por vezes em visualizações e numa espécie de ligação de plataformas mentais. Recordamos de forma ténue, vários sonhos diferentes numa mesma noite e com as recordações a caírem em conta-gotas, misturamos tudo e assumimos, como se fosse um só sonho, quando na verdade são vários... Quando se recorda, na oportunidade e na forma.

Mas no fundo, apesar dos sonhos, no tudo que essa palavra abrange - pois também se sonha acordado -, as vidas das pessoas são comandadas pelas expectativas que os outros têm da sua.
Enquanto o indivíduo, não se consegue libertar dessa amarra consciencial, não vive, finge que vive, doutra forma, vive para os outros, negando para si mesmo, a sua vida, que é sua e de mais ninguém.

Gerir a ambivalência de uma vida só, não é uma coisa simples. Relacionar e interpretar as várias formas que amarram consciencialmente, tanto; religiosas, sociais, políticas e familiares... Sem contar com engodos... A estrada da Vida está cheia de engodos.

Apanhadas nisto, existem pessoas que se rasgam dia-a-dia... Haja fita-cola, pelo menos!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Novo cenário e algumas mudanças


O blog Extrafísico, mudou de cenário e efectuou algumas mudanças. Além do cenário, o que é curioso na parte do além, pois se debruça, também por vezes, no além das vidas físicas... Surpresa, surpresa! Este espaço passa a contar com uma área para documentários.
Algo que já se tinha pensado há muito e que agora se concretiza, são documentários que normalmente, não passam no "prime-time" e muitas das vezes passam em "horários escondidos". Com o tempo irão aparecer mais.

Para além disso, no topo deste espaço, fica representado uma enorme árvore, uma espécie de árvore da vida, é que em boa verdade, a morte no sentido literal da palavra não existe. Nesta parte coloca-se uma questão de não somenos importância - Como explicar isto às pessoas em geral?
Por outro lado, as imagens e os vídeos, ficam porreiros, ficam um bocadinho maiores com este novo layout.

De resto, o Extrafísico, vai continuar como sempre, com toda a força, abordando todos os temas, sem superioridade nem inferioridade perante ninguém, pelo facto de não existir, entidades superiores ou inferiores, a quem quer que seja.
Nessa linha, este espaço vai continuar naquilo a que se habituou, a verdade... Nem que seja a minha, aquela que sei como verdadeira. Mesmo que seja nebulosa!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O Grande Bazar


"Em Portugal, só há um Presidente da República, um primeiro-ministro e dezasseis ministros. Mas, apenas em 1992, os respectivos gabinetes compraram 32 BMW série 7, 30 Renault 25 BXI, 80 Citroën XM e 10 Mercedes 560 SL - la crème de la crème. A austeridade, como se vê, começa por cima e espalha-se como um polvo: há 22.300 carros ao serviço do Estado, sem contar com autarquias e empresas públicas. Quem disse que somos um país pobre?"

Escrevia isto José Vegar num artigo com fotos de Miguel Carvalho e Silva em Janeiro de 1993 - há 19 anos atrás - na revista mensal Grande Reportagem, revista que desapareceu pelo facto de ser incómoda e pela sua assertividade à época, num país que tinha apenas dois canais públicos de televisão, altura em que começavam a nascer as televisões privadas.

O artigo começa por contar a história de um jovem advogado, que tinha aceite desempenhar funções numa nova secretaria de estado e que chegou à conclusão de que precisava de um carro para as suas actividades. Por entre várias direcções do estado à época, nas quais se destacavam a Direcção de Serviços de Veículos do Estado (DSVE), dependente da Direcção-Geral do Património (DGP), o artigo conta como o pujé através de várias sindicâncias e cunhas lá conseguiu obter o seu carro de serviço, num quase sistema de contabilidade em "cima do joelho".

O artigo também refere onde se situava esse museu secreto do carros do Estado, ficava em Alcântara, sem nenhuma placa identificativa. Guardava os automóveis do Estado português, chamavam-lhe o museu, só não estavam lá os 15 Rolls-Royce e Bentley que em 1976 foram guardados na Gomes Teixeira (o edifício da Presidência do Conselho do Conselho de Ministros). Contava um ministro da altura: "Eles (os Rolls e os Bentleys) estiveram na garagem durante muito tempo. Depois desapareceram... Até hoje ainda não encontrei alguém que saiba qual o destino dos carros".

Informava também, o artigo da "Grande Reportagem", que os próprios custos de um automóvel não eram contabilizados individualmente. Entravam directamente na rubrica "Aquisição de bens e serviços". O Orçamento de Estado para 1993, dava 121 milhões de contos (não são euros!) à administração pública para as referidas aquisições, 3,7% do OE, só superado pelas despesas com o pessoal. Brutal, anti-ético e criminoso, tal o forrobodó.

Isto em 1993, imagine-se a escalada, nos anos posteriores. Este regabofe referido, cinge-se apenas, aos automóveis do Estado, imagine-se todo o resto.
É esta gente, que se passeia e cirandou, nos governos de Cavaco, Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates e actualmente Passos Coelho, que através das rádios, televisões e jornais, tentam formar a ideia de que vivemos acima das nossas possibilidades e de que é necessário fazer sacrifícios.

Num país, que sempre viveu no anátema dos salários baixos e na exploração do factor de produção do trabalho. Onde os génios de economia da merda nacionais, quando falam de competitividade, só falam em salários, quando esse factor de produção representa menos de 1/5 dos custos de produção. Portugal com os gestores da merda que tem, tanto públicos, privados e políticos, não vai lá. Afundam, em velocidade alarmante, a fraca economia portuguesa, ao mesmo tempo, totalmente incapazes de competir com um mundo em rápida evolução.
Políticos e empresários na sua maioria incompetentes a vários níveis. Figuras de topo no Estado a trabalharem uns contra os outros. Uns a brincarem aos 007's, outros em conspiraçõezinhas de clubes Amigos Disney meio secretos, outros a meterem cunhas e influências em negócios e cargos públicos.

Este como outros, o governo, não governa para a população, governa para quem o patrocina (como prenda, as privatizações que aí virão).
Este governo não gosta dos portugueses, e os portugueses não gostam dele.
Tal facto fica evidenciado hoje, quando habitualmente, os subsídios de desemprego são pagos entre o dia 10 e 15 de cada mês, vem o governo anunciar que este mês só vai pagar a referida prestação no dia 22, após o carnaval. É maldade pura, quando se aproxima o fim-de-semana, propício à reunião familiar.
Se não têm dinheiro, assumam! Se não, é pura ruindade, má-vontade, ressabiamento e assumpção de um Estado incumpridor, vergonhoso no mínimo... pela manifesta incapacidade de sensibilidade social.

Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mundo Astral


Dentre muitos mundos que se interagem entre eles, cada pessoa viaja entre elas a velocidades rápidas ou lentas, consoante o contexto em que está inserido e vivência que tem em consonância na sua capacidade de interpretar o que vive em todas as suas valências. A velocidade não é muito relevante, pois no contexto da multi-dimensionalidade o tempo vai-se relativizando, importante será a absorção de realidades, momentos e principalmente a forma como se interage em cada segundo, que o próprio tempo não pára, sempre contínuo e relativo no tempo, mesmo naqueles, que nossos cérebros físicos não entendam, mas lógicos e sentidos, nas profundezas das almas individuais que cada um carrega. No fundo cada consciência, em si, é um Universo, da mais simples à mais complexa, do menos infinito, ao mais infinito.
Uma simples bactéria quase invisível, maturada no tempo da evolução, pode dizimar milhões de pessoas com níveis intelectuais mais avançados. Ao mesmo tempo que, uma pessoa sozinha pode descobrir uma forma de eliminar a bactéria... Na verdade, tudo é possível!

Este deveria ser um dos primeiros posts deste espaço virtual, mas o que é que é o extrafísico?
Através da projecção extrafísica, qualquer um pode chegar à sua explicação, vivida e sentida.
Nesta breve definição da Wikipédia, ficam abertos os caminhos de pesquisa que cada um ache necessário:

"Projecção da consciência, experiência fora-do-corpo (EFC), experiência extracorporal, desdobramento, projecção astral ou viagem astral são termos usados alternativamente para designar as experiências fora-do-corpo (do inglês, out-of-body experience – OBE ou OOBE) ou estados alterados de consciência, que podem ser supostamente realizadas por qualquer pessoa, por meio do sono, via meditação profunda, técnicas de relaxamento , ou involuntariamente, durante episódios de paralisia do sono, trauma, variações abruptas da actividade emocional e stress, Experiência de quase-morte, deprivação sensorial, estimulação eléctrica do giro angular direito do cérebro, estimulação electromagnética, experiências de ilusão de óptica controladas, e através de efeitos neurofisiológicos por indução química de substâncias comummente descritas como drogas. Exemplos de tais substancias correlacionadas com a fenomenologia das experiências extra-corpóreas são o Cloridrato de cetamina, a Galantamina, a Metanfetamina, o Dextrometorfano, a Fenilciclidina e a Dimetiltriptamina (presente na bebida ritualística Ayahuasca).

A Projecciologia, fundamentada nos experimentos pessoais de projectores conscientes e sistematizações destas autopesquisas, inicialmente proposta por Sylvan Muldoon e sistematizada por Waldo Vieira, que, durante a projecção, quando lúcida, o indivíduo está ciente de que se encontra fora do próprio corpo físico projectado por meio do (corpo astral, perispírito, psicossoma), que são entidades imateriais. Por intermédio da projecção da consciência é possível conhecer supostas dimensões extra-físicas (leia mais aqui )."

E pesquise per si... retirando o medo das amarras sociais desta vida que o aprisionam a um padrão comportamental e expectativas de terceiros que agrilhoam a sua plenitude de ser, há milhares de anos, diga-se de passagem.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Acordo grego


A Grécia prepara-se para ultimar mais um acordo de austeridade com a troika, para garantir o pagamento aos credores - públicos e privados - o reembolso com lucro dos investimentos efectuados, mascarados de "ajuda" para colocar as contas públicas em ordem e lançar a economia na senda do crescimento e emprego. A realidade prova que esta linha de argumentação é falsa, mentirosa e venenosa.
Os planos de austeridade, também chamados de ajustamento ou na sua forma mais light "ajuda ou assistência financeira", não são mais do que em linhas gerais, destruir - chamam-lhe desalavancar - a economia, diminuir à força o rendimento das populações utilizando os salários e os impostos como ferramentas principais, para que com esse diferencial, entreguem aos credores internacionais em prestações contratualizadas e com lucros acima da média, devido ao elevado risco de incumprimento, manipulado por agências de rating com accionistas nebulosos e misteriosos.
Não pagando ou negociando um perdão de dívidas, quebra-se a corrente sanguínea, gerando perdas assinaláveis a muitas entidades um pouco por todo o mundo, algumas aceitam a política de pelo menos receber alguma coisa, do que não receber nada.

Com este segundo plano de ajustamento de 130 mil milhões de euros, não se vai ajustar nada, antes pelo contrário, adiar por mais uns meses, a evidente bancarrota que se desmultiplicará na zona euro.
Os planos de austeridade implementados aos países europeus, estão na sua base conceptual errados, contrariamente, ao que a propaganda do mainstream prolifera nos meios de comunicação social. Os discursos dos líderes europeus são na sua raíz incoerentes, quando defendem que estes programas são para o crescimento e emprego, quando ao mesmo tempo se assiste a mais desemprego e à destruição gradual e de forma acelerada, principalmente nos países intervencionados.
Quem é que ainda não percebeu isto?

Seja um particular, seja uma empresa ou uma nação, que esteja excessivamente endividada, por vários factores de ordem, não é evidentemente, endividar ainda mais com prazos curtos, ao mesmo tempo que de forma abrupta lhes cortem as pernas ou até as "asas".
No fundo obscuro dos planos de austeridade que assistimos em catadupa, em que um sucede a mais outro, naquela linha de que, agora é que é, desta é que vai ser, lembrando a cenoura à frente do burro, o mais infinito.
Os rostos escondidos e verdadeiros orientadores destes planos de austeridade, não querem, por evidência dos factos, o desenvolvimento das nações, mas sim, estranhas estratégias complexas, onde grupos/sociedades secretas, semi e públicas lutam pelo "obter mais o que seja", algumas destas batalhas já são seculares, todas elas objectivam retirar parte do rendimento de populações inteiras e entranhando de forma gradual natural o trabalho escravo, ao mesmo tempo que com propaganda massiva consigam fazer com que as pessoas se conformem, se sintam culpadas, como também injectam sub-liminarmente, o cultivo do ego e da fama, do consumo, a sensação de posse, em suma atarantar as pessoas, tal como baratinhas tontas, deixando-as a discutir entre elas, dividindo para reinar e assim ocultando o verdadeiro cerne da questão em que vivemos. Conhecimento e informação são os verdadeiros tesouros escondidos por detrás do dinheiro.

Mas quem é que ajuda quem ...?

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Je l'aime à mourir


Existem pessoas capazes de morrerem pela pátria, outros muitos, morreram por ela.
Na luta, em guerras injustas e por convicção, plasmado em litros e litros de sangue derramados pela nação. Não é por acaso que a nossa bandeira, tem dois terços de vermelho, do sangue derramado, principalmente por muitos anónimos... longe da graça e do efémero.

Portugal actual está a saque, esbulha-se às claras e sem vergonha. Desde o tempo da ditadura que deu o poder económico e financeiro, a meia-dúzia de famílias para explorar o rendimento produzido por gente maioritariamente analfabeta e com acesso "controlado" da informação e conhecimento, aos tempos de hoje, a base conceptual mantém-se em toda a linha.
Mudam-se os tempos, as tecnologias, os regimes políticos, mas a base actuante, tem a mesma escola; controlo, marketing e contenção de danos.
Por outro lado, os portugueses são dos que trabalham mais horas comparativamente à média europeia, onde as massas que trabalham nas duas grandes urbes, Lisboa e Porto, demoram em média entre 1 a 2 horas no trajecto até ao seu local de trabalho, a maior parte chega a casa esgotado sem tempo para "pensar" o tempo actual.

Na senda da destruição da economia que os partidos apelidados de arco-do-poder, PS e PSD/CDS, levaram e continuam a levar o País ao buraco, onde a declaração de rendimentos - o IRS, serve para atestar a condição de pobreza, que ao mesmo tempo atesta a total incompetência dos governos das últimas décadas, resultado de muitos governos fracos em capacidade organizativa e de gestão, até mesmo na dignidade e honra de uma nação.
Portugal está ao nível de lixo na sua credibilidade internacional, se bem que, parte desta classificação resulta de factores externos complexos, outra grande parte é o resultado das "frutuosas" governações de Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes «en passant e não eleito», Sócrates e agora de Passos Coelho o gestor de insolvência.
Qualquer dia, para gerir quem tem direito aos descontos nos transportes, nos hospitais e nas farmácias, criarão uma entidade que atestará os vários níveis de pobreza; os pobrezinhos, os remediados e os indigentes, colocando-lhes uma fita colorida no pulso em que a cor atesta o grau de pobreza. Escondendo o triste espectáculo de filas de pessoas com o IRS na mão nos guichets da Carris para terem um desconto no passe social, que cada vez mais se torna menos social.

Passos Coelho e António José Seguro, são o resultado dessa hipócrita linha do politicamente correcto, que este povo, na sua maioria evoluiu de analfabeto para a condição de iletarato, lhes conferem o poder de ser.
Seguro, num dia destes, em conferência de imprensa criticava o actual governo de seguir o caminho da austeridade, que seguia o caminho errado, ao mesmo tempo que contrapunha que ele, seguiria o caminho contrário, o caminho do crescimento e do emprego, apenas se "esqueceu" de dizer como e com que dinheiro, sem esquecer que foi o seu partido que negociou com a troika o memorando que nos governa. Falam aos portugueses, tanto um como o outro, como se fossem um bando de atrasados mentais, são de uma inocuidade completa.
Descendo na cadeia alimentar de toda esta gente, desde a políticos, analistas e jornalistas seniores que debatem com os seus ares mais seráficos, estatísticas, análise política, austeridade, economia e finanças. Cada um atira, com o ar mais inteligente possível, as suas larachas para o ar, e na verdade, estamos nisto, meias-verdades utilizadas fora de contexto, lamirés e opiniões pessoas, enquanto o País se afunda vertiginosamente.

Os seguros de crédito cobrados aos investidores internacionais que emprestam à República são cada vez mais caros pois o risco de Portugal incumprir é cada vez mais elevado. A somar a toda esta pressão, foi publicado recentemente um artigo no Financial Times, onde se opinava que é inconcebível a ideia de Portugal voltar aos mercados em 2013, enquanto em contraponto, o governo torciona o mais que pode, a economia e o rendimento dos particulares com o argumento, de voltar aos mercados em 2013.

Portugal já não depende de si, esta é a triste realidade. Somando a esta linha política, em que a despesa não diminui, a procura diminui, o consumo interno diminui derivado da redução forçada, ilegal e arbitrária dos rendimentos das famílias, constroem uma espiral negativa descendente, aumentando uma tensão que se sente a subir todos os dias, meio silenciosa, meio disfarçada... Até ao dia que explode de vez.
Depois tudo é imprevisível...



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!