sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Assim não vamos lá


Com o país a endividar-se a 2.500 milhões de euros à hora, não vamos lá, concerteza. Não interessa quem os apresenta, com que sentido ou interesse. O facto, é que este número é real e é o nosso contínuo desastre.
A entrada na C.E.E. e os fundos que daí vieram, criaram uma mentalidade de subsídio-dependência e de que tudo era fácil, os políticos que os negociaram, esconderam a verdade, a de que haveria custos e contrapartidas que teríamos de vender.
Vieram as auto-estradas, destruímos as pescas.
Vieram as pontes, destruímos a agricultura.
Agora, endivida-mo-nos para importar peixe e produtos agrícolas do exterior.

Nos anos 90, nesta voragem de transformar tudo em dinheiro líquido, os nossos governantes, venderam as empresas públicas mais lucrativas, o dinheiro daí resultante e da má gestão crónica dos sucessivos governos PS e PSD, desapareceu derretido. Nos finais dos anos 90, começamos um endividamento galopante, uma bola de neve imparável.

Dessas empresas públicas lucrativas para o Estado, o que resta hoje, são empresas descaracterizadas, onde a maioria do capital já está em mãos estrangeiras e delas não se conhecem as verdadeiras faces, escondidas atrás de fundos, grupos económicos e agências de investimento. Os quais, como é óbvio, interessa-lhes só e só o lucro, a qualidade e o serviço à população é outra história.
Mas o que interessa a um investidor chinês, saudita ou norte-americano, que o Arnaldo Fonseca é mal atendido num hospital-empresa por um funcionário cansado e explorado, que após a redução de pessoal trabalha por dois, ou que Vila Nova de Baixo tenha um mau serviço de electricidade por não ser rentável a instalação de um sistema eléctrico para meia-dúzia de papalvos.

Nos últimos anos a imoralidade, a falta de ética tem-se agravado a uma velocidade alarmante, traduzida em prémios e bónus, a entrar claramente e com os dois pés na mais completa falta de respeito humano.
Por exemplo, um administrador de uma empresa ganhar um prémio de 3.000.000 de euros, é muito bom, sem dúvida!
Mas para atingir os objectivos que lhe garantiram o prémio, dependeu de uma série de gente que trabalhou na prossecução desses objectivos, ou seja, um sem os outros, não seria nada. Vejamos um funcionário médio de determinada empresa que aufira 30.000 euros por ano, precisaria de 100 anos contínuos de trabalho, para chegar a esse montante dado de uma só vez, ao pseudo-visionário e estratega da gestão. Por outras palavras, considerando que nos tempos actuais, um trabalhador/colaborador/funcionário (conforme a disposição ideológica) labora uma média de 30 e poucos anos, resulta que precisaria de 3 vidas laborais inteiras para auferir tal rendimento, e não é preciso acreditar na reencarnação... é só uma questão de fazer as contas.

Por isso, não se deve apostar num discurso negativista ou derrotista. Para muito boa gente, Portugal é muito bom.
Um exemplo comparativo, o governador do Banco de Portugal, tem um salário superior ao seu congénere norte-americano.
Esta chafarica - Portugal - que num contexto mundial tem a dimensão de uma média-grande cidade em termos populacionais tem rendimentos superiores a países de grande dimensão, tornando este país num dos mais injustos no que toca à distribuição da riqueza criada, mesmo que pouca, ainda se vai fazendo alguma coisa.
É pena, que as elitezinhas lusas, de má formação cívica, de notória falta de ética e cheias de má fé, não tenham aprendido a fazer contas de dividir.
Digo eu, que estão a trabalhar contra elas próprias, mas é só uma opinião minha, o futuro nos dirá...

Por isso, seria uma razão atendível, a demissão de todos estes governantes PS/D, alias, até seria legalmente atendível, a bem da nação.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Conceitos de Deus, livre arbítrio e destino

Planeta Terra, final de tarde, 2010/09/12

No fruto das religiosidades, ao longo dos tempos, retira-se na casca actual, karmas violentos e imensas vidas interrompidas sem sentido lógico, pelo menos, do ponto de vista directamente proporcional da quaisquer razões de qualquer religião que se defenda.
A uma certa transcendência, que o Homem logo se começou a deparar através dos trovões, dos raios e das explosões, fenómenos tão dantescos e muito acima do seu domínio e de sua força física, foi atribuindo a outras forças superiores, tais responsabilidades. Venerando e celebrando, figuras da sua imaginativa e feitores de tão soberbos eventos, e daí, pressupondo um certo controle naif e obsessivo, ganhar vantagem sobre o outro que invejava ser igual, espelho de si.
Daí até a complexização de hoje nos rituais de benefício próprio, até à hierarquização de códigos, percorreu-se todo um vasto leque histórico, de morte, traição, hipocrisia, exploração do homem pelo o homem, e principalmente, o controle do conhecimento.

Peguemos na hipótese de que os homo sapiens sereníssimus que atingiram a forma evolutiva de consciência livre. Energizam, nessa forma, não planetas, mas sim galáxias, gerem a sua evolução, como também, de forma que se pode não compreender, de que, para melhor evolução, pode passar pela destruição. Todos nós, e isto é importante, todos nós chegaremos a esses patamares, uma espécie de Deus, e decidiremos em conformidade.
Não há superior, nem inferior, num contexto, em que percorremos esse caminho, base central de nossas existências. Todos nós caminhos para lá, mesmo estagnados, em certos pontos não há volta a dar, um novo pulo ocorrerá.

O livre arbítrio, propalado por compêndios avulsos e nascidos sob matrizes ideológicas políticas de outras eras, que definem, regras e comportamentos a ser seguidas e obedecidas por imensas massas de gente, que perderam a capacidade de questionar o tudo, que o envolve e o que vive.
Há na Índia, um templo que guarda o futuro de todas as pessoas em escritos. Se avença, que foram extra-terrestres que deixaram essas escritas dinâmicas.
- Será que já teremos o nosso destino escrito numa folha de papel?
- Será que temos, realmente o livre arbítrio?
- Ou será, que afinal é tudo relativo e temos a ilusão do comando de nossas vidas?
Em boa verdade, se pode questionar... Seremos de facto seres livres?

Se calhar, já somos alguém, poderosos, partes intervenientes do Universo, duma maneira inexorável que nos escapa, por agora, à nossa percepção holística, como conjunto do Ser.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Processo Casa Pia


Casa Pia, criada a 3 de Julho de 1780, por Pina Manique, no reinado de D. Maria I, foi lhe incumbida por estatuto público a missão, através do trabalho, a recuperação de, mendigos, vadios e a educação de orfãos. Nos dias de hoje, é tutelada pelo, Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, centra-se principalmente na educação de orfãos e crianças abandonadas pelos pais ou parte deles.
Como acontece em todo o mundo, parte da sociedade, normalmente pessoas da área do poder político, económico e do show biz, com apetites sexuais anormais, usam este tipo de agremiações, para obterem carne fresca que lhes satisfaçam as suas patologias sexuais.
E por que isto ocorre? Porque se pode.

Em 2003, uma jornalista de investigação, levanta a lebre - Felícia Cabrita. Nasce o processo Casa Pia.
Ao longo de décadas, altas personalidades de Estado, do desporto, da comunicação social, da área empresarial e da política em geral se refastelaram com a parte mais fraca da sociedade, aquela a que incumbia e incumbe ao Estado de as proteger, de acarinhar e educar num mundo voraz e em constante mutação.
O processo ganha uma mediatização tremenda, com o arguido Carlos Cruz, célebre figura nacional do audiovisual.
Nisto e passados - muitos anos não fugindo à media da nossa (in)justiça judicial - mais de uma meia-dúzia de anos, os arguidos são condenados em 1ª instância a prisão efectiva, num processo cheio de erros e contradições, pondo a nu de forma evidente que o Estado não estava preparado para um processo desta envergadura, em boa verdade, como não está preparado em outros de menor impacto mediático.

O site de Carlos Cruz relativo a este processo, tenta demonstrar essas contradições. O site que segunda-feira teve mais de 100 visitas por segundo, devido aos vídeos publicados e que estavam proibidos de serem divulgados pelo tribunal, são claramente tendenciosos. Demonstrando afinal, que o site teria de ser renomeado para "paramesafarfaçotudo.com".
Imagine uma criança ser levada para um apartamento ou para uma casa a centenas de quilómetros, aí ser abusada sexualmente e depois sair com uns ténis Adidas calçados e passados 8 ou 9 anos, ter que se lembrar se determinado vaso estava mais ao centro ou encostado à parede, se era a porta esquerda ou a direita, se a sala era aqui ou ali, em imóveis que sofreram obras ao longo destes anos.

Na área política, que se safou à tangente deste processo, as palavras do médico Ferreira Diniz, condenado na 1ª instância por pedofilia de menores a cargo do Estado, são alegadamente esclarecedoras - " O PS (Partido Socialista) safou a sua malta e abandonou a gente."
Esta frase presumivelmente pode dizer muita coisa. Facto é que o Juíz Rui Teixeira, no início do processo, teve a coragem - coisa rara nos dias de hoje - de ir pessoalmente ao parlamento português "caçar" à época, o deputado Paulo Pedroso. Depois de ouvido por várias horas, o Juíz contendo indícios muito fortes da pratica de crime de pedofilia no âmbito do processo Casa Pia, ordenou a prisão preventiva do alegado criminoso de abusos sexuais a menores.
Ficou célebre a frase oriunda de escutas telefónicas do então líder socialista, Ferro Rodrigues, a que não se escapou dos boatos à ilharga popular, que também, andou por lá - "Estou-me a cagar para a justiça". Foi o seu assassinato político luso.
Isto deixa transparecer, que para, certos elementos ligados ao Partido Socialista, a filiação foi alegadamente, muito importante.

Contudo, a lei é a mesma, mas como são pessoas que a julgam, se demonstra que a justiça pode ser muito relativa.
Ou seja, o veredicto pode variar conforme;
- o juíz ter sido abusado sexualmente em criança.
- o juíz ser um abusador sexual crónico e incontrolável de crianças.
- o juíz ter um descendente ou ascendente, abusado sexualmente.
- o juíz ter um amigo/a abusado sexualmente.
- ou nenhuma das anteriores ou outra que porventura não enunciadas.
Temos a mesma lei, com entendimentos diferentes, fruto de vivências diferentes e provavelmente com veredictos diferentes.

Os arguidos deste processo, correm sérios riscos de vida, a prisão efectiva será difícil, com os recursos que se adivinham, somando o excesso garantista ao absurdo do nosso sistema legislativo. A concretizar-se a prisão efectiva, constatando a idade física dos alegados criminosos pedófilos e sem - nessa hipótese - já nada a perder, revoltados irão denunciar os outros que presumivelmente se safaram, listas de nomes aparecerão e os integrantes dessas listas tudo farão para os calar.

É este país, onde os políticos não falam a verdade, muitos por não terem a noção dela, que se afunda de hipocrisia em hipocrisia.
Esta semana, a república portuguesa, teve de ir mais uma vez ao mercado internacional para se financiar, porque cá, não existem recursos, mesmo que 100 portugueses ganhassem o euromilhões não chegavam. E financiou-se bem caro, cada vez mais caro... para pagar salários, apenas. As pessoas não têm noção desta realidade, também não querem saber, nem se preocupam em saber, quando baterem com a cabeça na parede, vão perceber, algumas só mesmo quando só estiverem a sangrar.
Este país não produz para a massa monetária que circula, o que existe é um balão que um dia vai arrebentar. Nem fazendo o pino encarpado...

Vivemos uma jovencita democracia, pintada de fresco!
So fresh, so fresh... País de cinderelinhas!



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A spell on you


Despertar pode vir, também por encantamento, por magia. Não pela magia que a palavra em si encerra, mas pelo lado misterioso que se abre nas dúvidas, do terra-a-terra, da ignorância e pelo medo do escuro.
Do alto da sapiência geral - quase igual a zero - da comunidade que habita este globo pesado carregado por Atlas, tem destaque e quase sempre os traços fardos das consciências.
O ego, é o mais difícil de trabalhar; "Porquê eu?", " Eu que sou tão bonzinho!", "Eu merecia melhor...", "Se os outros fazem, porque não eu também!?", "Eu que sou doente.", "Tenho o direito à indignação (mesmo que não saiba, a que se está a indignar)", "Eu que sou muito honesto..." e etc. e tal... todos choram, cada um à sua maneira.
Depressão e variantes, euforia exagerada, psicoses mais, semi ou menos maníacas, descontrole do ego e principalmente, a inveja e o desdenho, o suicídio ou a sua tentativa, também o reumatismo e a espandilose. Tudo dói, seja no corpo ou na alma e se a dor é parte de nossas vidas, indubitavelmente, tem de se aprender a trabalhar com ela, facto impossível de atalhar.
Por isso, numa vida só, temos vários apontadores de estados da consciência. Um estado de alma de ontem pode sê-lo hoje e vice-versa, um que almeja no futuro pode sê-lo já, por entre-linhas viajar no tempo já é possível, pelo menos, na forma mental.

Fica a música de Nina Simone, um génio musical, uma sina. Mistura perfeita de gospel, blues, folk, jazz e principalmente, soul.
Oh Lord!
Imagino um lord de chapéu branco a segurar cabelos saídos da nuca de uma escrava de joelhos em eflúvios de saliva com movimentos forçados e repetitivos.
É uma das partes da história do nosso planeta... que passada, mas real e acontecida.
Sempre novos karmas se criam... A maior parte vai-se desquadrilhando, mas a este ritmo, o processo será longo.
O "longo" é relativo como tudo na vida e na morte, esses dois pormenores que ocupam o espectro mental dos incautos, o além disso, são as fronteiras interessantes de percorrer...

domingo, 29 de agosto de 2010

Chips nas matrículas


Será que os chips nas matrículas ajudam à resolução, na sua quota parte, dos problemas do país?
À luz da realidade do dia-a-dia e por quem tenha um razoável entendimento do momento presente, obviamente que não.
Numa análise mais lógica, mais ou menos técnica, Portugal ao que "parece" tem neste momento problemas muito mais gravíssimos por resolver.
Portugal figura nos mais variados top tens da desgraça e pobreza de espírito; na desigualdade de distribuição dos rendimentos, no endividamento externo (público e privado), países com maior probabilidade de incumprimento da dívida (segundo a CMA Datavision), na U.E. o quarto no desemprego e no trabalho precário é o campeão europeu.

Passamos agora a ser únicos no mundo da globalização, da competitividade e da tecnologia, ao criarmos o DEM(o), Dispositivo Electrónico de Matrícula. Ou seja, um chip colocado obrigatoriamente em todos os veículos automóveis, reboques, motociclos e triciclos, com o propósito de, ao serem identificados nas portagens, procederem automaticamente ao pagamento da respectiva portagem na via por onde circulam.
O cidadão não tem hipótese de escolha, é obrigado a pagar 23 euros para a instalação do DEM(o), mesmo aquele, que preferiria parar na portagem e ser atendido por um portageiro, função que irá ser suprimida.

A empresa pública, responsável pela fabricação e distribuição do dispositivo, com um enorme encaixe de capital à partida - pelo facto da obrigatoriedade - dá pela designação de SIEV, S.A. - Sistema de Identificação Electrónica de Veículos.
Mais uma empresa que ganha, por obra e graça da fada-madrinha, um negócio caído do céu, sem concorrer a um concurso público e livre de apresentar um caderno de encargos. Tal, nestas bandas, já tinha sucedido com os poderosíssimos computadores Magalhães, fabricados pela empresa J.P. Sá Couto, outrora, em incumprimento fiscal.
No site da SIEV, S.A., existe toda uma panóplia informativa, em como obter o famigerado chip e como pagar. No que concerne à composição dos seus orgãos sociais, bem como, os seus estatutos, zero.
Fica a pergunta, será mesmo uma empresa pública? Ou meio privada? Será um pássaro? Será um avião? Será Superman?
Hoje em dia já não se sabe bem...
Dizem as más línguas, eu não acredito, pois no governo é só gente séria e honesta, que a administração do tal SIEV, são de pessoas do PS (Partido Xuxialista) ou ligadas a ele, pessoas de bem, imagine-se!

Ao mesmo tempo que o P.M. entrega a construção e a gestão de hospitais ao maior grupo privado na área da saúde e em simultâneo elogia o S.N.S., voilá... que dizer.

Por isso e a propósito, volta a figurar neste blog a canção da belíssima Cris Nicolotti - Vai tomar no cú.
Com a profunda sensação, que tanto governo como oposição, face da mesma moeda, adoram tomar no cú.
Há quem diga, e eu não acredito, que até blós-blós a cavalos.
Mas, vamos ser sérios, porque este país é de gente séria, alicerçada em credibilidade e honestidade acima de qualquer suspeita. Temos dos menores índices de condenações de políticos, empresários e banqueiros a comprovar tal facto.

Portanto, resumindo e concluindo, a mensagem central que se tenta passar é a seguinte:
Metam os chips, bem no meio do olho dos vossos cús.
Governantes incompetentes e que não fazem as coisas certas.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tudo é relativo


A sério e a brincar. Tudo é relativo.
O tudo, também é passível de interrogatório, de dançar, de bailar, enganar, ludibriar... no fim da linha trair. E ao fim ao cabo, o tudo, também pode sair sem nada.
Seja no risco, na adrenalina ou na contrafacção.
A adrenalina, vicia. E quanto mais vicia, mais se arrisca, faz parte do jogo, do risco.
Essa energia a mais que não controlada resulta quase sempre na vampirização energética. As pessoas sugam-se umas às outras, energeticamente claro. Criam-se dependências inter-pessoais, autênticas bolas de neve, que por vezes, degeneram em avalanches, alguém fica soterrado em queixas, pedidos e desabafos.

Há que relativizar... E menos doenças liquidarão séries existenciais, tanto de forma directa ou indirecta.

E depois temos os políticos papagaios, que falam de tudo, mas tudo sai oco, sem conteúdo, falam só para eles, em discursos vazios; Vitalino Canas, João Tiago Silveira, António Arnaut, Miguel Relvas e etc, etc, etc e etc...
Parecem controlados e re-programados por ET's.
Mas quem é que os ouve? Ou quem os consegue ouvir?
Há que relativizar, sem dúvida... Há que relativizar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O ar que respiramos


O ar que respiramos é tóxico e mata-nos aos bocadinhos, o que nos permite aquela pequena e singela janela de vida, mata-nos aos poucos, o oxigénio. Numa canção ou poema, uma triste sina.
Mas não, não é. É uma oportunidade evolutiva, uma deixa... preferia uma gueisha.

Tanta choraminguice, tanto punho em riste, tanta manifestação, tanta indignação...
Tudo o que foi, é passado, com consequências no futuro sentidas no presente.
Nada é constante, no que, não mais, a constância de mutações, migrações, mudanças e transformações.

Há que anos, que é assim, e por muitos continuará a ser. As lutas das pessoas, que interessa isso num plano universal e intemporal.
Há 12.000 anos demos um salto evolutivo brutal, o da sedentarização, também o cão, que vivia nas orlas dos acampamentos nómadas. Deixamos de vaguear...
Outro grande salto se avizinha para a Humanidade, a espiritualidade, e tal como ontem, não serão precisas bíblias, obras sacras e livros-guia. Reduzida a cegueira espiritual e a amblíopia mental, entraremos num novo paradigma existencial; do auto-conhecimento profundo, de celebrar a diversidade, vivências levadas por valores éticos, independência efectiva, perguntar sempre "por quê", capacidade de colocar as coisas em contextos mais amplos, em suma, uma cosmoética sentida e vivida, na práctica e na teoria.
Estas coisas, são inevitáveis, tal como o ar que respiramos.

Hoje, não sabemos bem, se o clima do planeta muda por nossa causa, mas facto, é que está diferente, para pior, na nossa óptica de interesses.

O crime, é institucionalizado, termos por nós inventado. Muito para além de um sentido ético existencialista, os maiores negócios do planeta são; armas, droga e prostituição e um outro que sempre existiu o da manipulação da fé, o pior e mais difícil de desmontar.
Seja na política ou na religião, logo quando se acorda uma consciência desta matrix, já se sabe, por experiência que vai resistir naquilo em que sempre acreditou, sabe-se que vai passar por fases mental-somáticas. É o processo...

Nós e qualquer um de nós já somos o universo, todos fazemos parte de tudo isto. Está nos nossos braços, nas nossas veias, somos parte integrante de tudo isto, somos peças...

Um exemplo, os primeiros acordes do vídeo abaixo, comprovam a capacidade transcendental de sermos e criarmos.



Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução!

sábado, 14 de agosto de 2010

A saúde mental dos portugueses


Já em Março deste ano, tinha sido objecto de análise este tema, no Extrafísico Blog, devido a uma capa do Jornal i, a doença mental em Portugal. Pode reler, aqui.
Nessa sequência, transcreve-se um artigo muito bom acerca desta questão, publicado no jornal Público a 21/06/2010, escrito pelo médico psiquiatra Pedro Afonso.

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"Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente."

Nikita